terça-feira, 28 de dezembro de 2010

CELEBRANDO FILMES


Cinema Paradiso, dica de Rodrigo Faro marca os 115 anos do cinema

Para encerrar o Eu Recomendo de 2010, a dica fica por conta do apresentador Rodrigo Faro. Ele está todas as semanas na Rede Record apresentando o programa "O Melhor do Brasil" e faz o maior sucesso com o quadro “Dança Gatinho”, no qual imita diversas coreografias, de Lady Gaga a Dominó, do qual foi integrante. No cinema, Faro atacou de dublador na animação "Astro Boy".

O Eu Recomendo de Rodrigo Faro é com o filme "Cinema Paradiso" e serve para celebrar a sétima arte, que completa 115 anos hoje, dia 28. O filósofo Platão foi quem implementou o conceito de sessão de cinema com o ensaio Alegoria da Caverna. Nele, Platão fala de pessoas num lugar subterrâneo que observam sombras de estátuas nas paredes da caverna. Muitos inventores se aventuraram no campo cinematográfico criando maquinarias que mostram imagens em movimento. Alguns nomes importantes foram Eadweard Muybridge, Étienne-Jules Marey, Charles-Émile Reynaud, Thomas Edison e Auguste e Louis Lumière.

Os irmãos Lumière criaram o cinematógrafo e foram responsáveis pela primeira sessão pública de cinema, acontecida em 28 de dezembro de 1896, no Grand Café, em Paris. Foi exibido "A Chegada de um Trem na Estação da Cidade". Na sessão a plateia se encantou e também se assustou com a imagem de um trem se aproximando. Muitas pessoas em pânico acreditavam que o trem sairia da tela. Assim elas se deram conta do sentimento de ilusão, que faz com que o espectador veja as imagens da tela como se fossem verdadeiras. É a chamada “impressão de realidade”, que faz com que os amantes do cinema admirem os filmes nesses 115 anos de história.

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Nossa tem tantos filmes bons! Eu adoro Cinema Paradiso. Esse filme tem uma história linda e emocionante sobre o cinema e daquele garoto apaixonado por filmes. É maravilhoso!
Rodrigo Faro

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No escurinho do cinema...

... Emoções à flor da pele despertam o encantamento pela sétima arte em "Cinema Paradiso"

Numa época pós-guerra, a única distração para a população de um vilarejo no interior da Itália é ir ao Cinema Paradiso. Na sala, ricos e pobres são separados espacialmente, mas ligados emocionalmente pela tela grande. A única coisa que não se vê no cinema são cenas de beijo e de insinuação de sexo, censuradas pelo padre da cidade que religiosamente assiste aos filmes antes de estrearem e sinaliza as partes que o projecionista Alfredo deve cortar.

Um dos espectadores cativos do Cinema Paradiso é o menino Totó, que não perde nenhuma das sessões embaladas pelas trapalhadas de Chaplin e os bang-bangs com John Wayne. Aos poucos, Totó se aproxima de Alfredo, meio que a contragosto deste, mas logo a relação de amizade surge tendo o cinema como pano de fundo. Totó aprende a técnica de projeção e descobre o fascínio pelos filmes, que o vai acompanhar para sempre. A presença adorável e cativante de Totó, a inesquecível trilha de Ennio Morricone e a maravilhosa sequência de beijos censurados fazem de "Cinema Paradiso" uma declaração de amor ao cinema.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

LINDO POR FORA, MAS POR DENTRO...

“Tron - O Legado” é um maravilhoso show visual, no entanto o conteúdo deixa a desejar

Nos anos 80, “Tron - Uma Odisseia Eletrônica” foi uma revolução no cinema, impactando o espectador ao apresentar o mundo virtual dos games. Kevin Flynn (Jeff Bridges) desenvolve jogos para uma grande empresa, mas depois de uma traição ele sai da companhia e se torna dono de uma loja de fliperamas. Ele não engoliu o fato de ter sido passado pra trás e vai atrás de provas. É nessa busca que Kevin é transportado para dentro da máquina do jogo Tron e ele terá de lutar para sobreviver.

A produção se tornou cult e agora, 28 anos depois chega “Tron - O Legado”. Nesta segunda parte, Kevin desaparece e deixa o filho Sam. O garoto cresce revoltado e sem esperanças de que o pai possa retornar. Mas ele vê que há uma chance de rever o pai e assim Sam vai a antiga loja de fliperama em busca de pistas. Assim ele acaba sendo teletrasportado assim como o pai para dentro da máquina do jogo Tron.

“Tron - O Legado” está em exibição nos formatos 2D, 3D e 3D IMAX e aqui fica a recomendação de ficar com a versão em 2D, pois o formato tridimensional não acrescenta em nada no apuro visual. O mais engraçado nisso é que no formato 3D, antes do filme começar há um aviso de que algumas cenas foram filmadas em 2D, mas que a pessoa deve permanecer com os óculos durante todo o momento da projeção. Essa é mais uma forma de se cobrar caro pelo ingresso e confirmar ainda mais a farsa do 3D que foi esse ano com filmes que não têm diferença entre eles e uma cópia em 2D.

Independente do formato a ser escolhido, pode-se constatar que o filme é simplesmente belíssimo, um show visual sombrio e com uma paleta seleta de cores. Ele traz incríveis cenas de ação e a trilha sonora da dupla Daft Punk combina com o visual moderno do longa. Porém as qualidades do filme ficam somente no quesito estético.

A sensação que se tem é que os efeitos especiais e a fotografia foram milimetricamente arquitetados para impressionar o espectador e fazê-lo esquecer que há uma história sendo contada. O roteiro com diálogos confusos deixam qualquer um sem saber o que diabos se passa neste mundo paralelo. Os personagens não têm carisma, em especial, o herói Sam (Garrett Hedlund, de "Erangon") e isso para um protagonista é péssimo, já que não dá ao espectador a vontade de torcer por ele. E Bridges em nada acrescenta ao filme “Tron” tem uma embalagem linda, mas o gosto do conteúdo é insulso. O tal legado de Tron é a decepção no rosto do espectador.



quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O VETERANO E A NOVATA


Diretor José Joffily e a atriz estreante Cristina Lago trabalham juntos no suspense "Olhos Azuis", que chega as locadoras hoje. NO MUNDO DO CINEMA conversou com o diretor e a atriz sobre detalhes da produção. Confira a entrevista exclusiva!

Cristina como foi a sua interação com o ator David Rasche e a barreira da língua inglesa?

No começo eu estava muito apreensiva com a chegada do David, pois eu não o conhecia, eu não falo muito inglês e estava ansiosa para ver como seria essa relação. Eu tive uma surpresa muito boa porque o David é um ator muito generoso e conseguimos nos comunicar muito bem. Nos dois primeiros dias eu fiquei um pouco tímida, mas depois quebramos a barreira e nos tornamos parceiros.

José, como surgiu a ideia para o argumento do filme, a questão de fazer um filme que se passa em dois países...
Eu tenho um amigo que foi para os Estados Unidos e foi deportado. Ele voltou para o Brasil e ficou na minha casa arquitetando uma forma de retornar aos Estados Unidos. Conversamos muito sobre a experiência dele.

Quando isso aconteceu?
Foi há uns dez anos. Aí outros projetos foram surgindo e o "Olhos Azuis" foi ficando para trás. Fiquei um tempão com esse roteiro guardado e quando chegou a hora de rodar o filme, eu decidi mudar a história. O roteiro tinha um problema prático porque originalmente a história se passava em Cuba, Bolívia e Argentina. Falava-se um pouco da trajetória dos personagens, que eram contadas em flashbacks. Como o orçamento era pequeno, tivemos de eliminar esse formato do roteiro. Foi aí que inventamos a trajetória do Marshall em busca de redenção no Nordeste.

No filme, o espectador não sabe muito sobre a vida da Bia. Algumas coisas ficam subentendidas numa cena do avô falando dela. Como você criou essa personagem? Você inventou um passado para ela?
CRISTINA - Esse passado, eu e o José que criamos. Essa forma de não revelar totalmente o passado da Bia foi muito bacana. Fizemos uma sessão do filme num subúrbio do Rio de Janeiro e as pessoas ficaram muito curiosas em saber qual era o passado dessa personagem. Por que o avô pregava tanto a Bíblia e ela foi embora? Qual era a real relação dela com avô? É legal que as pessoas percebam o que poderia ter acontecido. Nós inventamos um passado para os personagens para eles ficarem mais consistentes, quando estiver mostrando o presente deles.

Como foi o trabalho para você José, que é um veterano no cinema em trabalhar com uma atriz estreante?
JOFFILY -
Fizemos vários testes antes de escolher a Cristina. No teste achei que ela tinha recursos suficientes para viver muito bem a personagem. Ela ainda tinha uma vantagem de ser desconhecida do público. Isso deu uma credibilidade importante. Trabalhar com a Cristina foi uma ótima surpresa e espero repetir a experiência.
CRISTINA - Como o José é mais experiente, ele dava informações muito precisas para mim. Isso foi muito importante para chegar onde queríamos. Essa relação com o David também ajudou muito minha personagem a crescer.
JOFFILY - Quando a Cristina e o David se conheceram no Recife, na verdade foi o momento mais tenso porque o filme dependia muito da química entre os dois. O entendimento entre eles resultaria num filme interessante ou não. Isso era vital. Com a Cristina ele teria um relacionamento intenso e teria uma curva dramática grande, uma relação sinuosa. Fiquei muito tenso e insone por uns três dias (risos).
CRISTINA - Eu confesso que também fiquei (risos).
JOFFILY - Mas nunca se pode mostrar o temor, tem de mostrar segurança absoluta.
CRISITNA - Pensei que o medo era só meu.
JOFFILY - Até essa entrevista ela jamais saberia que eu tinha ficado em pânico. Naquele encontro, eu temi que talvez os dois não se dariam muito bem (risos).
CRISITNA - Eu me lembro até hoje, corremos para o hotel encontrar com o David. Ele saiu do elevador e deu de cara comigo. Eu lembro que o José sugeriu de eu e o David irmos jantar sozinhos. Eu não falava quase nada de inglês e ele não falava português. Mas foi muito legal. A relação dos personagens ficou muito parecida com a nossa, porque eu tinha que traduzir algumas coisas para ele, mesmo que fosse com mímica. Então a relação já foi se estabelecendo a partir daquele momento.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

HERÓI MEXICANO

Robert Rodriguez faz de “Machete”, uma divertida homenagem aos filmes B de ação dos anos 70

No projeto “Grindhouse”, Robert Rodriguez e Quentin Tarantino fizeram um pacote dois em um com os filmes “Planeta Terror” e “À Prova de Morte”, que faz uma homenagem aos filmes B, dos anos 70. Os filmes são acompanhados de quatro trailers falsos, bem divertidos por sinal. Um deles, “Machete”, fez um sucesso tão grande com o público, que Rodriguez decidiu tornar a lenda verdadeira e lançar o longa “Machete”.

O filme é um ótimo entretenimento barato, assim como os filmes B de décadas atrás. O ex-agente federal mexicano Machete (Danny Trejo), está em busca de vingança pela morte da mulher e da filha. O nome Machete vem do facão modelo Machete que o cara utiliza como arma. Ele é um homem de poucas palavras e cheio de atitude, atitudes essas certeiras, assim como a lâmina do seu facão.

A jornada solitária do herói se passa na fronteira entre Estados Unidos e México, onde a guerra entre as autoridades e os imigrantes é feia. O senador texano John McLaughlin (Robert De Niro) se concentra na campanha contra os imigrantes ilegais que ele denomina como parasitas.

“Machete” mostra claramente o quanto Rodriguez se divertiu realizando esse trabalho. Ele consegue fazer um bom filme B de ação, utilizando todos os recursos do gênero. O longa é tosco, tem diálogos engraçadíssimos, mulheres bonitas e más e vilões caricatos com direito a presença ilustre de ninguém menos que Steven Segal. Todos temem o herói, mas não as mulheres, que ele conquista facilmente, incluindo a filha problema de um todo poderoso, vivida por uma expert no assunto, Lindsay Lohan.

A violência sanguinolenta da produção é de deixar até Tarantino com inveja. As cenas de ação são incrivelmente absurdas. Uma das mais surreais faz Machete usar o intestino de um cara como corda para pular de uma janela. É em cenas inacreditáveis como esta que está a graça de “Machete”. Ele não se leva a sério em nenhum momento e para curtir o filme basta relaxar e rir muito com a tosqueira de Machete à la Rodriguez.


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

JÁ ADICIONOU ALGUÉM HOJE?

“A Rede Social” revela como surgiu uma das comunidades mais badaladas da internet, o Facebook

Na prestigiada universidade Harvard, os irmãos gêmeos, Cameron e Tyler Winklevoss procuram Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin para arquitetarem um site de relacionamento com tudo sobre a vida universitária dos alunos. Mark, mestre da computação não segue a ideia dos gêmeos e traça um plano dele e cria o Facemash. Esse é o estopim de uma guerra para definir quem é o verdadeiro criador do que se tornaria o Facebook no filme “A Rede Social”.

O site se torna um sucesso instantâneo e ultrapassa a fronteira de Harvard, chegando a outras universidades e então ganha o mundo. De nerd desconhecido a estrela do mundo cibernético, Mark se torna bilionário aos 23 anos.

O filme conta a história da criação do site de relacionamento a partir das diversas sessões no tribunal em que Mark precisa prestar satisfações após ser processado por seu melhor amigo, Eduardo e pelos gêmeos Winklevoss. Flashbacks ajudam a contar essa jornada repleta de traições, jogos de interesse e amizades desfeitas, regada por muito sexo, drogas e festas.

É interessante a forma como o diretor David Fincher utiliza a funcionalidade da internet, onde tudo é muito rápido, como linguagem para construir a história de “A Rede Social”. Os personagens falam com a mesma rapidez e objetividade como se digita num teclado de computador, a trilha tecno e a explosividade dos personagens dão o ritmo acelerado do filme. O elenco marcado por nomes em ascensão é uma das peças-chave para a construção de uma história sólida. Andrew Garfield, o novo Homem-Aranha, na pele de Eduardo, mostra mais uma vez a que veio. Jesse Eisenberg brilha como Mark, um jovem lacônico, insensível, que cria uma forma das pessoas se comunicarem, mas ele mesmo só afasta as pessoas de si.






EXPERIMENTANDO GODARD

Cineasta da Nouvelle Vague retorna com "Film Socialisme"

Hoje Jean-Luc Godard completa 80 anos em plena forma cinematográfica com a estreia de "Film Socialisme" no Brasil. O diretor francês foi um dos idealizadores do movimento Nouvelle Vague, criado em 1959, que pregava a rejeição ao cinema de estúdio, em especial o americano e as regras narrativas do cinema clássico, tendo no conteúdo dos filmes, os problemas existenciais.

Com uma carreira marcada pelas produções "Acossado" (1960), "Uma Mulher É Uma Mulher" (1961) e "Alphaville" (1965), Godard ficou conhecido por usar uma linguagem cinematográfica específica, tendo como principal característica, a montagem com uso de cortes secos, expressivos e descontínuos para mostrar ao espectador que ele está vendo um filme.

Nos anos 2000, o cineasta se dedicou a realizar documentários e curta-metragens. No terreno dos longas, fez Elogio ao Amor, Nossa Música e agora Film Socialisme. Neste, Godard faz uma montagem de cenas descontruídas e diálogos desconexos num filme imprimido por ruídos, silêncio, fotos, cenas, letreiros e um humor sutil. Dividido em três partes, "Film Socialisme" trata de política, linguagem e mitos. O longa propõe um exercício godardiano àqueles acostumados a histórias com começo, meio e fim e faz o público enxergar o cinema como experimento.

sábado, 27 de novembro de 2010

SAGA BRASILEIRA


Sandi Adamiu, diretor da distribuidora de "A Saga Crepúsculo" revela detalhes das filmagens de "Amanhecer - Parte 1" no Rio de Janeiro

Fãs aos gritos, ruas interditadas, forte esquema de segurança... No início deste mês, o Rio de Janeiro ficou assim por cinco dias em função da barulhenta passagem dos astros Robert Pattinson e Kristen Stewart pelo país. Os dois vieram para realizar parte das filmagens de "Amanhecer - Parte 1", quarto capítulo da Saga Crepúsculo, que estreia dia 18 de novembro de 2011.

Quem acompanhou as filmagens de perto foi Sandi Adamiu, diretor da Paris Filmes, distribuidora dos filmes da "Saga" no Brasil. Na entrevista a seguir ele fala como foram as negociações para fazer do Brasil, cenário para a produção e os bastidores das filmagens. Ele ainda revela que o clima no set foi de puro romance entre os protagonistas da "Saga".

Em entrevista ao site "Pipoca Moderna", Sérgio Sá Leitão, presidente da RioFilme disse que as negociações para as filmagens de "Amanhecer - Parte 1" no Brasil surgiram no American Film Market de 2009. Foi lá que tudo começou?
Na verdade isso começou um pouco antes quando o Leonardo Monteiro de Barros, da Conspiração Filmes me ligou e disse que no quarto livro da série, Amanhecer, a lua de mel dos personagens [Edward e Bella] se passava no Brasil. Assim eu entrei em contato com a Summit Entertainment [produtora e distribuidora dos filmes da Saga nos Estados Unidos], que é a nossa parceira para tentar fazer a filmagem aqui. O Sérgio Sá Leitão e o Steve Solot [presidente do Rio Film Commission] se prontificaram e trabalharam em conjunto de uma forma muito bacana, no qual eu ofertei uma série de vantagens para se filmar no Rio de Janeiro, que seria ajuda de infra-estrutura e logística. No American Film Market tivemos um almoço com os produtores da Summit, Steve, Sérgio e o cônsul do Brasil em Los Angeles. A conversa começou ali e se desenvolveu muito bem.

Leitão também disse que o fator decisivo para as filmagens acontecerem no Brasil foi em função do Rio Film Commission.
O Rio Film Commission ainda não existia, mas como o Steve conhece muito o negócio, ele acabou fazendo o Rio Film Commission nascer. Steve nos apoiou desde o começo. Ele ajudou mostrando que existe o Rio Film Commission e que há estrutura de um Film Commission, como tem no mundo todo, que auxilia a produção de filmes. Isso é desde a contratação de figurantes até fechar o bairro da Lapa, que é o que foi feito no caso de Amanhecer, junto com a prefeitura e o RioFilme.

Qual foi o papel da Paris Filmes na negociação?
O nosso papel foi apoiar e dar suporte para a Summit fazendo essa ponte entre eles e o RioFilme e o Rio Film Commission. Todos os filmes da Summit são distribuídos no Brasil por nós. Somos amigos, o Patrick Wachsberger, presidente da empresa já esteve aqui há um ano e meio quando já tínhamos essa vontade de trazer as filmagens para o Brasil. Mostrei todas as ideias e ele realmente gostou e nos defendeu no estúdio e isso fez a diferença também. Para nós foi um ótimo marketing.

Os produtores do filme vieram ao Brasil para conhecer as locações, não é mesmo?
Ao todo eles fizeram três viagens ao Brasil para conhecer tudo. O diretor de fotografia [Guilhermo Navarro] veio também. Eles filtraram e escolheram quais seriam as locações mais interessantes. Foi o chamado location scouting.

A negociação de locações para a filmagem levou quanto tempo?
Foi entre 1 ano e meio a dois anos.

Quanto foi gasto para as filmagens de "Amanhecer" no Rio de Janeiro?
O orçamento foi de US$ 3,5 milhões.

"Amanhecer" teve quantos dias de filmagem?
No Rio de Janeiro foi um dia de filmagem. As locações foram a Marina da Glória e o bairro da Lapa. Na Lapa foi muito legal. Tinha mais de 350 figurantes. Foi fechado três quarteirões. A filmagem começou à noite e foi até às 5 da manhã. O povo carioca estava feliz da vida. Os figurantes dançavam, se divertiam... Então o filme vai passar o clima de alegria da Lapa. Em Paraty foram quatro dias de filmagens. Na história do filme, o Edward ganha da mãe a Ilha Esme. Eles estão de passagem pelo Rio de Janeiro e vão para essa ilha. A locação para a Ilha Esme foi Paraty. Na verdade a casa da locação é de um amigo meu. Ele abriu uma exceção e alugou a casa para a filmagem. Também foi alugada uma casa próxima à cinco minutos de barco da locação, para os atores ficarem hospedados. Lá tinha piscina, uma cozinha legal e eles comeram muita comida brasileira.
Você esteve nas locações do filme. Quais foram as suas impressões?
O set era impressionante. Foi uma experiência única! A equipe é muito profissional. Os atores fizeram as cenas quantas vezes fossem necessárias. Eu fiquei impressionado em ver a forma como a equipe trabalhava.

Você chegou a conversar com os astros do filme, Robert Pattinson e Kristen Stewart?
Os atores estavam muito restritos. Eles só cumprimentavam. Robert e Kristen estavam num clima romântico total. Eles ficaram hospedados no mesmo quarto no Rio e em Paraty ficaram na mesma casa. Para o filme isso é impagável. Eles estão em lua de mel de verdade no Brasil e também fazem uma lua de mel no filme (risos).

No fim, tudo deu certo nas filmagens?
Sim, ficamos muito felizes, depois de dois anos de trabalho em conjunto com a Total Filmes, RioFilme e o Rio Film Commission. Nosso único problema foi O Impostor [quadro do programa humorístico "Pânico na TV"] que fez um antimarketing e criou um problema para nós. Nós fizemos um marketing positivo para o Rio de Janeiro, mas a atitude do "Pânico" gerou um antimarketing muito maior. O Impostor entrou na casa, fez imagens e o que nós percebemos é que ele não invadiu o set, pois isso era impossível. Ele comprou alguém de dentro que filmou tudo e vendeu a imagem para o Impostor. Eu achei feio ele corromper uma pessoa e ainda invadir um espaço reservado.

Em 2009, Kristen Stewart e Taylor Lautner vieram à São Paulo promover "A Saga Crepúsculo: Lua Nova". Foi uma visita rápida. Há chance do elenco vir ao Brasil para lançar "Amanhecer - Parte 1"?
É uma possibilidade, pois os atores gostaram do Rio de Janeiro. Eles curtiram Paraty, entraram no mar... Robert e Kristen até comentaram que fazia mais de um ou dois anos que eles não tinham aquele tipo de privacidade, de ficar em paz em um lugar. Lá eles estavam realmente isolados e tiveram tranquilidade. Eles precisam querer vir e o estúdio precisa organizar uma turnê internacional. O Brasil tem que ser um dos destinos com certeza. Mas os fãs da Saga Crepúsculo são fanáticos. Os atores têm medo de sair na rua. Eles são jovens, conheceram o sucesso muito cedo e estão assustados. No Rio de Janeiro eles só saíam para filmar e o restante do tempo ficavam no quarto. Diferente do Vin Diesel que estava no mesmo hotel, fazendo festa na piscina todo dia (risos).

Em função do forte assédio dos fãs ficaria mais difícil organizar uma pré-estreia com direito a tapete vermelho para os fãs terem a chance de conhecerem os atores de perto?
Eu acho difícil isso acontecer. O fã da "Saga" é adolescente e adolescente apaixonado é um problema duplo (risos). As fãs gritam, querem encostar no ator, é uma loucura mesmo. Na porta do hotel, elas gritavam, corriam atrás do carro... O fã da "Saga" é doente e isso assusta mais.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

ROMANCE, MÚSICA E CIGARROS



Depois do sucesso de "Durval Discos", Anna Muylaert retorna com "É Proibido Fumar". A comédia traz Gloria Pires e Paulo Miklos. Ela é a professora de violão Baby e ele o músico Max. Vizinhos, eles se apaixonam. O único problema é o vício dela pelo cigarro. Anna conversou com NO MUNDO DO CINEMA sobre o filme já a venda. Confira!

Você tem uma vasta experiência como roteirista. Em relação a direção, muda muito a forma de você trabalhar?

Existem mil maneiras de escrever. Tem o escrever para mim mesma e o escrever para os outros. Para mim, escrever e dirigir são um processo único. Meus filmes são muito pessoais... Quando eu escrevo para os outros eu tento me colocar no lugar do outro, o que ele quer, o que gosta e realizar aquilo tecnicamente com coração. Entre roteiro e direção o que muda é que o roteiro é papel, é ideia, uma partitura. Direção é como se fosse uma orquestra. É preciso lidar com várias pessoas e absorver o talento de todas.

De onde veio a inspiração para o triângulo amoroso de "É Proibido Fumar"?
A ideia veio do próprio "Durval Discos", de se trabalhar em algo fechado. De repente me veio a ideia de haver um vizinho na história e depois ter um paralelo entre a dependência afetiva que o Max tem da ex-mulher e a dependência química da Baby. Fiz um paralelo entre o amor e as drogas. Na verdade, essa história demorou alguns anos para ser feita. Eu tinha algumas opções para o rumo da história. O final foi super difícil de ser pensado. O roteiro demorou uns cinco anos para ficar pronto.

"Durval Discos" e "É Proibido Fumar" têm uma trilha sonora como personagem. Fale um pouco sobre a musicalidade presente em seus filmes.
Esses dois filmes são irmãos. O "Durval" eu fiz numa loja de música, que trouxe naturalmente uma discografia com um estilo musical que eu gosto. Em "É Proibido Fumar" a Baby é uma professora de violão. A música de novo veio da própria história do filme. As histórias inspiram e pedem a música. Em "Durval", a trilha representava a loja. Aqui no "Proibido Fumar", o Heitor Villa-Lobos representa a feminilidade e o swing e o ritmo do Jorge Ben Jor representa a masculinidade. O filme é o confronto dessas duas musicalidades.

Quais os extras do DVD de É Proibido Fumar? Tem algo que você destaca?
Tem o making of e cenas deletadas, que são todas cenas que eu amo (risos). Acabamos optando por um ritmo bem pop para o filme. Tem uma cena muito boa da Baby na igreja com as três irmãs, e ela tinha um ataque de tosse... Todas as cenas são realmente lindas.
Agora você está preparando o filme "Que Horas Ela Volta?". Como está o andamento deste projeto?
Ele está bem no começo. O filme já tem roteiro e eu convidei a Regina Case para o papel principal. A história é sobre uma empregada doméstica e a filha. Ela topou. Tivemos algumas reuniões e estamos esperando o resultado de editais. Ainda não existe captação.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

PEDE PRA FICAR!

"Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro" arrasa a bilheteria nacional há sete semanas

Os cinemas do Brasil foram invadidos há sete semanas por "Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro". O resultado tem sido devastador para a concorrência e faz do agora Coronel Nascimento, vivido por Wagner Moura, um herói nacional. Até agora, dez milhões de pessoas foram conferir "Tropa" rendendo mais de R$ 90 milhões no caixa.

Nos três primeiros dias de exibição, o filme já havia faturado R$ 14 milhões, valor que nenhuma produção do cinema de retomada havia conquistado. Além da maior estreia desde a retomada, é também a maior abertura de 2010 em renda e público.

"Tropa" se tornou a quarta maior abertura em público em dez anos, deixando para trás "A Era do Gelo 3" e "Homem Aranha". Os recordes não param por aí. Esta semana "Tropa de Elite 2" chegou ao número de dez milhões de espectadores. Em breve ele deve se tornar o filme brasileiro mais visto da história do cinema nacional. O campeão ainda é Dona Flor e seus Dois Maridos (1975) com 10,7 de espectadores. O excelente resultado na bilheteria, pode fazer com que em breve "Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro" chegue aos R$ 100 milhões em faturamento elevando a produção ao posto de blockbuster.

NO MUNDO DO CINEMA conversou com Manoel Rangel, diretor-presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), que comentou sobre a fantástica performance do filme. “O momento que o cinema brasileiro está vivendo é maravilhoso. Aí se destaca o talento da equipe de 'Tropa de Elite 2'. Há um vivo interesse da sociedade brasileira pelo cinema e pela forma como esse filme dialoga com diversos aspectos da realidade brasileira de uma forma muito bem feita. Esse é um momento excepcional em que os filmes mobilizam a sociedade para assistir aos filmes brasileiros".

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

ENGATADO NA PRIMEIRA

George Clooney é um assassino no noir marcha lenta "Um Homem Misterioso "

O galã George Clooney é um homem mil e uma utilidades. Ele é ator, diretor, produtor, roteirista, astro, oscarizado, ativista social. A credibilidade que tem na indústria de Hollywood o permite escolher os projetos que quer fazer sem ter de ouvir a opinião de agentes e produtores de estúdio que empurram blockbusters aos seus astros. Clooney gosta de experimentar e esse é o caso do noir contemporâneo “Um Homem Misterioso”.

Clooney é um assassino que atende pelos nomes Jack e Edward. Ele se esconde numa cidadezinha na Itália para realizar um último trabalho e assim quem sabe conseguir a tão ansiada aposentadoria. O filme segue a estrutura do noir tendo como fio condutor, claro a violência. O assassino é o herói da história. Ele é perseguido por outros assassinos e não pode confiar em ninguém. No seu caminho aparecem algumas femme fatales ambíguas e a sensação é que o pior está por vir.

O filme é charmoso. A trama e a ambientação na cidade com cara de abandonada, com ruas sinuosas e escuras são os ingredientes perfeitos para um suspense noir. Mas nas mãos de Anton Corbijn – diretor de videoclipes e do longa musical “Control”, a receita desanda. O filme acompanha sem pressa a rotina deste assassino, que por sinal é bem enfadonha. Entre um assassinato e outro, o herói faz algumas flexões, bate papo com o padre da cidade, vai a uma cafeteria e se encontra com uma prostituta.Os diálogos são poucos, o silêncio prevalece. “Um Homem Misterioso” é insosso, cheio de trivialidades e sem clímax. Na marcha lenta ele não chega a lugar algum.


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A HISTÓRIA DE UM HERÓI

Ayrton Senna, ídolo das pistas de Fórmula 1 ressurge no emocionante documentário "Senna"

Um herói luta para ultrapassar obstáculos e enfrenta vilões de frente em nome de um sonho. Uma história com esse enredo daria um filme, certo? Pois é essa história e bem real que ganha as telas no documentário inglês "Senna". O herói da história é o piloto Ayrton Senna, os obstáculos e vilões são os adversários nas pistas de corrida, problemas técnicos do seu carro e a politicagem do duro sistema da Fórmula 1. O sonho dele é ser um campeão.

Essa história de luta, derrotas, determinação e conquistas, muito brasileiros conhecem e acompanharam quinzenalmente aos domingos pelas transmissões das corridas de Fórmula 1. O final dessa história todos sabem que não foi feliz e que poderia ser esquecida, mas a jornada dele essa sim vale a pena ser lembrada. É assim que o documentário conta a incrível história de Senna desde a o começo de carreira no kart até a derradeira corrida no Grande Prêmio de San Marino, na curva Tamburello.

Durante entrevista coletiva para divulgar o filme, Viviane Senna, irmã do piloto e presidente do Instituto Ayrton Senna ficou emocionada ao falar do documentário. “É difícil falar, já vi o filme três vezes e ele é sempre muito emocionante. Ele trouxe um pouco do que o Ayrton era não só dentro das pistas, mas também fora, mostrando todo o lado político e o sistema da Fórmula 1, o lado negro que ele enfrentou durante toda a carreira. Esse foi o principal embate e o Ayrton pagou caro por isso, mas enfrentou não abrindo mão dos valores. Ele lutou muito para correr”.

Para a realização do documentário, a equipe passou alguns anos analisando mais de cincos mil horas de gravações. “Foi um processo longo e difícil. Ninguém teve acesso a muitas sequências que estão do filme. Tivemos sorte por termos tempo para fazê-lo. Não queríamos usar somente cenas que todos já haviam visto na TV, queríamos mostrar o ponto de vista do Ayrton”, explica o diretor Asif Kapadia.

O documentário conta a história de Senna por meio de colagem de cenas e declarações em voz over da irmã dele, Viviane, do jornalista Reginaldo Leme, do dono da equipe Williams, Frank Williams, e outras pessoas que tiveram contato com o piloto. Há também diversas entrevistas de Senna falando da luta contra o sistema da F1, com o piloto Alain Prost e sua paixão por velocidade. O grande atrativo do filme são os momentos inéditos de reuniões de pilotos que rendiam muito bate-boca e imagens caseiras dele com a família. O piloto morreu há 16 anos e depois de todo esse tempo ao ver o documentário nota-se como ele faz falta nas manhãs de domingo.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

DIVERSIDADE CINEMATOGRÁFICA

São Paulo vive e respira cinema por duas semanas na 34° Mostra Internacional de Cinema. Filmes de todo o mundo em um só lugar

Se tem uma data que os cinéfilos, em especial os moradores da cidade de São Paulo reservam no calendário, é a da Mostra Internacional de Cinema. Este ano, a 34° edição aconteceu entre 22 de outubro e quatro de novembro com uma seleção de quase 500 filmes de todos os cantos do mundo. A Mostra dá chance ao público conhecer uma diversidade de culturas e nacionalidades.

Sessões, debates e exposições marcaram a programação da Mostra. “Esse ano eu me senti muito vencedora em trazer os desenhos do Akira Kurosawa. Ele sempre foi um dos meus cineastas prediletos. Comemoramos o centenário do Kurosawa em grande estilo com a exposição de 80 storyboards, o lançamento do livro da assistente dele, Teruyo Nogami. Além disso, a Mostra teve a ousadia de fazer uma exibição de 'Metrópolis' no Parque do Ibirapuera com os músicos da Jazz Sinfônica. Isso tudo me deixa feliz, é uma vitória”, contou Renata de Almeida, co-diretora da Mostra.

VARIEDADE
Só na Mostra é possível ver salas de cinema tão cheias, que havia o chamado ingresso para sentar no chão. Isso mesmo! As pessoas pagavam para ver um filme, mesmo que isso significasse sentar no chão. Foi assim nas concorridas sessões de "Um Lugar Qualquer", "Cópia Fiel", "Film Socialisme" e "Vips".

Muita gente correu para ver em primeira mão, produções que logo estreariam no circuito nacional, caso de "Minhas Mães e Meu Pai", "Atração Perigosa", "Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos" e "Machete". Outros tiveram a rara oportunidade de ver filmes que nem devem chegar ao Brasil, como o desafiador "Dharma Guns", o solitário e perverso "Ano Bissexto" ou o polêmico "O Silêncio". A Mostra também exercitou a paciência das pessoas dispostas a passarem mais de duas horas numa sala nas longas sessões de "Mistérios de Lisboa" e seus 272 minutos de duração e "Carlos" e seus incríveis 330 minutos.

A Mostra dura apenas duas semanas e o tempo é pouco para conferir tantas produções. Mas não importa a quantidade de filmes a que se assistiu, mas a qualidade do que se conseguiu ver após correria de uma sala para outra e as longas filas. O que interessa é o espectador se aventurar com diretores consagrados, histórias desconhecidas ou produções badaladas, no qual a Mostra é uma Torre de Babel no qual todos se entendem no escuro do cinema.

PROGRAMA MUDO

Mostra realiza exibição histórica de "Metrópolis"

O Parque do Ibirapuera, lugar de práticas esportivas e passeio se transformou num cinema a céu aberto para a exibição do filme mudo "Metrópolis" (1927). Mais de dez mil pessoas se sentaram no gramado em frente à parede do Auditório do Ibirapuera para conferir a impressionante versão restaurada com 25 minutos de cenas inéditas. Esta foi a segunda exibição na nova versão de "Metrópolis". A primeira foi em fevereiro no Festival de Berlim.O clássico do expressionismo alemão dirigido por Fritz Lang teve acompanhamento da orquestra Jazz Sinfônica, que executou ao vivo a trilha sonora original do filme.

REVELANDO O EXTERIOR


Wm Wenders apresenta série de fotos inéditas em exposição

O cineasta Wim Wenders participou da 34° Mostra para apresentar a exposição “Lugares, Estranhos e Quietos”, composta por 23 fotos inéditas tiradas entre 1983 e 2010 em Berlim, Sicília, Palermo, Tóquio, São Paulo, Salvador e em outras cidades. “Como cineasta eu tenho o privilégio de viajar para vários lugares e alguns locais são impressionantes e ninguém se interessa em vê-los em fotos”, declarou Wenders. As fotos da exposição foram parar em um livro editado pela Imprensa Oficial.

Uma das fotos do cineasta-fotógrafo foi utilizada para estampar o pôster oficial da Mostra, tirada na cidade de Alice Springs, Austrália. “Eu estive lá nos anos 70 e toda noite eu ia neste local assistir a filmes. Depois nos anos 80 eu retornei ao local e vi que não existia mais sessões de cinema, somente a tela. Eu gosto da imagem da tela abandonada, ela evoca a ideia de cinema, por isso eu tirei a foto”. A exposição fica em cartaz até o dia 16 de janeiro de 2011 no Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o valor do ingresso é R$15 e às terças-feiras a entrada é gratuita.

A programação da Mostra ainda contou com a exibição de quatro filmes de Wenders: "Asas do Desejo"; "Paris, Texas"; "O Filme de Nick" e uma versão definitiva de "Até o Fim do Mundo", com 280 minutos de duração. O último trabalho de Wenders, "Pina", estreia no ano que vem e é um documentário sobre a bailarina e coreógrafa Pina Bausch, realizado todo em 3D. O diretor falou que só no ano passado foi possível filmar pessoas em três dimensões de forma satisfatória. “Começamos filmando com duas câmeras, que eram pesadas e desajeitadas e terminamos usando câmeras portáteis, por isso espero que mais documentários utilizem essa tecnologia”.

PINTURAS CINEMATOGRÁFICAS

Exposição de storyboards marca centenário de Akira Kurosawa

O grande homenageado da Mostra foi o cineasta japonês Akira Kurosawa, que completaria 100 anos em 23 de março deste ano. Um dos pôsteres da Mostra conta com uma ilustração dele. Para a celebração do centenário, o Instituto Tomie Ohtake realiza até o dia 26 de novembro uma exposição com 80 storyboards feitos por Kurosawa referente aos filmes "Kagemusha", "Ran", "Sonhos", "Rapsódia em Agosto", "Madadayo" e "Sob o Olhar do Mar". Além da exposição, o centenário foi lembrado com o lançamento do livro "À Espera do Tempo - Filmando com Kurosawa". Escrito pela assistente e produtora do diretor, Teruyo Nogami, ela fala da experiência no set de filmagem e a forma como o diretor trabalhava. O público da Mostra ainda teve a oportunidade de ver o longa "Rashomon", vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza.

Foto: Kurosawa Production Inc. Licensed exclusively by HoriPro Inc

A ARTE IMITA A VIDA

Wagner Moura fala do filme "Vips", sobre a história real do golpista Marcelo Rocha

Depois de faturar cinco prêmios no Festival do Rio, o filme "Vips" foi visto na Mostra, produção essa que só estreia no circuito nacional em março do ano que vem. Wagner Moura interpreta o golpista Marcelo Rocha, que usou várias identidades falsas em nome do sonho de ser piloto. Ele finge ser o empresário Henrique Constantino, herdeiro da companhia aérea Gol e acaba descoberto.

O ator Wagner Moura participou de um bate-papo com o público sobre o filme. Para ele, apesar de "Vips" ser baseado numa história real, ele não teve interesse em saber sobre o verdadeiro Marcelo. “Fiz uma opção estética em não me identificar com esse modelo dele. Ele me pareceu muito raso. Eu não queria ir pelo caminho do cara que aplica golpes para ganhar dinheiro, mas fazer um personagem se buscando. Isso me pareceu mais interessante”. Na programação da Mostra também foi exibido um documentário sobre Marcelo Rocha, intitulado "Histórias Reais de um Mentiroso", de Mariana Caltabiano.

TRAVESSIA MUITO LOUCA

Robert Downey Jr. e Zach Galifianakis embarcam numa jornada com muitos risos em “Um Parto de Viagem”

O arquiteto Peter Highman (Robert Downey Jr.) precisa fazer uma viagem de Atlanta até Los Angeles para chegar a tempo de ver o nascimento do primeiro filho. Ele decide ir de avião para claro, chegar mais rápido. No seu caminho aparece o aspirante a ator Ethan Tremblay (Zach Galifianakis) e por causa de um mal entendido os dois vão parar na temida lista de Proibidos de Voar.

Sem documentos, dinheiro e desesperado, Peter acaba aceitando o convite de Ethan em viajar de carro com ele. Logo, o arquiteto se arrepende, pois Ethan é uma matraca, irritante e atrapalhado. Ele testa a paciência de Peter, que precisa aturar o companheiro por alguns dias, caso contrário ele não verá o nascimento do filho.

Entre discussões, mal entendidos e acidentes de percurso, Peter e Ethan muito bem encarnados por Downey Jr. e Galifianakis fazem de “Um Parto de Viagem”, um filme impagável com ótimas tiradas. O filme é dirigido por Todd Phillips, especialista em realizar comédias que fazem de homens adultos, completos idiotas passando por situações vexaminosas, vide “Se Beber, Não Case!” e “Dias Incríveis”.


terça-feira, 2 de novembro de 2010

HONRARIA NO OSCAR















Francis Ford Coppola e Jean-Luc Godard ganham prêmio em reconhecimento a carreira

Em todas as edições do Oscar são concedidos prêmios especiais a grandes nomes do cinema em reconhecimento ao trabalho na tela. Antes esses prêmios eram dados na própria cerimônia do Oscar. Mas desde o ano passado, o critério mudou e passou a ser entregue na festa Governors Awards. A edição 2010 se realizará no dia 14 homenageando os diretores Francis Ford Coppola e Jean-Luc Godard, o ator Eli Wallach e o diretor de fotografia Kevin Brownlow.

Com cinco Oscar na carreira, Coppola, diretor da trilogia "O Poderoso Chefão", vai ganhar o Irving G. Thalberg Memorial Award pelo conjunto da obra. O prêmio é em reconhecimento ao trabalho criativo e de alta qualidade cinematográfica. Diretor participante do movimento Nouvelle Vague, Godard que nunca foi indicado a um prêmio da Academia, receberá um Oscar Honorário, assim como Wallach e Brownlow.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

RETRATO BRASILEIRO













Diretor Guel Arraes indica produção nacional "Cidade de Deus"

O Eu Recomendo desta edição é cortesia do diretor recifense Guel Arraes. Seu trabalho mais conhecido está na TV com programas marcantes como "Armação Ilimitada", "TV Pirata", "Os Normais" e "A Grande Família". Com um cinema marcado pela cultura nordestina, Arraes realizou "O Auto da Compadecida", "Caramuru - A Invenção do Brasil' e "Lisbela e o Prisioneiro". Seu último trabalho foi "O Bem Amado".
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Eu recomendo 'Cidade de Deus' que é um dos filmes brasileiros de que mais gosto e um dos mais importantes. Ele mistura de maneira exemplar: entretenimento e arte. O filme abriu um assunto novo no cinema brasileiro, que depois ficou chamado de filme-favela. Ele retrata o que era a periferia brasileira, hoje em dia praticamente está no centro do Brasil. A periferia está se tornando cada vez mais importante, com a ascensão da classe C. Cidade de Deus foi meio que um filme premonitório no seu tema. Antigamente esse tipo de longa era chamado de filme-cabeça, militante. Cidade de Deus teve a ousadia de passar um recado social e entreter ao mesmo tempo, além de ser um filme muito bem acabado e artisticamente importante.
Guel Arraes
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“Na Cidade de Deus, se ficar o bicho pega e se ficar o bicho come”. É assim que o jovem Buscapé designa a comunidade surgida nos anos 60 e retratada no filme "Cidade de Deus", dirigido por Fernando Meirelles e co-dirigido por Kátia Lund. A produção mostra como dois meninos, Buscapé e Dadinho vão traçar as suas vidas no cotidiano marginal na favela Cidade de Deus. Dadinho, mais tarde conhecido como Zé Pequeno se rende ao crime. Já Buscapé aproveita a paixão pela fotografia para trabalhar em um jornal colocando em foco a violência que o cerca na favela.

Meirelles utiliza cortes de tela, edição acelerada, flashbacks e trilha envolvente, escancarando a violência de forma estilizada para contar a história de pessoas que vivem na Cidade de Deus. Um lugar como Buscapé fala: “Fica muito longe do cartão postal do Rio de Janeiro”. Este é um cenário costumeiro no cinema brasileiro citado por Guel Arraes como filme-favela. A temática é explorada desde 1935 com "Favela dos Meus Amores" e hoje feita a rodo como nos recentes "Sonhos Roubados", "5X Favela, Agora por Nós Mesmos" e "Tropa de Elite 2". "Cidade de Deus" fez uma ótima carreira no Brasil e internacionalmente conquistando 55 prêmios e até chegou a ser indicado a quatro Oscar: diretor, roteiro adaptado, edição e fotografia.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

OFÍCIO DO CRIME

Ben Affleck conduz “Atração Perigosa”, um drama policial sério, explosivo e com ótimas atuações

No bairro de Charlestown, em Boston, muitas das pessoas que lá vivem se dedicam ao ofício do crime. Na verdade é dessa região que saem muitos assaltantes de carro forte e bancos. Passado de geração para geração, a vida de crimes parece ser a única saída para sobreviver. Um grupo de amigos da região é assim. Ele realiza assaltos audaciosos e faturam alto com isso em “Atração Perigosa”. Doug (Ben Affleck) é o líder do bando. Jem (Jeremy Renner) é o braço direito dele, que passou nove anos por ter salvado a pele de Doug. O laço de amizade deles é forte, mas é posto a prova quando um assalto à banco acaba não saindo como planejado.

No assalto, a gerente do banco, Claire (Rebecca Hall), é feita de refém. Logo eles descobrem que a moça mora em Charlestown e isso pode ser um problema. Jem quer logo dar um sumiço nela, mas Doug diz que vai resolver o caso. No entanto ele acaba se aproximando de Claire e os dois se apaixonam.

O filme recebeu o infeliz título “Atração Perigosa”. O original é “The Town” (abreviação de Charlestown). O nome em português sugere o perigo da mulher se envolver com o assaltante que a sequestrou, mas não, a produção é sobre a cidade de Boston, os moradores do bairro Charlestown e a inclinação de muitos deles ao mundo do crime.

Affleck retorna a cadeira de diretor no filme, o que já havia feito em “Medo da Verdade”. Desta vez ele também aparece em cena, mas sem brilho. Ele se sai bem mesmo é na direção. Ele conduz um drama policial tenso, sério, sobre amizade, amor e como tudo pode se perder a qualquer momento. As sequências de ação são eletrizantes e se alternam com os momentos de conflitos pessoais dos personagens sem nunca deixar a tensão de lado. As sequências de roubo, a cena de abertura e o momento em que Jem fica sabendo da relação de Doug e Claire explicitam a explosividade das ações.

Ele mostra mais uma vez o bom tato dirigindo os atores, extraindo o melhor de cada um. Renner e Hall arrasam, assim como John Hamm, na pele do policial do FBI que está no encalço de Doug e Blake Lively a irmã de Jem. Ela está bem diferente da patricinha que vive no seriado "Gossip Girl" como uma garota apaixonada por Doug que quer se livrar da vida que tem em Charlestown.

“Medo da Verdade” aborda a investigação do sequestro de uma menina em Boston e suas implicações aos envolvidos no caso. Assim como em “Medo da Verdade”, em “Atração Perigosa”, Affleck usa a sua cidade natal como pano de fundo e explora habilmente os dilemas morais dos personagens. “Atração Perigosa” é um filme sério, tenso e explosivo da melhor qualidade.


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A POSTOS

34° Mostra Internacional de Cinema em São Paulo é cercada de filmes e homenagens a Wim Wenders e Akira Kurosawa

Entre 22 de outubro e quatro de novembro acontece a 34° Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Os cinéfilos poderão conferir nas duas semanas, mais de 400 filmes, a serem exibidos em mais de 20 espaços espalhados pela capital paulista nas seções Perspectiva Internacional, Competição Novos Diretores, Mostra Brasil, além das retrospectivas, homenagens e edições especiais.

A edição deste ano conta com dois cartazes, assinados por Wim Wenders e Akira Kurosawa. Os dois cineastas fazem parte da programação da Mostra. Wenders vem para o montar e apresentar a exposição "Lugares, Estranhos e Quietos", com fotos inéditas tiradas por ele. A exposição fica em cartaz até o dia nove de janeiro de 2001 no Museu de Arte de São Paulo (Masp). A editora Imprensa Oficial em parceria com a Mostra lançarão um livro de fotos do diretor. Além disso, Wenders terá alguns de seus filmes exibidos na programação, como "Asas do Desejo", "Paris, Texas" e uma versão do diretor com 280 minutos de "Até o Fim do Mundo".

Em comemoração ao centenário de Kurosawa estará em cartaz até o dia 28 de novembro a exposição "Kurosawa - Criando Imagens Para Cinema", no Instituto Tomie Ohtake. A exposição conta com 80 storyboards concebidos para diversas obras do cineasta. Na programação será lançado o livro "À Espera do Tempo - Filmando com Akira Kurosawa" e ainda foi exibida uma cópia restaurada de "Rashomon".

NOVIDADE
Este ano a Mostra contou com 15 bicicletários localizados nas proximidades dos cinemas que exibiram filmes da 34° edição. A iniciativa foi do Instituto Parada Vital. A organização promove o uso de transportes não-poluentes como forma de melhorar o trânsito e o meio ambiente A Companhia de Saneamento Básico do Estado de S.Paulo (Sabesp) foi a patrocinadora dos pontos de bicicletário.

As salas da Cinemateca, Centro Cultural, Cine Olido, MIS, Masp, Faap, Matilha Cultural, Cine Sabesp, Cinesesc, Espaço Unibanco, Cine Livraria Cultura, Cine Unibanco Arteplex, Unibanco Pompéia, Belas Artes e do Reserva Cultural contaram com um bicicletário. O objetivo da ação é incentivar os cinéfilos a utilizarem um transporte sustentável para se locomoverem até aos cinemas. Confira em breve a cobertura completa da 34° Mostra Internacional de Cinema.

Algumas produções imperdíveis da 34° Mostra

Camponeses do Araguaia - A Guerrilha Vista Por Dentro (Brasil)
Mistérios de Lisboa (Portugal)
O Corintiano (Brasil)
História Cadela (França)
Doctor Chance (França/Chile)
Alicia Bustamante (França, Cuba)
Bróder (Brasil)
O Estranho Caso de Angélica (Portugal, Espanha, França, Brasil)
Um Lugar Qualquer (Estados Unidos)
Home for Christmas (Noruega)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

CIRCUNSTÂNCIAS DO DESTINO

Clichês de comédia romântica bem explorados são o trunfo de “Juntos Pelo Acaso”

Holly (Katherine Heigl) se arruma para mais um encontro. Ela fica pronta e folheia uma revista à espera do atrasadinho Eric (Josh Duhamel). A campainha toca e além do atraso, ela também se decepciona por ele estar usando boné e ter chegado numa moto. Para piorar, Eric ao celular marca uma saída com outra garota na frente de Holly. A noite é um desastre e eles logo cancelam o encontro para evitar mais dores de cabeça. Os dois continuam a se ver só porque ambos são os melhores amigos de Peter e Alison, que os nomeiam os padrinhos da filha Sophie. O amor que sentem pela afilhada é a única coisa em comum entre eles.

Após um acidente, Sophie fica órfã e Holly e Eric são nomeados para cuidar dela. Agora eles precisam por as diferenças de lado e se unirem. Isso quer dizer que o improvável casal terá de abrir mão de encontros, saída com amigos, maiores aspirações profissionais e em troca terão de fazer muitas trocas de fraldas, papinhas e inventar canções de ninar. “Juntos Pelo Acaso” se utiliza do clássico tema da comédia romântica: uma mulher e um homem que se odeiam e acabam se apaixonando para fazer um filme do gênero acima da média.

O roteiro explora muito bem a situação peixe fora d’água ao colocar dois adultos independentes criando um bebê. Eric até acredita que o que está acontecendo com eles só pode ser um experimento de psicologia. O filme alterna momentos cômicos do tipo “que diabos estou fazendo” com momentos dramáticos e ele se torna ainda mais especial pelo bom elenco. Heigl que se especializou em comédias românticas consegue se sair muito bem e melhor do que em seus filmes anteriores, como “A Verdade Nua e Crua” e “Vestida Para Casar”.

Os atores coadjuvantes são responsáveis por ótimas cenas e diálogos como os novos amigos de Holly e Eric, que são casais que já caíram na rotina, só se dedicam aos filhos e se alfinetam o tempo todo. A assistente social dá ao espectador momentos hilários ao acompanhar a jornada de Holly e Eric, que segundo ela estão fadados ao fracasso. “Juntos Pelo Acaso” mostra o quão difícil é ter a vida mudada repentinamente, mas que no final pode sim ter um final feliz!


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A VEZ DELES







"Star Wars" e "Titanic" ganham versões 3D em 2012

Este ano foi o dos filmes 3D. Com o sucesso de "Avatar", uma enxurrada de produções no formato tridimensional invadiu as salas de cinema do mundo. Em 2012 será a vez do público rever os títulos da franquia "Star Wars" e "Titanic" em 3D. George Lucas, diretor da saga "Guerra nas Estrelas" fará a conversão dos seis filmes e os lançará em ordem cronológica começando com "Star Wars: Episódio 1 - A Ameaça Fantasma", que deve estrear em fevereiro de 2012. O plano é lançar um filme por ano, até porque um bom processo de conversão de um filme em 35 mm para 3D chega a demorar um ano.

Em abril desse ano, quando James Cameron veio ao Brasil promover o lançamento dos DVD e Blu-ray de "Avatar", ele falou sobre lançar "Titanic", em 3D. “Quero fazer a conversão de 'Titanic'. Realizamos testes e é possível manter a qualidade. O 3D é um assunto que tem que ser tratado com seriedade pela indústria do cinema. Para o 3D ser uma experiência de qualidade, o estúdio tem que investir para que isso de fato aconteça e o público não se sinta enganado”. A data para a estreia já está marcada para 15 de abril de 2012, data em que se completa 100 anos do naufrágio do transatlântico Titanic.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

HORMÔNIOS EM FÚRIA

“The Runaways - Garotas do Rock” estrelado por Kristen Stewart e Dakota Fanning explora o universo de banda formada por garotas

Anos 70, década de David Bowie, Led Zeppelin, Black Sabbath, Kiss. Neste clima totalmente rock’n roll, um grupo de garotas sonha com a vida de roqueiras. Nesta época o rock é visto como algo feito por homens e que gostam de mulheres na cozinha ou de quatro. Mas as jovens Joan Jett, Cherie Currie, Jackie Fox, Lita Ford e Sandy West encaram o machismo de frente usando como arma, músicas com letras provocativas e agressivas.

”The Runaways - Garotas do Rock” conta como surgiu a primeira banda feminina de rock americana, The Runaways. Desgrenhadas, maquiagem carregada e roupas rasgadas compõem o estilo dessas garotas furiosas. Nos papéis principais os chamarizes são duas estrelas juvenis saídas de “A Saga Crepúsculo”: Kristen Stewart e Dakota Fanning, vivendo a guitarrista Joan e a vocalista Cherie, respectivamente.

O filme é baseado no livro “Neon Angel”, escrito pela própria Cherie Currie que revela a ascensão meteórica das Runaways em 1975 e o fim da banda, quatro anos depois. Com as canções “Cherry Bomb”, “You Drive Me Wild” e “Queens of Noise”, as meninas empolgaram seguidores, em especial no Japão.

A produção é da diretora de clipes, Floria Sigismondi que fez os vídeos “Little Wonder” de David Bowie e “The Beautiful People” de Marilyn Manson. O problema é que Floria não consegue transpor a experiência musical para seu primeiro longa-metragem que resulta num filme sem carga dramática. “The Runaways” cairia como uma luva para a diretora Catherine Hardwicke, que sabe bem contar histórias sobre jovens desregrados em busca de seus sonhos, como fez em “Aos 13” e já tinha trabalhado com Kristen em “Crepúsculo”.

No filme quem se destaca são Dakota como a provocante Cherie Currie e Michael Shannon como Kim Fowley, empresário da banda. Quanto à guitarrista, quem se vê na tela é Kristen e não Joan. A ferocidade de Joan dá lugar ao jeito tímido, o andar curvado, o sorriso sem graça e o olhar de drogada de Kristen. Quem sabe o diretor Walter Salles consiga transformar Kristen em uma boa atriz no ainda inédito “On the Road”.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

À PROCURA DE SI MESMA

Julia Roberts vive mulher em busca de autoconhecimento e felicidade na adaptação do livro “Comer Rezar Amar”

“Sou uma americana de trinta e poucos anos que trabalha, acaba de passar por um casamento falido e por um divórcio arrasador e interminável, imediatamente seguido por um caso de amor apaixonado que terminou com uma dolorosa ruptura. Todas essas perdas, uma atrás da outra, deixaram em mim uma sensação de tristeza e fragilidade, e a impressão de ter mais ou menos sete mil anos de idade”.

A citação acima é extraída de um best-seller que vendeu mais de quatro milhões de cópias pelo mundo, o livro “Comer Rezar Amar”. Escrito por Elisabeth Gilbert, a obra de não-ficção com cara de auto-ajuda conquistou fãs e adeptos da filosofia empregada pela autora. O livro fala da jornada dela que se explica bem no trecho que inicia este texto.

Uma obra bem sucedida nas livrarias, claro, é um pote de ouro para os estúdios hollywoodianos fazerem adaptações. As versões cinematográficas de “O Senhor dos Anéis”, “Harry Potter’ e “A Saga Crepúsculo” comprovam o sucesso da fórmula. Este ano, algumas adaptações de livros que ganharam as telas foram “Um Olhar do Paraíso”, “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”, “Educação”, “Percy Jackson e o Ladrão de Raios”, “Ilha do Medo” e “O Escritor Fantasma”.

O filme “Comer Rezar Amar” traz Julia Roberts como Elisabeth que parte em busca do autoconhecimento e da felicidade. Ela decide tirar um ano para por a vida no lugar. A jornada começa na Itália, onde ela experimenta as delícias da culinária local. Depois ela vai para a Índia e se instala num retiro espiritual para aprender a meditar e refletir sobre a vida, seus sentimentos e questionamentos. A aventura termina na Indonésia, mais especificamente em Bali, que Liz havia visitado no passado. Lá ela tenta fazer as pazes com o amor ao conhecer o brasileiro Felipe, interpretado pelo maravilhoso e espanhol Javier Bardem, que até arrisca umas frases em português.

O filme tem tudo para agradar aos leitores do livro, em especial as mulheres que vão adorar se identificar e se inspirar uma segunda vez, agora pelo filme. Já para quem não leu a obra, o filme é uma comédia dramática sem muito tempero sobre dar uma segunda chance a vida. Talvez Sarah Jessica Parker viveria Liz melhor que Julia Roberts com seu jeito travesso e apaixonado como faz sua Carrie Bradshaw em “Sex and the City”.

A história sobre jogar tudo para o alto e ir atrás da felicidade é uma ótima história para um filme com belas locações, boa comida e aventuras amorosas. Mas tudo isso resulta num longa morno, meio preguiçoso, isso vindo de um diretor criativo como Ryan Murphy, criador do irônico e ousado seriado "Nip/Tuck” e da série pop “Glee”.


SÚECIA EM DESTAQUE


Rodrigo Lombardi indica drama sueco ganhador de Oscar

O astro global Rodrigo Lombardi fez grande sucesso no ano passado ao interpretar o romântico Raj Ananda na novela "Caminho das Índias", que o fez cair nas graças do público, em especial o feminino. Atualmente Lombardi pode ser visto na novela "Passione". Ele interpreta Mauro. Apaixonado por Diana ele tem de lidar com a perseguição de Melina, que tem um amor não correspondido pelo moço e também com as adversidades na metalúrgica onde acaba de ser nomeado o presidente.

No cinema, o ator é conhecido vocalmente por sua participação na animação "A Princesa e o Sapo" no qual dubla o príncipe Naveen que se transforma em sapo. Ele pede um beijo a bela Tiana para que ele volte a ser humano. Mas eis que o beijo ao invés de pôr fim ao feitiço faz com que Tiana se transforme em sapa. Os dois vão atrás de Mama Odie, a única capaz de reverter o feitiço e fazer com que Naveen e Tiana se tornem humanos e assim quem sabe viverem felizes para sempre.
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Tem um filme que eu assisto pelo menos uma vez por mês que é Pelle - O Conquistador. O ator Max von Sydow é sensacional! Esse não é só um filme, é também um tapa na cara! Ele é muito humano, a forma como fala das relações, como tudo está escondido na cabeça daquele menino... O filme é muito bom.
Rodrigo Lombardi
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O filme sueco "Pelle - O Conquistador" narra a dura vida de Lassefar (Max von Sydow) e seu filho Pelle (Pelle Hvenegaard). Os dois saem de Tomelilla, Suécia em um barco cheio de imigrantes que juntos compartilham a esperança de uma vida melhor na Dinamarca, no final do século XIX. Na viagem Lassefar conta ao filho que a Dinamarca é um país diferente, uma terra peculiar. Lá o conhaque é mais barato que água, a manteiga no pão é farta e lá as crianças não precisam trabalhar e sim brincar o dia todo.

Ao chegarem na Dinamarca, pai e filho vão enfrentar o preconceito e as péssimas condições a que são tratados numa fazenda onde Lassefar arranja um emprego. O filme mostra o ponto de vista de Pelle frente às dificuldades e o amor incondicional de pai e filho. A produção é uma adaptação do livro "Infância", de Martin Andersen-Nexö e ganhou o Oscar de filme estrangeiro em 1988.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

EM MEMÓRIA














O astro Tony Curtis morreu no dia 29 de setembro, aos 85 anos, vítima de parada cardíaca. Com pinta de galã, a carreira dele foi marcada por comédias, dentre elas, a ótima "Quanto Mais Quente Melhor", no qual contracenou com Jack Lemmon e Marylin Monroe. A diva loira foi uma das muitas amantes de Curtis, que sempre cultivou a fama de mulherengo. Mesmo assim acabou se casando seis vezes. A primeira união foi com Janet Leigh, com quem teve a filha Jamie Lee Curtis. Ele ainda teve mais cinco filhos.

O primeiro trabalho do ator foi em "How to Smuggle a Hernia Across the Border" (1949) quando ainda se chamava Anthony Curtis. Depois vieram "O Príncipe Ladrão" (1951); "Trapézio" (1956); "A Embriaguez do Sucesso" (1957); "Acorrentados" (1958), que lhe valeu uma indicação ao Oscar e "Spartacus" (1960). O último trabalho dele foi no drama "David & Fatima" (2008).

Em 28 do setembro morreu por insuficiência cardíaca, Arthur Penn, um dia depois de ter completado 88 anos. Diretor de "O Milagre de Anne Sullivan" (1962) e "Pequeno Grande Homem" (1970), sua carreira ficou marcada mesmo por "Bonnie e Clyde" (1967). No mesmo dia a editora Sally Menke morreu de causa não divulgada, aos 56 anos. Ela foi responsável por montar na tela as ideias do diretor Quentin Tarantino. Ela foi a editora de todos os filmes do cineasta e foi indicada ao Oscar por seus trabalhos em "Pulp Fiction - Tempo de Violência" (1994) e "Bastardos Inglórios" (2009).

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

UMA NOVA MISSÃO






Tudo pronto para quarto capítulo da franquia "Missão Impossível" que traz Jeremy Renner como possível substituto de Tom Cruise

Tom Cruise chegou na semana passada em Praga para as filmagens da quarta parte de "Missão Impossível". A produção tem o título provisório de "Missão Impossível 4", já que Cruise e J.J. Abrams, produtores do filme, pensam em dar um nome diferente ao longa. O plano é dar uma reformulada na franquia. Além de Cruise como o agente Ethan Hunt, os atores Ving Rhames e Simon Pegg retornam nos papéis de Luther e Benji, que fazem parte da equipe do MI6. Paula Patton ("Preciosa - Uma História de Esperança") deve interpretar uma integrante da equipe de Hunt.

A trama do filme é segredo de estado. O que anda deixando todo mundo curioso é o papel de Jeremy Renner. Ele é o nome da vez em Hollywood após ser indicado ao Oscar de melhor ator este ano por "Guerra ao Terror". Especula-se que o ator será um agente treinado por Hunt. A ideia é que no futuro, Renner substitua Cruise como forma de dar novo fôlego e longevidade à franquia. "Missão Impossível" sem Tom Cruise? É esperar pra ver. O elenco ainda conta com Josh Holloway, Vladimir Mashkov e Michael Nyqvist. A direção do longa está a cargo de Brad Bird ("Ratatouille") e o lançamento será em 16 de dezembro de 2011.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ELES SÃO BONS





















Revista elege os atores mais rentáveis de Hollywood

O ator Shia LaBeouf foi eleito pelo segundo ano consecutivo, o astro que mais rende dinheiro em Hollywood. A pesquisa realizada pela revista econômica "Forbes" explica que para cada US$ 1 gasto pelo estúdio em cima do ator, ele dá um retorno de US$ 81 de lucro. A carreira bem sucedida nas bilheterias se deve aos dois filmes da franquia "Transformers" e a "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal". LaBeouf atualmente está em cartaz em "Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme" e no ano que vem ele estará na terceira parte de "Transformers".

A presença feminina marca presença com Anne Hathaway na segunda posição com renda de US$ 64 por dólar recebido. Isso se deve graças ao bom retorno financeiro de "Alice no País das Maravilhas" e "Noivas em Guerra". Em terceiro lugar está Daniel Radcliffe, com US$ 61 por dólar de salário, depois Robert Downey Jr., com US$ 33 e Cate Blanchett, com US$ 27. A eleição da revista se baseou em atores que tenham feito ao menos três filmes nos últimos cinco anos. A lista completa conta com 36 atores. Confira abaixo os dez atores mais lucrativos de Hollywood segundo a "Forbes".

OS MAIS RENTÁVEIS

1.Shia LaBeouf
2.Anne Hathaway
3.Daniel Radcliffe
4.Robert Downey Jr.
5.Cate Blanchett
6.Jennifer Aniston
7.Meryl Streep
8.Johnny Depp
9.Nicolas Cage
10.Sarah Jessica Parker

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

À LA VAMPIROS

Produtos com temática vampiresca fazem rios de dinheiro

Vampiro nunca esteve tão em alta como agora em Hollywood. De filmes, livros a videogames, os seres sugadores de sangue se tornaram um fenômeno econômico com um rendimento de US$ 7 bilhões. No cinema o último lançamento com a temática foi "Os Vampiros que se Mordam", paródia à "Saga Crepúsculo".

Por falar em "Crepúsculo", os três filmes da série já renderam mais de US$ 1,7 bilhão mundialmente e é o grande responsável por essa moda atual, que saiu dos livros escritos por Stephenie Meyer. Até 2012, mas dois filmes da saga vão estrear enchendo ainda mais os cofrinhos de Edward e companhia. Quanto a televisão os sucessos são a comentada série "True Blood", regada a muito sangue e sexo e "The Vampire Diaries". No Brasil filmes com a temática acabam de chegar em Blu-ray: "2019 - O Ano da Extinção" e "30 Dias de Noite 2".

FATURAMENTO AFIADO

Filmes: US$3 bilhões
Publicações: US$1.6 bilhão
Merchandising: US$600 milhões
TV e DVDs: US$1.2 bilhão
Outros: US$600 milhões

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

TEIA DE MISTÉRIOS

"Ilha do Medo" explora facetas do psicológico

O detetive Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) chega a nebulosa Ilha Boston Harbor. O local é reduto de prisioneiros psiquiátricos. A missão de Daniels é investigar o desaparecimento de uma das pacientes, Rachel Solando, presa por matar os três filhos. A Ilha é montanhosa e abriga três prédios e um farol. É impossível fugir de lá e cabe a Daniels descobrir como a mulher sumiu.

Algo de muito estranho acontece nesta ilha e nada é o que parece ser. Assim é o clima de "Ilha do Medo", disponível em DVD e Blu-ray, no qual o diretor Martin Scorsese se envereda pelo gênero do suspense. "Ilha do Medo" por ora parece um noir daqueles estrelados por Humphrey Bogart e em outros momentos, um filme de Alfred Hitchcock.

O cineasta se aproveita de closes, alternância de cenas com cortes secos e trilha sonora sinuosa para fazer o espectador imergir na teia de mistérios apresentada na ilha. DiCaprio se sai muito bem na pele de Daniels num caso que era para ser aparentemente fácil de se resolver, mas que se torna uma espiral de contradições afetando severamente o detetive.

Nos extras da produção há dois documentários: “Bastidores” e “No Farol”. A equipe revela detalhes da trama que levam o espectador a entender melhor as sutilezas e metáforas utilizadas no filme que conduzem à jornada de Daniels. Além disso, os transtornos psicológicos são abordados numa análise ao que os pacientes, ditos como seres incuráveis e subumanos, eram submetidos nos anos 50, década no qual o filme se passa. "Ilha do Medo" é um filme que vale ser assistido duas vezes para que todos os detalhes possam ser melhores apreendidos num exercício de bom cinema conduzido por Scorsese e DiCaprio.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O REI DO CINEMA

Saído do Canadá para os Estados Unidos, o diretor James Cameron tem Hollywood a seus pés

As batalhas intergalácticas de "Guerra nas Estrelas" impressionou muitas plateias quando "Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança" estreava em 1977. Um dos espectadores entusiasmados era o jovem James Francis Cameron. Este filme foi o start para ele deixar o trabalho de motorista de caminhão e seguir carreira no cinema. Assim começava o sonho americano do diretor, nascido no Canadá, James Cameron.

Já no ano seguinte ele experimentava o gostinho da arte cinematográfica com o curta-metragem "Xenogenesis", no qual foi diretor, produtor e roteirista. A história trata de um engenheiro e uma mulher que são enviados à uma nave para procurarem um lugar e recomeçarem suas vidas. Cameron teve a oportunidade de trabalhar em "Mercenário das Galáxias" (1980) com Roger Corman, considerado o rei dos filmes B. Cameron ficou responsável pela direção de arte e pelos departamentos de miniaturas e de projeções.

A primeira chance de dirigir um longa-metragem foi em "Piranhas II: Assassinas Voadoras" (1981). “Eu comecei minha carreira com o Roger Corman fazendo filmes bem baratos e era muito bom para mim, só trabalhar e receber o cheque. "Piranhas II" foi a oportunidade que eu tive de aprender a arte de dirigir. Naquela época não podia imaginar onde eu estaria hoje”, afirmou Cameron durante entrevista para o lançamento do DVD e Blu-ray de "Avatar" no Brasil.

FÓRMULA DO SUCESSO
Com fama de perfeccionista, o diretor recebeu o apelido de Iron Jim (Jim de Ferro). Tal apelido se explica pela forma sistemática e exigente dele trabalhar. Um verdadeiro comandante. "O Exterminador do Futuro" (1984), estrelado por Arnold Schwarzenegger, foi a produção que colocou o nome de James Cameron no mapa. O êxito do filme abriu as portas de Hollywood para o diretor. Jim é o tipo de cineasta que sabe exatamente o que o público gosta de ver no cinema. Todos os filmes que dirige são escritos por ele mesmo.

"O Exterminador do Futuro" começava a dar mostras de duas características que se tornaram as marcas de Cameron: a predileção pela ficção-científica e os efeitos especiais. Em seus filmes foram vistos piranhas, cyborgs, extraterrestres, seres estranhos do fundo do mar e agora os humanóides Na’vis de "Avatar".

Outro padrão nos filmes de Cameron é a presença de personagens femininas fortes, grandes heroínas que não precisam de nenhum marmanjo para ajudá-las. Que o diga a agente Ripley de "Aliens - O Resgate" (1986), que sempre consegue escapar da criatura Alien. Ou então a guerreira Sarah Connor de "O Exterminador do Futuro" que peitava cyborgs de frente.

Com Schwarzenegger, o cineasta ainda realizou "O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final" (1991) e "True Lies" (1994). Em "O Segredo do Abismo" (1989), Cameron fez uma história parecida como a de "Contatos Imediatos do 3° Grau", de Steven Spielberg, que mostra uma relação amigável entre humanos e extraterrestres, neste caso seres aquáticos.

Os mistérios aquáticos deixaram Cameron fascinado, resultando em "Titanic" (1997) e mais dois documentários sobre o fundo do mar. Em "Fantasmas do Abismo" (2003), o diretor dentro de um submarino volta ao lugar onde se inspirou para realizar "Titanic". Já em Criaturas das Produndezas (2005), Cameron e um grupo de cientistas da NASA exploram as diversas formas de vida nas profundezas do oceano.

Em 1997 a história do cinema teve um novo capítulo com "Titanic". A produção considerada a mais cara de todos os tempos naquela época se tornou a maior bilheteria mundial com um faturamento de mais de US$ 1,8 bilhão. As mais de três horas de duração do filme não impediram multidões de verem e reverem a trágica história de amor entre Jack (Leonardo DiCaprio) e Rose (Kate Winslet).

"Titanic" ganhou 11 Oscar das 14 categorias a que estava indicado. Em seu discurso de agradecimento, Cameron esbravejou a frase que o tornaria conhecido: “Eu sou o rei do mundo!”, em alusão ao que Jack grita quando está na proa do navio. Hoje "Titanic" virou sinônimo de brega, o típico filme que ninguém aguenta mais ouvir falar, nem ver e a musiquinha tema cantada por Celine Dion então...

ELE É O BOM
No terreno de longa-metragem, Cameron teve um hiato de 12 anos de ausência. Este tempo foi necessário para ele criar ferramentas tecnológicas para o filme que viria a seguir: "Avatar". Ele fundou a empresa de efeitos especiais Digital Domain e a partir de "Fantasmas do Abismo", ele ao lado de Vince Pace, que atua nos departamentos de câmera e efeitos especiais, criou um sistema de vídeo em alta definição. De 1981 pra cá, é possível notar a evolução tecnológica a cada filme de Cameron.

Segundo o diretor, com "Avatar" o cinema chegou ao maior nível de tecnologia. “Estamos em um estágio em que nossa única limitação é a imaginação, ter a capacidade de contar boas histórias. Eu não preciso me preocupar com a tecnologia, pois sei que no meu próximo filme vou ter todas as ferramentas de que preciso, só tenho que contar uma boa história”.

As belas imagens do ecossistema do planeta Pandora em "Avatar" ganham ricos contornos na versão em Blu-ray com sequências de ação altamente cristalinas. "A qualidade de imagem e som conferida no cinema pode também ser vivenciada em casa com o Blu-ray. Em 25 anos de carreira, "Avatar" é a melhor versão de um filme meu para se assistir em casa”, se vangloria.

O Blu-ray de "Avatar" que está nas lojas desde abril, traz apenas o filme, sem nenhum extra. Os colecionadores que preferem uma edição mais requintada, a terá em novembro. “Haverá um Box com quatro discos. Ele terá muitos extras e vamos incluir um documentário sobre as duas viagens que eu fiz ao Brasil. Eu na Floresta Amazônica que tem uma mensagem que ecoa com a mensagem de "Avatar". Colocaremos cenas que estão sendo finalizadas agora, 35 minutos de cenas deletadas. Essa edição especial será excelente para fãs e colecionadores. No mesmo período faremos o anúncio do lançamento da versão em 3-D”.

"Avatar" conquistou o título de maior bilheteria de todos os tempos (sem reajuste de inflação),ultrapassando "Titanic". Mundialmente a produção faturou incríveis US$ 2,7 bilhões. Não é qualquer diretor que consegue tal feito, o de ter duas produções de maior bilheteria no currículo. James Cameron pode dizer que é o rei do mundo, pelo menos no cinema isso ele é.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

VENDO COM OS OUVIDOS

Deficientes visuais têm a chance de enxergar a magia do cinema pela audiodescrição, recurso disponível em Blu-ray de "Chico Xavier"

O filme é uma obra dotada de sons e imagens projetado numa tela que transmite e provoca sensações e emoções no espectador. Mas se o espectador é um deficiente visual, como que um filme pode ser apreciado em sua plenitude? Isso pode se realizar graças a audiodescrição, no qual um narrador descreve personagens, cenários e o que acontece no decorrer da história.

Alessandra Savino, roteirista da audiodescrição de "Chico Xavier" e gerente de dublagem e operações da Sony Pictures, explica que o recurso é um áudio auxiliar que entra nos intervalos do filme em que não há fala, “descrevendo tudo o que está acontecendo em cena, características físicas e psicológicas dos personagens, eventuais efeitos de imagens, transição de cenas e sutilezas”.

Segundo Alessandra, a mixagem da locução foi feita com o áudio um pouco mais alto que o som original do filme para que o espectador consiga fazer a diferenciação. ”É importante que o texto seja bem resumido e que caiba nesses intervalos para não haver ‘atropelo’ de audiodescrição em cima da fala dos personagens”, declara ela.

Para você ter ideia do que é um texto de audiodescrição em um trecho do filme o narrador fala: “Chico trabalha datilografando. Uma mulher atravessa a sala. Ele continua datilografando e para, pois sua vista o incomoda. Ele esfrega os olhos. Abre e fecha os olhos. Chico apanha um lenço e cobre um olho. Sente dor. No lenço, sangue. Assustado, ele anda pela sala vazia”.

EXPERIÊNCIA MÁGICA
Para marcar o lançamento do Blu-ray, a Sony realizou uma sessão para deficientes visuais terem a chance de assistir a produção por meio da audiodescrição. A sessão de "Chico Xavier" parecia como a de qualquer outro filme. As pessoas segurando pipoca e refrigerante se dirigiam à sala de cinema e escolhiam os seus lugares. Mas com o apagar das luzes a experiência de se assistir a um filme tomava um novo significado.

A estudante Sivone de Souza Santos nasceu com retinose pigmentar e quando vai ao cinema sempre tem alguém que a acompanha. Ela senta na primeira fileira e até consegue ver o que está na tela, mas detalhes como a cor dos olhos dos personagens ela já não enxerga. “Eu gostaria que tivesse isso sempre para quando eu for assistir a um filme, não ficar com dúvidas, imaginar o que deve estar acontecendo. Além disso, a audiodescrição não atrapalha quem enxerga, só ajuda a entender mais o filme”, contou ela.

"Chico Xavier" é a terceira produção com audiodescrição no Brasil. As outras são "Irmãos de Fé" e "Ensaio Sobre a Cegueira". "Chico Xavier" foi o primeiro filme com audiodescrição que o atendente de loja André Cadete assistiu. “Gostei muito. Para nós que temos deficiência visual, os detalhes são muito importantes. A audiodescrição ajudou bastante”, disse ele. O representante comercial Rubens da Silva conseguiu entender o filme e até se emocionar. “Eu assisti e me emocionei muito não só com o filme, mas também pelo fato de existir esse tipo de recurso. É uma preocupação que passou a existir para as pessoas que são portadoras de deficiência visual”.

A professora Regina Célia convidou a amiga Karla Queiroz para a sessão especial do filme. “Eu que não enxergo, tive a noção total do que estava acontecendo no filme. Isso é inclusão, me oferecer acessibilidade junto às pessoas que não necessitam dela”, contou Regina. Karla também gostou da experiência. “Fiquei imaginando como deve ser para a Regina, que não consegue ver as cenas do filme. Ele foi bem descrito e foi emocionante encontrar essas pessoas. Nós que às vezes pensamos que tudo é difícil, percebemos que não é bem assim”, falou ela.

Para a audiodescritora Lívia Maria Villela de Mello Motta, o recurso utilizado no filme é uma iniciativa bem-vinda. “Ainda há uma dificuldade grande em expandir o recurso para todos os contextos culturais. Com a audiodescrição há uma ampliação do entendimento em que a pessoa compreende o que está assistindo sem necessitar da ajuda de outra pessoa. Dessa forma ela pode ver um filme autonomamente”.

O ator Paulo Goulart, que em "Chico Xavier" interpreta Saulo Guimarães, anfitrião do programa "Pinga-Fogo" acredita que o mais importante em situações excepcionais é o prazer que as pessoas sentem em continuarem integradas a vida. “Hoje há recursos técnicos que possibilitam essa integração de uma forma muito plena. O enxergar com os ouvidos é uma coisa tão maravilhosa que acaba transformando tudo”. Ao final de uma exibição audiodescritiva, é possível perceber que um filme, mesmo sendo uma obra audiovisual pode sim ser assistido com os ouvidos!