quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

HO! HO! HO!

Com a chegada do Natal é hora de entrar no clima, com filmes natalinos

Natal: tempo de festa com família e amigos, de celebração do nascimento de Jesus e também de filmes! A magia do Natal contagia a todos e nada melhor do que comemorar a festividade com muitos filmes que tenham o Natal como grande personagem. Várias produções se aproveitam do tema. As americanas em especial usam o símbolo do Papai Noel e a neve, já que nos Estados Unidos é inverno, para colocar esta festa tão especial nos enredos das histórias.

Comemorar o Natal vendo filmes e não assistir ao maravilhoso "A Felicidade Não Se Compra", não é Natal. Este clássico é de 1946, dirigido por Frank Capra e estrelado pelo grande James Stewart. O ator interpreta George Bailey, um homem muito bom que se sacrifica no trabalho para dar o melhor para a sua família. No dia de Natal, George acaba endividado. Desesperado ele decide se matar, mas um anjo desce a Terra para mostrar a ele, como seria a vida se George nunca tivesse existido. O filme traz uma lição de vida e tem um lindo final. Confira a seguir outros filmes com a temática de Natal e boas festas!

Milagre na Rua 34
(Miracle on 34 th Street)
Simpático senhor é contratado para ser Papai Noel em uma loja de departamento. Lá ele conhece a garotinha Susan, que não acredita em Papai Noel. Mas com o espírito de Natal, ele vai fazer de tudo para Susan e outras pessoas acreditarem no bom velhinho.

Férias Frustradas de Natal
(Christmas Vacation)
A família Griswold passa as férias em casa e planeja a festa de Natal, que tem tudo para ser um desastre.

Esqueceram de Mim
(Home Alone)
Kevin é esquecido acidentalmente por sua família na partida para uma viagem de Natal. Ele vai ter de passar o feriado sozinho e ainda enfrentar dois ladrões que tentam invadir sua casa.

Duro de Matar 2
(Die Hard 2)
John McClane tem de adiar viagem para comemorar o Natal, quando um grupo de mercenários invade o aeroporto para resgatar um militar deportado.

Surpresas do Amor
(Anywhere But Home)
Casal planeja curtir o Natal viajando, mas todos os voos são cancelados e eles serão obrigados a encarar as tradicionais reuniões de família.

Santa Buddies - Uma Aventura de Natal
(Santa Buddies: the Legend of Santa Paws)
Os cães falantes Budderball, B-Dawg, Rosebud, Buddha e Mudbud vão espalhar o espírito de Natal no Pólo Norte.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

HISTÓRIAS APAIXONANTES

A cidade de Nova York serve como cenário para belas histórias de amor em "Nova York, Eu te Amo"

Um caleidoscópio de flertes, paixões e amores na cidade que nunca dorme, Nova York. Uma cidade que reúne histórias de amor das mais variadas. Desde a um encontro casual fulminante, um casamento às escuras, um casamento duradouro, uma amizade verdadeira até o amor incondicional entre pai e filha. São esses casos que rondam o filme "Nova York, Eu Te Amo". A produção faz parte do projeto Cities of Love (Cidades do Amor), do produtor francês Emannuel Benbihy, cujo objetivo é mostrar histórias curtas, cada uma filmada por um diretor, com o objetivo de criar um mosaico da cidade homenageada por meio de relatos românticos.

A primeira parte foi "Paris, Eu Te Amo" (2006) e a próxima capital a abrigar as histórias será o Rio de Janeiro, com: "Rio, Eu Te Amo". Fernando Meirelles e José Padilha já estão confirmados para o projeto. "Nova York, Eu Te Amo" é uma boa escapada a um mundo de amores, próximo de cada um.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O SUCESSO DA ERA

Filme "A Era do Gelo 3" termina o ano como maior bilheteria no Brasil

Mais de R$ 80 milhões em faturamento e um público em torno de nove mil pessoas. Esses são os incríveis números que a animação "A Era do Gelo 3", da Fox conquistou em 2009 e graças a isso se tornou a maior bilheteria no Brasil de todos os tempos. Manny, Sid, Diego e Scrat superaram o campeão anterior, a produção "Titanic", também da Fox, que estava no topo da lista há 12 anos. “'A Era do Gelo 3' se tornou o maior filme da Fox em termos de venda ao consumidor final nos últimos dez anos, desde o lançamento de "Titanic". Quebramos todos os recordes que tínhamos estabelecido”, comemora Dílson Santos, vice-presidente da 20 th Century Fox Home Entertainment Brasil.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

ROMANCE CHEIO DE FUMAÇA

Elenco do filme "É Proibido Fumar" comparece a pré-estreia badalada em São Paulo

Na comédia "É Proibido Fumar", Baby (Glória Pires) é uma professora de violão, que mora sozinha. Ela é muito carente e como está solteira há muito tempo, ela claro, está à procura de um grande amor. Max (Paulo Miklos) é um músico de bar recém-separado. Ele se muda para o apartamento vizinho de Baby e ela percebe o potencial para um romance. Mas o problema é que para conquistar Max, Baby terá de abrir mão de seu mais antigo e fiel companheiro, o cigarro.

"É Proibido Fumar" é o segundo longa da diretora Anna Muylaert, que fez sua estreia na tela grande em 2003, com "Durval Discos". A equipe do filme e convidados foram a pré-estreia do filme, realizada ontem em São Paulo. A diretora do filme e os atores Glória Pires, Paulo Miklos, Marisa Orth, Dani Nefussi, além da cantora Pitty, que faz uma participação na produção, apareceram por lá. O clima era de celebração em especial por causa dos recentes prêmios que o filme recebeu no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Ao todo foram oito incluindo o de melhor filme.

A atriz Dani Nefussi, que levou o prêmio de melhor atriz coadjuvantes estava feliz com o reconhecimento. “Foi um filme feito com muito carinho e estamos tão felizes! A premiação foi muito legal. E o público está gostando pra caramba e o filme está tendo uma repercussão muito boa”, afirmou a atriz.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

SHAKESPEARE COM MUITO HUMOR

Seriado "Som e Fúria" ganha versão para o cinema. Equipe debateu sobre o filme no encontro Cine Clube Nextel

Shakespeare, teatro, humor, confusões e um fantasma. Esses são os ingredientes do seriado "Som e Fúria", exibido na Rede Globo em janeiro de 2009. Agora a série recebe uma versão para o cinema intitulada: "Som e Fúria, o Filme". O lançamento do filme marcou o último dos cinco encontros Cine Clube Nextel, criado pelo cineasta Fernando Meirelles. A função dos encontros era de manter um diálogo entre profissionais do cinema e o público.

Para o Cine Clube de "Som e Fúria, o Filme" estiveram presentes o diretor Toniko Melo, os atores Dan Stulbach e Cecília Homem de Melo e o jornalista Luiz Carlos Merten, que mediou o debate. "Som e Fúria" é uma adaptação do seriado canadense "Slings and Arrows". Fernando Meirelles teve a ideia de fazer a adaptação brasileira no qual assina ainda a coprodução e codireção. A trama segue a rotina de uma decadente companhia estadual de teatro que luta para colocar a peça "Hamlet" em cartaz. A série possui 12 episódios e para a adaptação da série em filme, foram quatro meses de montagem para fazer a junção dos episódios 2, 4 e 6. E algumas cenas tiveram de ser refilmadas para o filme.

O diretor Toniko Melo disse que transformar a série em filme foi difícil. O ator Dan Stulbach concordou com o diretor. “Quando se faz um filme derivado de um seriado, você o liberta. Você tem mais espaço, não se tem a desculpa do horário que vai passar na televisão”. Quem vê o filme, não consegue notar a junção dos episódios. O filme é fluente, arece uma história filmada especificamente para o filme e não uma colagem de episódios. Um senhor trabalho de edição e o resultado é incrível.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

CAMINHANDO COM PASSOS FIRMES

A fabricação nacional de mídia e player de Blu-ray mostra que o Brasil segue forte para sua entrada na Era do Blu-ray

No País do futebol, a Copa do Mundo de 2010 serve de porta voz para a popularização do Blu-ray no Brasil. É o que o mercado de home video espera para que a onda azul chegue aos lares dos brasileiros: o incentivo dos jogos de futebol exibidos em alta definição. A paixão pelo futebol e pela tecnolgia promete provocar nos brasileiros aquela coceirinha para obter televisores LCD e Home Theater. Consequentemente, isso vai alavancar as vendas de players de Blu-ray, já que, com uma televisão de alta definição, o que se deseja é assistir a programas que tenham uma boa qualidade de imagem. E é aí que o Blu-ray entra na história.

As fabricantes de mídias Videolar e Microservice já anunciaram a produção nacional da mídia Blu-ray no País. A Microservice promete já para novembro a disponibilização da mídia Blu-ray com selo nacional. “Com o advento das televisões de alta definição, o Blu-ray chega para suprir as necessidades do consumidor de ter uma imagem de alta definição e, ao mesmo tempo, mais interatividade e conteúdo no disco”, afirma Isaac Hemsi, presidente da Microservice.

A empresa Tectoy já fabrica um modelo de Blu-ray em Manaus, o DBR-700, encontrado por R$ 899,00. “Ano que vem, os números devem crescer significativamente. Como toda tecnologia, essa precisa de maturação, mais mídias disponíveis, queda nos preços, e a população precisa começar a ser atingida pela comunicação e pelo produto ter chegado à casa do vizinho. As lojas têm apostado bastante em seções dedicadas ao Blu-ray e isso vai aumentar mais até o Natal e em 2010”, afirma Vanessa Artea, gerente de marketing da Tectoy.

Recentemente, a Sony anunciou a sua entrada no mercado de alta definição com a fabricação de televisores e players de Blu-ray no Pólo Industrial da Zona Franca de Manaus. O player nacional da marca é o BDP-S360, vendido por R$ 999,00. A Sony estima que, em 2011, 60 % do mercado já será dominado pela nova mídia. "O Blu-ray é o novo momento do home video. Temos alguns projetos com locadoras em andamento e aquelas que apostaram no formato desde o início, agora estão na fase de melhoria do espaço ocupado pelo Blu-ray em seus estabelecimentos", afirma Wilson Cabral, diretor geral da Sony Pictures Home Entertainment.

No mercado, o que se comenta é que, assim como o DVD substituiu o VHS, o Blu-ray fará o mesmo com o DVD. “Qualitativamente, acreditamos que nesse Natal vai se vender muito Blu-ray e no ano que vem ele já comece a ganhar mais espaço, iniciando a sua crescida para substituição do parque instalado de DVDs”, conta Artea. Já Juliano Bolzani, diretor de marketing da Sony Pictures Home Entertainment, acredita que isso não vai acontecer. “Eles vão coexistir por muito tempo. Quando se tem um bom equipamento em casa, a qualidade de imagem que se consegue com o DVD é incrível. Para muita gente, isso vai ser mais do que suficiente. Por outro lado, existe uma gama de consumidores que vão migrar para o Blu-ray. Pela primeira vez, vamos ter um mercado que coexiste. Vai haver também o video-on-demand, que irá coexistir com o Blu-ray, DVD, Internet e capacitação de conteúdo em pen drive", explica ele.

Essa imersão do Brasil no mercado de Blu-ray significa tanto a redução do preço dos filmes nesse formato como dos equipamentos. “2009 é um divisor de águas em alta definição com a entrada dos players nacionalizados e da mídia nacional. Assim, o Brasil dá um passo mais representativo”, completa Bolzani. E o mercado aos poucos se movimenta para que os preços se tornem competitivos para que a população, ávida por tecnologia, consiga comprar o pacote de aparelhos para vivenciar a experiência do Blu-ray.

domingo, 22 de novembro de 2009

CONEXÃO ITÁLIA

5° Semana Pirelli de Cinema Italiano apresentou o filme "Baarìa", de Giuseppe Tornatore, que participou do evento

São Paulo e Rio de Janeiro são palco da 5° Semana Pirelli de Cinema Italiano, que acontece entre os dias 23 e 30 de novembro. O público terá a chance de conferir as principais produções italianas realizadas nos últimos dois anos como, "Ah! O Amor" e "É Possível". Também foram exibidas algumas animações do cartunista Bruno Bozzetto, que participou do encontro e realizou workshops de animação. Mas o principal destaque foi a retrospectiva dos filmes do diretor Giuseppe Tornatore, conhecido pelo mágico "Cinema Paradiso". Ele compareceu a Mostra para apresentar sua mais recente produção, "Baarìa - A Porta do Vento", que inclusive é o candidato italiano a disputar uma vaga entre os cinco finalistas ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009.

Tornatore considera "Baarìa" seu projeto mais pessoal, já que trata de um épico autobiográfico, que se passa em Bagheria, vilarejo na região de Sicília, onde o diretor nasceu. “'Baarìa' foi o projeto mais íntimo, que mais me envolveu. Foi bem mais pessoal do que 'Cinema Paradiso'”, afirmou ele. No debate ainda foram discutidos os acordos de coprodução entre Brasil e Itália, que visa o incentivo a uma maior produção de filmes. A primeira parceria entre os dois países foi o filme "Estômago" (2007) produzido pela produtora brasileira Zencrane Filmes e a italiana Indiana Production. “Isto é algo realmente interessante. A coprodução entre vários países é fundamental para reforçar o cinema. E ajuda também a ter uma maior divulgação dos filmes em outros países”, concluiu Tornatore.

sábado, 21 de novembro de 2009

VERSÃO BRASILEIRA...

...Herbert Richers. Essa frase tão ouvida nos filmes dublados na TV, perdeu seu pioneiro na área da dublagem

Quem assiste a um filme dublado na televisão, em especial na TV aberta, já se acostumou a ouvir no início dos créditos a famosa frase “versão brasileira: Herbert Richers”. Pois é, muita gente cansou de ouvir esta frase, mas poucos sabem de fato quem era Herbert Richers, que morreu no dia 20 de novembro, aos 86 anos em consequência de um problema renal.

Richers nasceu em Araraquara, interior de São Paulo, em 11 de março de 1923 e se mudou para o Rio em 1942, onde fundou, em 1950, a empresa que leva seu nome. No começo da carreira, ele atuou como diretor de fotografia. Depois passou a produzir filmes. "Na época em que ele era produtor de cinema, a inflação era alta no Brasil, apesar do ritmo industrial das chanchadas naquele tempo. O dinheiro era insuficiente e saía do próprio bolso. E por conta disso Herbert passou para o campo da dublagem”, explica Garcia Júnior, dublador e diretor de criação da DCVI (Disney Character Voices International) Brasil.

A transição de Richers para a área de dublagem tem ligação com o produtor Walt Disney. Júnior conta que Disney veio ao Brasil para fazer a política da boa vizinhança na época da 2° Guerra Mundial (1939 - 1945) e Richers foi como cinegrafista acompanhar o produtor. Um ano depois ele foi até os Estados Unidos e foi até o escritório de Disney para saber se ele se lembrava de Richers. “Disney não só lembrou como o levou para almoçar. Durante o almoço ele perguntou ao Herbert se ele não queria distribuir o filme Zorro no Brasil. Ele sugeriu distribuir e dublar o filme. Foi assim que o Herbert entrou no ramo da dublagem”.

Garcia Júnior é conhecido na área de dublagem por fazer as vozes de personagens como He-Man, MacGaGyver e o Pica-Pau. Júnior ficou muito emocionado ao falar do querido amigo. “Eu fui chamado para fazer um teste de um filme da Disney chamado Meu Amigo Dragão. E eu ganhei o papel, o Herbert viu meu trabalho e quis me contratar. Eu tinha 12 anos na época. Mas eu disse que não podia ir para o Rio de Janeiro sozinho, porque eu morava em São Paulo com os meus pais. Aos 20 anos eu fui morar em Portugal. O Herbert disse que quando eu voltasse as portas estavam abertas para continuar o trabalho. Essa é a importância do Herbert Richers para mim”.

Úrsula Bezerra, diretora de dublagem da empresa de dublagem Álamo, também comentou sobre a importância de Richers para o segmento. “Hoje no Brasil temos duas empresas representativas na área de dublagem que é a Herbert Richers no Rio de Janeiro e a Álamo em São Paulo. Os dois pioneiros da área infelizmente nos deixaram. O Michael Stoll, da Álamo e o Herbert da Herbert Richers montaram uma estrutura muito boa. Apesar de eu não ter conhecido o Herbert eu sou muito grata por ele ter trazido a dublagem para o Brasil. Para o nosso meio é uma grande falta, assim como nós sentimos quando o Michael, veio a falecer. Eu fico muito feliz por eles terem sido os pioneiros do ramo. Se nós estamos aqui é graças e eles!”. Júnior acha incontestável a importância de Richers para o cinema e para a dublagem brasileira. “Ele estava com 86 anos... é uma perda que dói de saudade. É um ser humano que não está mais aqui conosco”.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

AMOR MAIOR QUE A VIDA

A história de amor de Bella e Edward que contagiou os fãs continua mais intensa na segunda parte de "A Saga Crepúsculo: Lua Nova"

O que você faria se sua razão para existir não te quisesse mais? Definitivamente é uma pergunta difícil de responder. Mas é isso que Bella Swan terá de enfrentar em seu namoro com Edward Cullen em um dos filmes mais aguardados do ano, a segunda parte da "A Saga Crepúsculo: Lua Nova". O primeiro filme, "Crepúsculo", foi um fenômeno alavancado pelo sucesso dos livros em que a saga se baseia, escritos por Stephenie Meyer. Jovens de todo o mundo se encantaram com a história de amor da jovem tímida e melancólica Bella e o atraente e misterioso vampiro Edward.

"Crepúsculo" se tornou a concretização da imaginação de adolescentes sonhadores, fãs do livro, que viram na tela a caracterização e a ambientação da história e principalmente os atores que iriam encarnar esse casal tão tentador. Os atores Kristen Stewart e Robert Pattinson ficaram responsáveis por viverem os personagens loucamente apaixonados. A química entre eles é incrível, deixa o espectador sem fôlego com a tensão e o clima lascivo que rola entre Bella e Edward.

Mas nesse romance a pergunta que fica é: Como um amor desse pode dar certo? Bem, o namoro de uma mortal com um vampiro não é tarefa das mais fáceis. Desejo e perigo rondam o relacionamento. O instinto de Edward em beber o sangue da amada é irresistível, já que um beijo mais intenso pode levá-lo a mordê-la. Ao mesmo tempo a garota demonstra uma certa vontade em ser mordida por ele. Um impasse difícil de se resolver. Resta aos dois resistirem ao desejo profundo de consumarem a relação.

A pergunta que inicia este texto é o centro de "Lua Nova". Bella e Edward vivem seu romance, mas o instinto vampiresco atrapalha os dois, o que faz Edward tomar a dolorosa decisão de se distanciar de Bella para preservar a vida da amada. A falta que Edward faz, deixa Bella desesperada. É aí que o garoto lobisomem Jacob Black, amigo de infância de Bella, entra na história. O duelo entre Edward e Jacob pelo coração da garota garante muita emoção. Marque no seu calendário, pois dia 20 de novembro este embate promete!

CREPÚSCULOMANIA

Kristen Stewart e Taylor Lautner enlouquecem fãs da saga Crepúsculo em visita relâmpago ao Brasil

Fãs histéricas aos gritos se acotovelaram em frente a um hotel em São Paulo, portando cartazes, fotos e livros da saga "Crepúsculo". Foi esse tumulto que Kristen Stewart e Taylor Lautner provocaram na rápida passagem pelo Brasil, mais especificamente na cidade de São Paulo. Tudo isso para os seguidores terem a chance de verem nem que fosse de relance os queridos astros do novo filme "Lua Nova".

Eles desembarcaram no país para divulgar a produção em que Stewart e Lautner interpretam Bella Swan e Jacob Black no romance mais aguardado da temporada. No filme, Edward Cullen (Robert Pattinson) se afasta da amada Bella. Isso faz com que Jacob se aproxime da garota e os dois passam a ter um vínculo maior. Kristen e Taylor ficaram em São Paulo por apenas dois dias. Parte do tempo, eles dedicaram para conversar com a imprensa.

Durante a entrevista Kristen disse que estranhou a quantidade de prédios que existe em São Paulo. “Há muito mais prédios do que eu esperava. Talvez tenha sido um pouco de ignorância, mas não imaginava que São Paulo fosse tão enorme e espalhada. Ficamos só no quarto do hotel e saímos apenas para ir a uma churrascaria”. Taylor também comentou sobre a ida a tal churrascaria: “Eu sou louco pelo churrasco brasileiro. Fomos para uma verdadeira churrascaria brasileira e adorei. Foi a coisa mais legal que eu fiz aqui no Brasil!”.

A recepção dos seguidores da saga surtiu efeito nos atores. “Os fãs têm sido incrivelmente amáveis e entusiasmados. Eles são muito amistosos e calorosos. Muito legais mesmo”, completou Kristen. No mesmo dia os dois foram para o México na maratona de divulgação de Lua Nova. Para Márcio Fraccaroli, diretor da Paris Filmes, a expectativa é que a produção tenha o dobro de espectadores do primeiro filme, "Crepúsculo". “Com toda esses fãs que estão aqui, o limite não sabemos mais. É uma loucura essa coisa de fã, a situação tomou uma situação muito maior. É importante dizer que "Lua Nova" é muito superior a "Crepúsculo". Agora tem muita ação e isso vai ajudar muito na carreira do filme”, afirmou ele. Agora a torcida é que para o ano que vem, para a divulgação do filme "Eclipse", o galã Robert Pattinson venha para o Brasil para delírio geral da nação Crepúsculo!
Confira trechos da entrevista coletiva.

Quais as diferenças artísticas entre "Crepúsculo" e "Lua Nova"?

TAYLOR LAUTNER - Eu não trabalhei muito com a Catherine (Hardwicke - diretora de "Crepúsculo"). Eu só tive quatro cenas no filme. Com Chris Weitz (diretor de "Lua Nova") foi uma experiência incrível. Ele é ótimo de se trabalhar. Ele é muito talentoso e é uma grande pessoa.
KRISTEN STEWART - Quando você trabalha com uma pessoa solícita e compassiva você se sente segura para explorar qualquer coisa. Há muita pressão envolvida na série. Ela se baseia em algo que já existe. O livro é cobiçado por muitos. O Chris deixou nós nos apropriarmos dos nossos personagens. O filme se saiu melhor por causa disso. A diferença entre "Crepúsculo" e "Lua Nova" é que no começo, Crepúsculo não era tão esperado. Ele foi um filme independente, de uma escala muito menor. O primeiro filme era sobre a descoberta, se jogar de cabeça. Em "Lua Nova", a coisa se desacelera um pouco. Questões reais começam a afetá-los e não é apenas o mundo da fantasia dos vampiros. Os vampiros também cometem erros. A diferença é que "Lua Nova" é mais reflexivo e tem uma escala muito maior, ele é mais vívido.

O que vocês acham do filme ter feito tanto sucesso no Brasil, já que aqui não se tem uma cultura de vampiro?
TAYLOR -
A série de livros e filmes é muito mais do que uma história de vampiros e lobisomens. Tem a ver com os personagens, pois todos conseguem se identificar.
KRISTEN - É uma história de amor ideológica que está ao nosso alcance. Não é no sentido de que é impossível e eles vivem no mundo da fantasia. O livro eleva o nível de emoção exarcebada. Quando Edward abandona Bella, não é um rompimento normal. Não é um namorado que termina um relacionamento. É um questionamento de crenças. A composição química dela é alterada. A história de amor é colocada no nível mais radical que possa haver. É uma espécie de uma metáfora.

No livro "Lua Nova" o Edward aparece pouco. Como isso ficou no filme?
KRISTEN -
A razão pela qual ele aparece mais no filme do que no livro é porque quando se vê o que acontece com Bella, ela tem uma sensação de medo. No livro ele fala com ela, é uma voz que a tranquiliza. Sempre achamos que era uma interpretação dela do que ele dizia e não uma comunicação telepática. Por causa disso, nós imaginamos que ela o imaginaria e o veria também. Isso fica melhor do ponto de vista visual. No livro ele só é ouvido. E também mais pessoas vão querer ver o filme porque o Robert está no filme (risos).
TAYLOR - É também uma boa forma de estabelecer o triângulo amoroso entre Bella, Edward e Jacob. "Crepúsculo" desenvolve a relação entre Edward e a Bella e "Lua Nova" traz o triângulo amoroso.
KRISTEN - Quando se vê Bella completamente apaixonada pelo Jacob, se você não lembrar da forma física do Edward, você não se importaria tanto. Não haveria tanto conflito. A reação da plateia seria: “Fique com o Jacob!”. E é preciso a presença do Edward para provocar o conflito.

Por que a Bella deve ficar com o Jacob?
TAYLOR -
Pergunta difícil (risos). Tudo depende o tipo que a Bella é e o tipo de cara que ela gosta. Edward e Jacob são completamente diferentes. A questão é se você quer ir para a direita ou para a esquerda.
KRISTEN - O Jacob é a pessoa com quem ela deveria estar. Ele é perfeito para ela. Com Jacob, Bella pode ser mais ela mesma. A insegurança dela desaparece quando está com Jacob. Mas infelizmente, nem sempre as garotas tomam boas decisões para si próprias. E há algo em Edward que o torna a alma gêmea dela. Se você acreditar no mundo do destino, Jacob não deveria estar com a Bella. Ele deveria ser o melhor amigo dela. É preciso estar apaixonado por alguém, não se pode simplesmente se contentar com a zona de conforto.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

À PROCURA DE ERIC

Eric é um carteiro com mais de 40 anos, frustrado com a vida que leva e mal-humorado. Ele foi abandonado pela segunda esposa e cuida dos dois problemáticos enteados. Ele está em dívida com o passado, pois sumiu repentinamente da vida da primeira mulher e não consegue encará-la depois de tanto tempo.

No seu quarto, o carteiro tem um grande pôster de seu ídolo pregado na parede. O ídolo tem o mesmo nome: Eric, mais especificamente Eric Cantona, ex-jogador de futebol do time inglês Manchester United. Eric está com alguns problemas e no desespero bate um papo com o Cantona do pôster. De repente Cantona, que interpreta a sim mesmo no filme, aparece no quarto de Eric para ajudá-lo a mudar o rumo de sua vida.

O filme é delicioso com ótimas tiradas, em especial quando Cantona filosofa sobre a vida. Ao longo da história, várias jogadas de Cantona aparecem como forma de ilustrar que é possível resolver os problemas e como numa partida de futebol tudo pode mudar aos 45 do segundo tempo. Um gol de placa!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

NOVAS POSSIBILIDADES

Variados formatos de distribuição mudam os hábitos do espectador na hora de assistir a um filme

O habitual jeito de se assistir a um filme, com o espectador em uma sala escura e uma tela grande na frente, tem mudado de cara. Com a chegada de inovações tecnológicas, novas formas de se ver um filme também surgem. A aposta em novas mídias e dispositivos têm ganhado força no entretenimento para atender cada vez mais às necessidades de cada tipo de consumidor.

Nos Estados Unidos, a videolocadora Blockbuster e a fabricante Motorola vão disponibilizar um aplicativo capaz de baixar milhares de filmes em smartphones. Outra parceria da locadora é com a Samsung, que vai permitir o aluguel de filmes pelo controle remoto do televisor. As pessoas estão buscando novas formas de ver filmes e essas estratégias atendem a demanda crescente.

Aqui no Brasil, a Warner saiu na frente na distribuição multimídia no mercado de home entertainment. Em julho, ela lançou o filme "Gran Torino" simultaneamente em DVD, Blu-ray e download digital. Desde maio, a distribuidora disponibiliza seus filmes para venda e aluguel por meio de download na loja virtual da Livraria Saraiva. Segundo Alexandre Assis, gerente de produto da Warner, "Gran Torino" inicia uma nova era, com lançamentos simultâneos em vários formatos, um ponto de convergência de processos tecnológicos. “A estratégia da Warner é oferecer várias opções ao consumidor que pode escolher de acordo com sua preferência ou conveniência. A Warner acredita no conceito ‘assista do seu jeito’”, declara Assis.

STREAMING
Em agosto, a locadora online NetMovies lançou o serviço de streaming legalizado de filmes no Brasil. O streaming é uma tecnologia que reproduz uma mídia sem interrupções e em tempo real. Quem já viu algum vídeo pelo site YouTube sabe como funciona. Ao apertar o play para iniciar a reprodução do arquivo, um buffer (mecanismo para melhorar a velocidade de acesso a um determinado dispositivo) é carregado por alguns segundos e aí se inicia a exibição do conteúdo. O que limita a exibição de um filme em streaming é a banda larga que o usuário tem. Daniel Topel, diretor-presidente da NetMovies, recomenda aos assinantes uma banda de no mínimo 700 Kbps.

O streaming vai na contramão do download, que demora algumas horas para ser feito, para, então, se poder assistir ao conteúdo. O formato download é protegido pelo DRM (Digital Rights Management) ou GDD (Gestão de Direitos Digitais). Isso é uma forma de restringir a difusão por cópia de arquivos digitais, como forma de assegurar os direitos autorais da obra. Esse é o tipo de serviço que a Saraiva oferece, com a opção de locação e compra de filmes digitais. “Os estúdios exigem o download via DRM. Eles criam uma série de mecanismos de proteção de direitos autorais. Isso, para o usuário final, faz com que seja necessário trabalhar com Windows e Internet Explorer. Ele precisa baixar um aplicativo, instalar o software, passar por uma transação de pagamento via cartão de crédito, baixar o arquivo por algumas horas e ainda tem um limite de 24h para se assistir ao filme”, explica Topel.

Na cadeia alimentar das janelas (espaço de lançamento de um filme em cada mídia), a ordem de lançamento de um filme segue a linha cinema, rental, sell-thru, tv por assinatura e tv aberta. A distribuição digital de filmes fica após a TV por assinatura. Com isso, o streaming de lançamentos fica de fora dessa via de distribuição. A alternativa encontrada pela NetMovies foi explorar clássicos como "Cidadão Kane", "Fellini 8 ½" e "Metrópolis", até uma saraivada de filmes de ação chineses estrelados por Bruce Lee e Jackie Chan, como "A Fúria do Dragão" e "O Mestre Invencível".

A locadora oferece aos seus assinantes o pacote LIVE 10, somente para streaming, pelo valor mensal de R$ 15,60. Esse pacote dá ao assinante, dez horas mensais de conteúdo em vez de filmes completos. “O hábito do nosso cliente não é de assistir a um filme até o fim. O formato de filme completo é algo rígido que vai contra a liberdade que queremos dar para o usuário final. Essa é a desvantagem do download. Você baixa um filme e decide que não quer ver o filme naquele momento e ao vencer o período de 24h você perde o filme. Isso é um ranço do modelo antigo de locação. O fato de o usuário pensar em um filme como um filme”, conta Topel

Isso que diretor-presidente da NetMovies fala é interessante, pois essas formas de distribuição e, principalmente, o modo de se assistir a um filme estão se tornando novas alternativas de entretenimento. “Hoje, existe a mobilidade. Hoje, se vê uma pessoa no metrô assistindo a um filme. É outra experiência, porque ela está no metrô sem ter o que fazer. As pessoas querem ter diferentes experiências”, declara Phillip Wojdyslawski, presidente da Videolar.

Essas novidades marcam uma tendência no mercado de entretenimento. “O desenvolvimento tecnológico apresenta constantemente novas possibilidades e a Warner quer acompanhar este processo, estando sempre em sintonia com os novos hábitos do consumidor”, afirma o gerente de produto da distribuidora. E no meio de tantas inovações tecnológicas fica difícil imaginar como fica a interação da pessoa com o filme.

Para Topel, existe uma variedade de hábitos no consumo de filmes e que hoje o espectador quer comodidade, simplicidade e economia em seus momentos de entretenimento. “Acredito que o NetMovies LIVE atenda a esta pluralidade, oferecendo liberdade total para cada usuário assistir a filmes da maneira que ele mais gosta. Seja ver o filme inteiro de uma só vez, rever cenas específicas, ver o filme pausadamente ao longo de vários dias ou até mesmo pular partes do filme”, conclui ele. Isso implica em discussões psicológicas sobre o ato de se assistir a um filme. Mas isso já é outra história.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

AQUARELA CINEMATOGRÁFICA

São Paulo vive e respira cinema por duas semanas na 33° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Filmes de todo o mundo em um só lugar

O movimento para comprar os ingressos é grande. A fila é imensa. Uma moça olha atentamente o catálogo da Mostra, um grupo de amigos aponta para um guia de filmes, um outro rapaz tira do bolso um papel amassado contendo os nomes dos filmes que quer assistir. É assim o clima que São Paulo viveu por duas semanas durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que este ano teve sua 33° edição. Os cinéfilos de plantão montam um verdadeiro esquema para conseguirem ver o maior número possível de filmes. Também não é para menos, foram 424 filmes, vindos de mais de 57 países. As pessoas se armam com garrafinhas de água, balinhas e casacos para se esconderem nas 26 salas que exibiam produções das mais variadas.

FUTEBOL, LUTA LIVRE...
A abertura da 33° Mostra de São Paulo contou com a exibição da ótima comédia "À Procura de Eric", de Ken Loach. Eric é um carteiro frustrado com a vida, que desabafa seus problemas diante do pôster de seu grande ídolo, o jogador de futebol Eric Cantona, astro do time inglês Manchester United. Após fumar um baseado, Eric passa a ter visões de Cantona, que vai ajudar o carteiro a mudar o rumo de sua vida. Outro astro do futebol, mais especificamente da Argentina, Diego Armando Maradona foi tema do documentário "Maradona", dirigido por Emir Kusturica, ardoroso fã do craque. Ainda no tapetão, teve "Futebol Brasileiro", documentário sobre a paixão nacional pelo futebol.

Outros esportes também foram colocados na tela. A luta apareceu no documentário "Tyson", sobre o grande lutador Mike Tyson e em "Os Gracies e o Nascimento do Vale Tudo", revelam-se os conflitos e títulos da família dedicada ao jiu-jitsu. Outro documentário, "Mamachas do Ringue", mostra mulheres nos ringues de luta livre na Bolívia. Houve espaço também para o tênis de mesa em "O Rei do Ping-Pong" e para a natação no sueco "Saída a Nado", que inclusive levou o Prêmio da Juventude de melhor filme.

ROCK E OUTRAS COSITAS MÁS
A música invadiu as telas da Mostra com "Rock Brasileiro - História em Imagens", que traz depoimentos de Roberto Carlos, Tony Campello, Blitz! e Paralamas do Sucesso. "Revolução Mundial" trata da história de Stefan Weber e sua banda de rock Drahdiwaberl. E "A Todo Volume" traz três importantes guitarristas da música americana: The Edge (U2), Jimmy Page (Led Zeppelin) e Jack White (The White Stripes), que expõem seus estilos de tocar.

Saindo do rock, Tom Zé foi tema do documentário espanhol "Astronauta Libertado", que levou o Prêmio do Público de melhor documentário. "A Árvore da Música" mostra que o Pau-Brasil é a melhor madeira para se confeccionar violinos. Para fechar um pouco de R&B no documentário "O Poder do Soul" que resgata cenas de um festival com participações de James Brown e B.B. King.

BRASILEIRINHO
O Brasil marcou presença com mais de 70 produções durante a Mostra entre longas e curta-metragens. "O Sol do Meio-Dia", de Eliane Caffé levou o Prêmio da Crítica de melhor longa brasileiro. O filme conta a trajetória de três personagens que rompem com o passado e partem para reconstruir uma vida nova. Ele expõe a capacidade das pessoas se regenerarem a partir de experiências difíceis. Caffé disse ao NO MUNDO DO CINEMA que o prêmio foi algo totalmente inesperado. “Eu não estava esperando mesmo! Acho que é um prêmio super importante, ainda mais por ter estado ao lado de filmes tão legais. Fiquei muito emocionada”, comemorou.

No campo do documentário, vários títulos colocaram em foco, figuras da cultura brasileira. "Dzi Croquettes" levou quatro prêmios de melhor longa de documentário na Mostra: Prêmio Quanta, Teleimage, Itamarary e do Público. Ele mostra a trajetória do grupo que marcou o cenário artístico brasileiro nos anos 70. Ele confrontava a ditadura da época de forma irônica e inteligente. "Alô, Alô, Terezinha" relembra os momentos do lendário Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Os queridos Mamonas Assassinas, que morreram em um acidente também são lembrados em "Mamonas para Sempre (o Doc)".

Em "Caro Francis", o jornalista Paulo Francis com seus comentários irreverentes sobre a política e a sociedade é mostrado através de depoimentos de vários amigos. "A Raça Síntese de Joãozinho 30" coloca em destaque a construção de um enredo que o carnavalesco Joãozinho 30 criou para uma escola de samba. "Eu Eu Eu José Lewgoy" percorre a carreira do ator que se enveredou pelas chanchadas, cinema francês, Cinema Novo e novelas da Rede Globo.

Dois importantes nomes da nova geração de diretores brasileiros retornaram. Beto Brant ("O Invasor") dirigiu "O Amor Segundo B. Schianberg", em que um ator e uma videoartista passam três semanas confinados em um apartamento. Karim Aïnouz, do tocante "O Céu de Suely" faz ao lado de Marcelo Gomes, em "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te amo" um retrato emocionante de um povo do sertão nordestino que se vê abandonado sob a possibilidade da construção de um canal.

“EU QUERO SEXO!”
A música do Ultraje a Rigor, "Sexo!!" serve bem para ilustrar três produções com a temática. A começar pelo vencedor na Mostra de melhor filme na categoria Novos Diretores, o sul-coreano "Voluntária Sexual", de Kyeong-duk Cho. O diretor coloca na tela um deficiente físico que confessa a um padre que quer experimentar o prazer sexual. Uma prostituta fica a cargo de realizar o pedido dele.

Na divertida comédia "O Dia da Transa" os amigos Ben e Andrew se reencontram e acabam se inscrevendo para um festival de filmes pornôs. Eles decidem fazer sexo em frente as câmeras. Resta saber se eles conseguem. O filme ganhou o prêmio especial do júri no Festival de Sundance deste ano. O documentário "American Swing" convida o espectador a conhecer o famoso clube Plato’s Retreat, em Nova York, em que casais iam para dançar, nadar e claro, fazer swing.

GASTRONOMIA
Uma pitada de sal, outra de açúcar e assim o público se deliciou com três produções com a culinária como uma das personagens. Em "A Cozinha de Stella", uma cozinheira indiana prepara maravilhas para um casal no Alto Comissariado Canadense em Nova Déli. "Julie & Julia" é a adaptação de livro homônimo no qual a blogueira Julie decide experimentar as 500 receitas do livro de Julia Child (Meryl Streep). "Soul Kitchen", traz um dono de restaurante numa maré de azar que vê tudo mudar quando contrata um novo cozinheiro.

POLITICAGEM
Intrigas do poder expostas. A política foi um prato cheio para documentários como os suecos "Videocracia" e "Bananas!". "Videocracia" expõe o domínio da imagem do atual primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi na época em que era presidente, no qual conseguiu controlar o conteúdo televisivo do país. "Bananas!" mostra a luta de plantadores nicaraguenses contra uma grande empresa alimentícia, após indícios de envenenamento de trabalhadores.

"Hugo Rei e sua Donzela" explora o esquema de compra de voto no governo venezuelano para manter Hugo Chávez no poder. "O Cerco: A Democracia nas Malhas do Neoliberalismo" investiga a ideologia neoliberal presente no Japão. Ainda no terreno asiático, "Kimjongilia" fala do regime totalitarista na Coreia do Norte, marcado pelas mãos de ferro de Kim II Sung e Kim Jong II. "Momentos de Jerusalém" é composto por sete curta-metragens de diretores palestinos e israelenses sobre o conflito que perdura entre Palestina e Israel.

BADALADOS
Como qualquer boa Mostra, não faltou aqueles filmes muito comentados e queridos do público. "Abraços Partidos" ganhou justamente o Prêmio do Público de melhor filme. A nova produção do cineasta Pedro Almodóvar, traz a sua musa, Penélope Cruz num turbilhão de emoções e acontecimentos que o diretor costuma fazer. Michael Haneke, do mórbido "Violência Gratuita", retoma a temática da violência com "A Fita Branca", que recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Em um vilarejo alemão estranhos acidentes passam a acontecer. O povoado começar a questionar quem está por trás dos acontecimentos. "Lebanon", ganhador do Leão de Ouro em Veneza coloca o espectador dentro de um tanque durante a primeira Guerra do Líbano, em 1982. O que acontece no mundo externo é visto apenas pelo visor da mira do canhão. Claustrofóbico, mas incrível!

O ator Heath Ledger que morreu em 2008, estava no meio das filmagens de "O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus". O público da Mostra teve a chance de conferir este trabalho póstumo do ator, que interpreta o personagem título, o qual tem o poder de guiar a imaginação dos outros. O despretensioso "500 Dias Com Ela" acompanha o relacionamento de Tom e Summer desde o primeiro encontro, até as brigas, idas e voltas do casal. A Mostra é a chance que os cinéfilos têm de conferir produções antes de estrearem e muitas que nem vão chegar ao circuito de exibição nos cinemas. Um verdadeiro deleite cinematográfico!

A MATEMÁTICA DA MOSTRA

Maratona de filmes se torna uma verdadeira corrida contra o tempo na hora de coordenar a exibição de mais de 400 filmes

14 dias, 424 filmes numa média de 100 sessões por dia, realizadas em 26 salas de exibição, espalhadas por São Paulo. Ufa! Por trás de números como esses, uma equipe de logística opera dia e noite, sem parar para manter a Mostra funcionando a todo vapor. Quem vai assistir a algum filme da Mostra relaxa no escurinho, com sua pipoca e refrigerante em uma sala com ar condicionado. Mas nem imagina a trabalheira que existe nos bastidores para colocar o filme pronto na tela do cinema.

Tudo começa em agosto quando os filmes são selecionados. A partir daí é uma corrida contra o tempo, em que se entra em contato com os donos das cópias e os responsáveis por festivais de cinema que estão com os filmes. É uma saga itinerante que atravessa o mundo numa viagem até chegar ao Brasil. Aí os filmes chegam ao aeroporto internacional de São Paulo e ficam atracados por uns dois dias até a revisão de documentos e liberação.

A equipe de logística recebe o filme e depois é feita a programação dele. Os filmes nacionais têm um percurso mais tranquilo, pois vêm por intermédio das distribuidoras. “É uma corrida em que tem filmes que saem direto do aeroporto para a sala de exibição. Filmes que vêm de outros festivais, são os que têm data mais apertada para chegar. Eles são os últimos a chegar e os primeiros a sair. Há filmes que chegam, fica só três, quatro dias na Mostra porque têm data para ir embora para um outro festival”, explica Adrianne G. Stolaruk, coordenadora de tráfego de cópias da Mostra de São Paulo.

PASSEIO
Com a programação montada, os filmes que vão chegando são guardados em um galpão, localizado no estacionamento do Conjunto Nacional. Lá, prateleiras são os abrigos temporários para eles enquanto não saem por São Paulo para serem exibidos. Diversos estojos, latas e caixas que chegam a pesar 25 quilos lotam o pequeno espaço do galpão. “Há filmes que vêm em latas especiais e têm de devolvê-los na mesma embalagem que vieram. É preciso ter o cuidado de marcar o filme que veio de tal caixa e aí quando formos devolver, entregar na caixa certa”, afirma Stolaruk.

A equipe de logística faz uma revisão do dia anterior de todos os filmes que têm de sair no dia seguinte e já se separa os formatos de cada filme: digital (HDCam, Digital Betacam, DVCam e Betacam), película (35mm) e sinal digital Rain via satélite. “Quanto aos filmes em película, temos duas revisoras que desenrolam os filmes, para analisarem se o filme está amassado, furado e se o filme está na ordem certa. Isso é feito antes e depois da exibição do filme”, declara Bruno Logatto, coordenador de tráfego de cópias.

Então é hora de fazer o transporte dos filmes que serão distribuídos pelas 26 salas que integram a Mostra. São quatro carros que percorrem os itinerários das salas para entregar os malotes. “Separamos e identificamos cada filme e a sala em que vão ser exibidos, prontos para serem distribuídos pelas salas para não haver erro. No começo do dia os filmes saem da sede da Mostra e são levados para as salas de exibição e no final do dia ou na manhã seguinte são recolhidos e levados ou para a sede ou para outras salas. Há as viagens intermediárias em que um filme é exibido em dias seguidos. Por exemplo, um filme entra às 21h em um cinema e às 15h do dia seguinte em outra sala”, conta Logatto.

IMPREVISTOS
Um fato que ronda a rotina de cinéfilos da Mostra é a constante mudança de horários e salas de exibição, mas Stolaruk esclarece que isso acontece porque o filme em questão não chegou a tempo, está preso na alfândega ou por causa de problemas com a documentação. “Às vezes pedimos em um formato e é mandado em outro. Houve o caso de um filme que viria em película, mas em função de um problema em outro festival, enviaram uma cópia digital. Como nem todas as salas têm projeção digital, por causa da mudança do formato, precisa também mudar a sala de exibição”.

Outra preocupação é a legenda eletrônica que alguns filmes precisam ter. Um exemplo é o filme sueco Metropia. Ele foi exibido no Festival de Veneza, e em função disso, estava com legendas em italiano. Quando o filme veio para o Brasil foi necessário exibir o filme com legenda eletrônica. Ou seja, a equipe da Mostra pede uma lista de diálogos do filme e a envia para uma empresa que faz a tradução e digitalização dos diálogos.

Durante a exibição do filme, uma pessoa fica na sala de exibição com um computador e ao longo dele, vai soltando as legendas abaixo da tela de projeção. “É engraçado porque se há uma cópia em turco, chinês e não tem legenda nenhuma, fica difícil saber quando cada frase da legenda vai entrar. Então a pessoa encarregada fica atenta e até faz um treino antes do filme ser exibido”, afirma Stolaruk.

Quando se frequenta a Mostra parece fácil a organização da estrutura de exibição de filmes. Mas não é assim. “Começamos a trabalhar em agosto e as datas mudam toda hora, os filmes não chegam no formato que pedimos... É uma loucura que exige pensar em várias coisas ao mesmo tempo. É um quebra-cabeça conseguir coordenar tudo. Acho instigante e adoro essa loucura porque tudo é muito rápido. É um desafio, acho gostoso. Não vejo a hora de acabar, mas não vejo a hora de começar de novo (risos)”, brinca ela. É assim que funciona a dinâmica da logística da Mostra. No ano que vem quando você ver a alteração de datas e salas na última hora, lembre-se do árduo labor, que é organizar a Mostra de Cinema de São Paulo.

FRISSON NA MOSTRA

Rodrigo Santoro marca presença na Mostra ao participar de debate sobre seu novo filme: "Eu Te Amo, Phillip Morris"

"Eu te Amo, Phillip Morris" é o mais novo trabalho do ator Rodrigo Santoro e mais um em sua filmografia internacional que só cresce. No filme, Steve (Jim Carrey) é um homem pacato com uma bela família. Mas ele é gay e por isso abandona a família e vai para Miami. Lá ele conhece Jimmy, personagem de Santoro, que passa a ser seu boy-toy. Steve chega a conclusão de que ser gay é muito caro e por isso passa a realizar trapaças e roubos que o levam a prisão. Na cadeia Steve conhece o amor de sua vida, o recatado Phillip Morris (Ewan McGregor). Eles vivem uma linda história de amor até que Phillip cumpre sua pena e se separa de Steve. Mas como no amor vale tudo, o vigarista vai fazer de tudo, tudo mesmo, para ficar perto de seu grande amor.

Santoro foi até a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) conversar com os alunos da instituição sobre o filme. NO MUNDO DO CINEMA não ficou de fora e esteve lá para trazer os principais momentos do debate.

Como você recebeu o roteiro do filme e como foi a sua preparação?
O roteiro chegou pelo meu agente. Eu tinha lido o livro antes do roteiro na verdade. Achei muito fiel. Trabalhamos um pouco com improviso. O Jim Carrey é um ator muito criativo. Às vezes ele achava que não estava bem e tentava fazer a cena de uma outra forma. Não tive muito tempo para a preparação, mas na verdade como o personagem tinha o drama da doença, eu tive que perder peso. Perdi muito peso e os diretores sempre ficavam comendo na minha frente (risos). E tivemos uma semana em Miami para a leitura do texto. Ouvi muita música dos nos 80, foi um flashback da minha adolescência que eu tenho a maior saudade.

Quais são suas expectativas com o filme?
Esta é a terceira exibição do filme. A minha impressão foi boa. Eu assisti ao filme só uma vez. Foi no Festival de Sundance e vi o filme numa sala cheia de pessoas que fazem filmes. Foi emocionante. É sempre difícil para eu ver um trabalho que fiz. E ver pela primeira vez com outras pessoas, você se sente duplamente exposto. Fiquei satisfeito com o trabalho que foi feito, mas sempre tenho a sensação de que ficou faltando alguma coisa, como ver que o take oito era melhor do que o take 2 e eles escolherem o 2 por outra razão. É difícil você se desprender dessa análise, mas eu estou aprendendo.

Há diferenças entre fazer filme no Brasil e nos Estados Unidos?
No final das contas é tudo igual. Esse é um filme independente, feito na raça, com uma equipe pequena, apesar de ter atores conhecidos como o Jim Carrey e o Ewan McGregor. Foi um filme feito por vontade de se fazer um filme. Eles não pediram cachês altos, estavam ali porque acharam o roteiro interessante e porque curtiram esses dois camaradas aqui (Glenn Ficarra e John Requa). Filme independente é filme independente, filme grande é filme grande. As relações de amizade são parecidas. Cinema demora. É difícil. Fazer o roteiro, ajeitar, trabalhar tudo. Depois tem a pós-produção e até o filme ficar pronto demora. Cinema é um processo demorado em qualquer lugar.

Você tem medo de ficar rotulado por fazer personagens homossexuais como nesse e em "Carandiru"?
Na verdade vou responder a essa pergunta matematicamente (risos). A minha preocupação é única e exclusiva com o personagem, nos conflitos, na jornada, no que ele passa, o que sente e como ele se transforma. Se pensarmos que já interpretei mais de dez personagens heterossexuais, há de se pensar que eu também sou rotulado como heterossexual (risos). E por acaso eu sou heterossexual (risos). Eu nunca tive problema em interpretar homossexuais. Com a Ladi Di em "Carandiru" foi o primeiro e foi uma experiência sensacional, um mergulho no ser humano. Ela passava por uma transformação corporal. Era uma outra história. Não me senti repetindo a experiência de interpretar um homossexual. E isso que é o mais interessante.

E quanto as cenas de amor cortadas no filme?
Saiu na imprensa daquele jeito né?: Cenas tórridas e eróticas foram cortadas... (risos). E não tem nada disso, não tem nada chocante. A decisão apenas foi tomada pelos diretores após a exibição teste do filme nos Estados Unidos. Isso é uma coisa muito comum por lá. Depois da sessão a plateia responde a algumas perguntas sobre o filme. E as pessoas ficaram focadas na história principal que tem o Jim Carrey e o Ewan McGregor. Nossa história até por causa da doença era um pouco apelativa e que não estava funcionando. Tem uma cena muito forte, pesada em que eu estou doente, machucado. E aí essa história estava puxando muito a atenção para isso. E aí eu não deveria ter tanto espaço dentro da trama. Os diretores até me ligaram, muito carinhosos e me deram a notícia do corte, mas que era um elogio. A cena tinha funcionado tão bem que teria que diminuí-la na história. Você não pode se apegar ao filme. Do jeito que está ficou melhor realmente.

Nos Estados Unidos os cachês são altos. Você está ganhando bem para fazer filmes no exterior?
Eu não estou rico, na verdade nunca vi a cor desse dinheiro, nem o cheiro (risos). A carreira internacional foi uma coisa que cruzou o meu caminho e resolvi seguir. Eu nunca trabalhei guiado pelo dinheiro. Trabalhar lá fora tem sido sensacional. Vivendo, viajando, conhecendo outras culturas. Além de trabalhar, a gente precisa viver bem.

A SUÉCIA EM VOGA

Mostra de Cinema abre espaço para a exibição de filmes suecos da nova geração de realizadores

Quando se pensa em cinema sueco, a primeira coisa que vem a cabeça são os filmes do cineasta Ingmar Bergman. As produções sobre a ansiedade feminina, solidão, sexualidade e morte ganharam notoriedade no mundo inteiro em filmes como "Morangos Silvestres", "Quando Duas Mulheres Pecam" e "Gritos e Sussurros". Bergman morreu em 2007, após isso, a Suécia tem revelado uma nova geração de diretores loucos para exporem suas visões sobre o mundo. Tanto que a Mostra de Cinema de São Paulo dedicou a 33° edição, um espaço para a Mostra Suécia, com interessantes produções, como "Quase Elvis", "Deixa Ela Entrar", "Bananas!", "Videocracia" e "Metropia".

Petter Mattsson, gerente de projetos da Swedish Film Institute expõe que na Suécia, quando um ingresso de cinema é comprado, 10% vai para a produção de filmes no país. “Também temos uma nova política no Swedish Film, para tornar os filmes mais fortes financeiramente. Nossa meta é financiar até 40% da produção. Por enquanto financiamos apenas 32%. Por outro lado houve uma mudança na mentalidade, principalmente após o que aconteceu com o cinema da Dinamarca na última década, em especial por causa de diretores como Lars von Trier. Eles têm uma filosofia de trabalharem juntos em vez de competirem entre si”, explica ele. Um exemplo do que Mattsson fala é a produtora sueca Atmo, criada pelos diretores Tarik Saleh e Erik Gandini. Há dez anos ela produz filmes e seriados com temas políticos e estéticas sofisticadas.

ENTREVISTA COM TARIK SALEH

Diretor sueco Tarik Saleh veio a Mostra de Cinema de São Paulo apresentar seu novo filme, "Metropia"
Uma estação de metrô, xampu para caspa e a boneca Hello Kitty juntos em uma teoria conspiratória? Sim. São esses os elementos por trás do original "Metropia". O ano é 2024, o mundo está ficando sem petróleo, e os subterrâneos são conectados por uma gigantesca rede de metrô que integra toda a Europa. Roger vive em Estocolmo e toda vez que Roger entra nessa rede, ouve uma estranha voz em sua cabeça.

Roger fica confuso e suspeita que há uma grande conspiração acontecendo e vai atrás de respostas. Mas essas respostas não serão respondidas de forma fácil. Aos poucos ele vai achando as peças desse quebra-cabeça conspiratório. Uma dessas peças é o xampu Dangst, que possui microchips que se infiltram no cabelo de quem usa. Isso permite o acesso a tudo o que a pessoa ouve e vê. O grande plano é usar uma boneca Hello Kitty para por fim as maquinações daqueles que querem dominar a população.

Tarik Saleh, diretor e roteirista da animação tinha como experiência anterior, a realização de documentários. "Gitmo" trata dos acontecimentos na Baía de Guantánamo, usada para aprisionar terroristas. E em "Sacrificio: Who Betryed Che Guevara", Ciro Bustos, tido como aquele que matou Che, revela a sua versão da história. Saleh conversou com o NO MUNDO DO CINEMA sobre o filme "Metropia".

Qual foi a técnica usada para realizar "Metropia"?"Metropia" é uma animação feita com uma nova técnica, superrealista chamada boneca de papel. Eu até brinco que é até mais realista do que os próprios filmes reais (risos). A técnica é baseada em fotografia, mas não é fotografia. Usamos as texturas das fotos, tiramos os olhos de um, a boca de outro, construindo cada personagem. Ele é em 2D, mas parece 3D.

Como foi a experiência de fazer uma animação?A impressão que se tem é de trabalhar de forma muito lenta. Cada animador, animava 12 segundos do filme, por semana. E como diretor, você trabalha em câmera lenta. As pessoas se espantam ao saberem que eu passei seis anos fazendo este filme. E não entendo (risos). A maioria das pessoas passa a vida inteira em um emprego que odeia. Eu adoro fazer filmes, então para mim não é problema ficar seis anos fazendo algo que eu amo. Poderia ficar 12 anos... (risos). Para mim, o mais importante nas animações é mostrar as sensações e diferentes emoções em imagens. Na animação isso é possível.

Como é o processo de realização de filmes na Suécia?Nós fazemos co-produções com muitos países e temos um orçamento bem baixo. Metropia foi um projeto de US$ 5 milhões e isso não é nada para realizar uma animação. O financiamento vem de uma comissão de editores, investidores e fundos que recebemos do Swedish Film Institute. A situação tem sido boa nos últimos anos. Desde a morte de Ingmar Bergman, é como se os diretores tivessem finamente aparecido. Eu adoro o trabalho dele, mas há uma geração tentando ser Bergman, e não é possível, só há um Bergman. Quando ele morreu, os diretores passaram a fazer coisas diferentes das que ele fazia.

Como o público sueco recebe os filmes locais?É algo abstrato. Nós não pensamos em número de espectadores. Se uma pessoa gosta do meu filme, já basta. Uns acham que filmes suecos são estúpidos filmes suecos (risos). Na verdade, os suecos não gostam muito dos filmes do Bergman. O resto do mundo adora, acha exótico, gosta de ver os dramas de mulheres histéricas... Mas na Suécia, as pessoas pensam: “Nossa, essa mulher parece a minha mãe!” (risos).

Antes de "Metropia", você fez documentários com temas políticos. Como foi trabalhar com esse gênero?Eu adoro trabalhar com documentários. Fazer documentários é ter uma ideia sobre o mundo e começar a olhar o mundo especificamente por essa lente. Muitas pessoas acham que documentário é mostrar a realidade. Mas não é. Algumas vezes ficamos com medo de pessoas do poder, porque elas ficam muito irritadas. Eu fiz "Gitmo", sobre a Baía de Guantánamo e toda vez que vou aos Estados Unidos, sempre sou interrogado. Mas sempre digo que sou apenas um cineasta (risos). Os militares ficaram muito irritados por causa das informações contidas no filme. Não tínhamos noção de que seria algo tão ruim. O filme provocou curiosidade, os americanos queriam saber o que diabos acontecia em Guantánamo. Então quando decidi filmar "Metropia" queria fazer um filme de “comédia” (risos).

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

CORAÇÃO AO VENTO

Caetano Veloso como se nunca viu é mostrado sem censura no documentário "Coração Vagabundo", dirigido por Fernando Grostein Andrade

Fernando Grostein Andrade, 28 anos, faz sua estreia em longa-metragem com o documentário "Coração Vagabundo". Nele, Caetano Veloso aparece cândido em suas aparições em São Paulo, Nova York, Tokio e Kioto durante a turnê "A Foreing Sound", fruto do álbum do cantor gravado todo em inglês. O filme chega às locadoras e lojas no dia quatro de novembro. Andrade conversou com o NO MUNDO DO CINEMA, em que dá mais detalhes sobre a experiência de conviver com um grande nome da Música Popular Brasileira.

Você dirigiu o clipe do Caetano Veloso da música Você Não me Ensinou a Te Esquecer (trilha sonora do filme Lisbela e o Prisioneiro). Foi desse encontro que surgiu a ideia de fazer Coração Vagabundo?
ANDRADE -
Foi esse encontro que provocou a série de eventos que levou ao Coração Vagabundo. Primeiro eu fiz esse clipe e como o trabalho foi super bem, a equipe me chamou para fazer o DVD musical do show A Foreing Sound. Durante o making of do DVD, eu estava com o Caetano em Nova York, ele estava fazendo um grande sucesso no exterior com uma série de shows no Carnegie Hall, matéria de página inteira no The New York Times... Aí o Caetano falou que na entrevista que ele deu ao Charlie Rose, grande entrevistador americano, ele se sentiu um provinciano: “Eu sou de Santo Amaro, eu vivi em Santo Amaro até os 18 anos de idade, não sou um cara de São Paulo que já nasceu achando que está no mundo”. Eu senti uma emoção muito forte e enxergava uma história pela qual me apaixonei, que é a história de um grande músico brasileiro, lançando um disco em inglês, fora do Brasil, fazendo sucesso e que não se sentia a vontade com isso, porque veio de uma cidade pequena. Eu achei isso muito interessante e me apaixonei pela ideia e comecei a fazer o filme.

Que Caetano você quis mostrar no documentário?
ANDRADE -
Quando eu comecei a fazer esse filme eu tinha 23 anos, o Caetano, 62. Eu nunca, nem de longe tive a pretensão de querer explicá-lo ou querer defini-lo porque eu não tenho escopo para isso. O que eu quis fazer foi mostrar um olhar sobre um momento da vida dele e de uma viagem de lançamento do disco. Quem vê o filme tem a sensação que está viajando com um amigo. É uma coisa bem leve e emocionante quando temos a participação do Antonioni, que foram as últimas imagens do cineasta em vida. As pessoas se emocionam nessa parte.

Como foi a sua interação com o Caetano durante as filmagens?
ANDRADE -
O filme foi feito praticamente com uma equipe de duas pessoas. Isso somado a ideia de não fazer uma entrevista com o Caetano, mas só filmar ele, criou um ambiente mais intimista e favorável a uma relação de amizade.

Como você avalia o mercado cinematográfico nacional, já que você é um diretor estreante?
ANDRADE -
Eu estou chegando agora e tenho a impressão que a indústria brasileira está amadurecendo, com produtos que conseguem aliar o lado artístico com o lado comercial. Eu comecei minha carreira em um momento em que dá para sonhar. Um tempo atrás isso era algo totalmente impensável. Graças a Andrucha Waddington, Fernando Meirelles, Guel Arraes, Hector Babenco dá para sonhar em fazer cinema. Eu cheguei no mercado no momento em que a parte mais difícil já tinha sido resolvida pelos nossos mestres.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O VOO DO BESOURO

Com boas cenas de ação e golpes de capoeira, Besouro aterriza nos cinemas

“O besouro é preto que nem eu, mas voa”. É assim que o menino Manoel se identifica com o inseto. O filme "Besouro" traz a história deste garoto, nascido em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano (BA). Ele cresce e suas proezas físicas com a incrível agilidade na capoeira fazem dele, como o bicho, voar literalmente. Por isso, o apelido se torna seu novo nome: Besouro Mangangá. O Mangangá é uma espécie de besouro que provoca uma dolorosa ferroada. Besouro é assim. Em uma luta, briga de forma ágil e depois some. Ele fica popular e consequentemente vira o herói de um povo reprimido pela pobreza e o preconceito.

Besouro tem como inimigo o Coronel Venâncio, assassino de se seu grande guia, Mestre Alípio. Mas para enfrentar o Coronel, Besouro terá de se preparar e muito. No meio da mata ele se recolhe. Lá ele encontra as suas forças pelo poder dos Orixás. “Os fragmentos da história falavam que ele tinha uma relação com o sobrenatural, que ele tinha o corpo fechado, nem uma faca ou bala o atingia. Isso é o que me encantou no personagem e então eu viajei nas asas do Besouro”, declara João Daniel Tikhomiroff, diretor da produção.

O filme aborda dois pilares da cultura afro-brasileira, o candomblé e a capoeira e apresenta esses elementos ao público de forma criativa, expondo figuras míticas, além das coreografias de capoeira. A produção é alegórica, os golpes de capoeira ganham contornos fantásticos para fazer de Besouro um ser intocado.

O longa chama atenção justamente por causa das cenas de ação. Em meio a chutes, Besouro ganha “asas”, dá piruetas no ar, pula, voa. “As referências que eu tinha de beleza coreográfica de ação eram os filmes "O Tigre e o Dragão", "Matrix", "Herói" e "Kill Bill". E aí o produtor, Caíque Martins Ferreira chamou o coreógrafo Dee Dee, que tinha feito todos esses filmes. No meu encontro com ele, levei vídeos de capoeira. Na preparação houve um respeito muito grande aos golpes. Ele criou coreografias maravilhosas que tinham a ver com a capoeira”, explica Tikhomiroff. A produção faz uma licença poética para expor a beleza da capoeira em um filme de ação que se passa nos anos 20.

Antes do lançamento de "Besouro", houve uma forte repercussão pela internet. O trailer estreou no portal "G1" e uma hora depois, uma versão já estava no site "YouTube". “Por contrato o trailer seria exibido por apenas uma hora no portal 'G1'. Depois alguém gravou a imagem que estava no portal, colocou no 'YouTube' e virou um fenômeno”. Em apenas três dias, o trailer foi visto mais de 180 mil vezes.

O diretor entregou o roteiro para a Mãe de Santo Carmem na Bahia. “Mãe Carmen fez uma reza para mim e disse que eu estava liberado para fazer o filme”. "Besouro" recebeu a benção de Mãe Carmem e agora tem a chance de receber a benção dos espectadores no dia 30 de outubro.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

NO PALCO DO CINEMA

Filmes e peças de teatro caminham de mãos dadas em diversas adaptações para as telas e para os palcos

O cinema é uma arte, na verdade ela é considerada a sétima arte numa lista de onze: música, dança, pintura, escultura, teatro, literatura, cinema, fotografia, história em quadrinhos, videogame e arte digital em 2D e 3D. Atualmente essas mídias se misturam numa arte simbiótica numa jornada de adaptações sem fim. O cinema dialoga com todas as outras artes. O teatro é uma delas. Elas se alimentam uma da outra em centenas de filmes e peças.

O teatro surgiu na Grécia Antiga, no séc. IV a.C., com a representação de lendas referentes a deuses e heróis. O teatro é o local físico onde se realiza o drama frente à uma audiência. O grande cineasta francês Georges Méliès (1861-1938) é considerado por historiadores como aquele que levou o teatro para o cinema. Ele tinha uma sala de teatro chamada Robert Houdin. Lá ele encenava histórias simples sobre o cotidiano.

Em 1895, com o advento do cinema pelas mãos dos irmãos Auguste e Louis Lumière, Méliès passou no ano seguinte a realizar suas primeiras produções cinematográficas. A inspiração teatral está presente em seus filmes, caracterizado pelo plano fixo, em que não há movimentação da câmera, a construção do quadro (ambiente da cena) e a interpretação dos atores bem marcada e exagerada para explicitar ao público o que acontecia, já que na época os filmes eram mudos. Ele se especializou em fazer filmes com efeitos especiais como o fantástico "Un Homme de Têtes" (1898).

Com o passar dos anos tanto o teatro como o cinema ganharam linguagens próprias, mas mesmo assim seguindo uma relação estreita. Muitas das obras do escritor William Shakespeare foram parar no teatro como "Romeu e Julieta" e "Sonho de uma Noite de Verão". E consequentemente as peças foram parar no cinema. O ator e diretor Lawrence Olivier se enveredou nesse campo adaptando obras teatrais de Shakespeare para o cinema: "Hamlet" (1948) e "Ricardo III" (1955).

Dentre os elementos que diferenciam o cinema do teatro estão no espaço da presença ao vivo do ator e da plateia havendo a interação entre eles. No cinema se expande o espaço cênico, criado pela movimentação dos atores, já no teatro se trabalha com o espaço limitado. No cinema só se vê o que o enquadramento da câmera mostra. No teatro o espectador quem escolhe o que quer ver. No cinema há o paralelismo em que duas ou mais histórias acontecem ao mesmo tempo gerando fluência para quebrar a ideia de teatro. No cinema, o primeiro plano (enquadramento do tronco à cabeça) serve para a construção do drama. No teatro se vê o chão, o teto, e os atores.

ADAPTAÇÕES
Quanto a adaptação de uma peça de teatro para o cinema, o que se deve observar é como o diretor define a sua visão da peça para o filme. Para exemplificar, a peça "Boca de Ouro" (1960), escrita por Nelson Rodrigues começa em um consultório no qual o personagem principal, Boca de Ouro pede ao dentista que extraia todos os seus dentes e substitua por uma dentadura de ouro. No filme, de 1962, o diretor Nelson Pereira dos Santos opta por começar com um prólogo em que se inventa uma bibliografia do Boca que na peça não existe.

Muitas obras teatrais foram adaptadas para o cinema e vice-versa. Este ano passaram pelos palcos brasileiros a adaptação de "Madame Satã", que narra a trajetória de João Francisco dos Santos, um malandro transformista, homossexual e bom de briga, que se tornou figura emblemática na noite carioca. No cinema ele foi vivido por Lázaro Ramos. Outra produção que virou peça foi "Salò ou os 120 Dias de Sodoma", clássico do diretor italiano Pier Paolo Pasolini em que jovens são submetidos a diversas formas de tortura e humilhação em ciclos intitulados de Círculos da Mania, Merda e do Sangue.

A peça "Novas Diretrizes para Tempos de Paz" ganhou sua versão para o cinema, chamada "Tempos de Paz". Os atores Tony Ramos e Dan Stulbach que contracenaram no teatro entre 2002 e 2003, reprisam seus personagens no longa dirigido por Daniel Filho. O sucesso cinematográfico "Divã", também é uma adaptação teatral com a atriz Lília Cabral nas duas versões. O filme "As Pontes de Madison" (1995) com Clint Eastwood e Meryl Streep tem atualmente sua versão teatral em São Paulo. Os atores Marcos Caruso e Jussara Freire estão nos papéis principais na história de amor entre um fotógrafo e uma dona-de-casa casada. A peça fica em cartaz até o dia 20 de dezembro.

INFANTIS E MUSICAIS
Um público que tem muitas opções de filmes adaptados para o teatro é o infantil. Desenhos animados da Disney como "A Bela e a Fera", "A Pequena Sereia" e "A Dama e o Vagabundo" encantam a criançada. Da televisão para os palcos há "Cocoricó, uma Aventura no Teatro" e "Pucca Ao Vivo". E a aventura "Homem-Aranha: Ação e Aventura" empolgará a garotada com os saltos e voos do aracnídeo no Rio de Janeiro até o dia oito de novembro.

O musical é outro gênero de sucesso no teatro. O Brasil cultiva a onda de adaptação de filmes musicais americanos que por sua vez são adaptações de espetáculos apresentados na avenida Broadway, em Nova York. Em 2004, a atriz Danielle Winits encarnou a sensual Velma Kelly no musical "Chicago", que era uma peça americana e que também ganhou uma esplendorosa versão cinematográfica ganhadora de seis Oscar em 2003, incluindo melhor filme.

Os musicais da Broadway, "Os Produtores" e "Hairspray" são sucessos recentes nos palcos brasileiros. E o responsável pelas adaptações é o multifacetado Miguel Falabella. O filme "Primavera para Hitler" (1968) de Mel Brooks, foi adaptado para o teatro nos Estados Unidos em 2001 e em 2005 ganhou uma nova versão para o cinema. No Brasil, Falabella se inspirou no espetáculo musical, que fez enorme sucesso no ano passado.

A atual empreitada de Falabella é "Hairspray", adaptação do musical de mesmo nome, que ganhou uma adaptação para o cinema, com John Travolta na pele da mãe protetora Edna Turnblad. Por aqui, a peça tem Edson Celulari vivendo o mesmo personagem que Travolta interpretou no filme. Para quem mora no Rio de Janeiro e quiser conferir a peça aproveite, pois o musical foi prorrogado até o dia 1° de novembro. Cinema e teatro, duas artes que com suas linguagens próprias acabam em um bom casamento no território das adaptações.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ESQUENTANDO AS TURBINAS

Leon Cakoff fala sobre a 33° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, evento que começa dia 23 e vai até 5 de novembro

Os cinéfilos de plantão terão um grande motivo para passarem duas semanas dentro de uma sala escura. É a 33° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que acontece entre 23 de outubro e 05 de novembro numa maratona com o que há de melhor na cinematografia mundial. Leon Cakoff, organizador da Mostra de Cinema conversou com o NO MUNDO DO CINEMA sobre o evento que tem mais de 500 filmes selecionados. Dentre os destaques estão "Crimes de Autor" (França), "O Amor Segundo B. Schianberg" (Brasil), "Sede de Sangue" (Coreia do Sul), "Super Star" (Irã), "Metropia" (Suécia) e "500 Dias Com Ela" (Estados Unidos). Filmes de todos os cantos do mundo para todos os gostos.

O senhor pode adiantar o que haverá na 33° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo?
LEON CAKOFF -
O circuito de salas vai se expandir contando agora com o Multiplex Marabá para exibir os filmes da Mostra. A lista dos filmes que vão participar ainda não foi fechada, ainda estamos selecionando as produções. Este é o momento mais nervoso. Estamos correndo contra o tempo. E a vontade é de nunca fechar a lista de selecionados (risos), de fazer uma Mostra permanente.

Há alguma novidade nesta 33° edição?
CAKOFF -
O que estará agregado a Mostra este ano é o Prêmio Itamaraty para o Cinema Brasileiro. Este é o quarto ano do Prêmio. Antes ele tinha como sede o Festival Internacional de Cinema de Brasília. E agora vem para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. É um prêmio itinerante.

O que dá para adiantar?
CAKOFF -
Há coisas muito boas da Alemanha, Israel, França como sempre, Coreia, Canadá, Estados Unidos, Itália, Egito. Vem muitos filmes da Suécia. A ideia é trabalhar um acordo de co-produção entre Brasil e Suécia.

Para esta edição, quem são os convidados?
CAKOFF -
O cineasta Amos Gitai vem para a Mostra apresentar dois filmes. Há também a Fanny Ardant como diretora estreante e Theo Angelopoulos, que será um dos homenageados da Mostra. E muita gente nova. Essa é a nossa cara.

Quanto ao júri, como ele será composto?
CAKOFF -
São cinco personalidades internacionais compondo o júri. Ele ainda está em composição, estamos aguardando algumas respostas. Confirmado temos o crítico francês Jean-Michel Frodon, os diretores Goran Paskaljevic ("Os Otimistas") e Ali Özgentürk (que participou da 7° edição da Mostra com o filme "Cavalo" – 1982) e também o Marco Bechis, diretor italiano de filmes como "Terra Vermelha", "Garagem Olimpo". Ele é muito ligado a América Latina, já filmou temas com argentinos, brasileiros.

Como o senhor vê o cinema nacional que teve um crescimento de público em 2009?
CAKOFF -
Não importa o filme que está passando, o que interessa é estimular o hábito de ir ao cinema. Cinema é fundamental, um alimento para o espírito que não tem igual e é uma diversão. Recuperando este hábito o lucro é de todos, de toda a indústria cinematográfica, incluindo a independente. Ela também faz parte que é onde está o fermento das ideias.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

BOLO EM CAMADAS

Já foi o tempo que filmes infantis eram só para crianças. Hoje essas produções conseguem agradar a espectadores de todas as idades

Outubro é o mês que comemora o Dia das Crianças. E dar um presentinho para a criançada é obrigatório. Mas quando o assunto é cinema quem é presenteado não são só as crianças, mas também os adultos. Cada vez mais os filmes, em especial as realizadas pela indústria de Hollywood conseguem atingir diversas faixas etárias com suas produções. Os roteiros desses filmes são concebidos de maneira que seu variado público aprecie o filme de diferentes formas.

Enquanto os pequeninos se divertem com as trapalhadas dos personagens, os jovens e adultos se deleitam com o conteúdo repleto de piadas, ironias, referências e sátiras à sociedade. “Os roteiros são cuidadosamente pensados para que o adulto também curta o filme, e para que ele saia do cinema recomendando o filme para outros adultos, que levem seus filhos, e assim por diante numa corrente que vai engrossando as bilheterias”, afirma Celso Sabadin, crítico de cinema.

Muitos filmes do gênero estão longe de serem produções genuinamente infantis. As animações realizadas atualmente conseguem agradar a todas as faixas etárias. Já foi o tempo que os pais se martirizavam ao acompanhar seus filhos nas matinês da vida. “Mesmo que o filme seja para o público infantil, os produtores sabem que aborrecer um adulto com um roteiro fraco é péssimo negócio para as bilheterias”, declara o crítico de cinema.

A trilogia "Shrek" é um ótimo exemplo de como se consegue agradar as crianças e em especial os adultos. O ogro verde diverte a molecada com suas confusões em companhia do Burro e do Gato de Botas. Já os adultos se deliciam com o humor da história. Tanto é que em janeiro deste ano, uma empresa de pesquisas da Grã-Bretanha indicou que o primeiro filme da trilogia é a produção infantil favorita dos adultos.

A animação é o gênero que consegue muito bem ganhar um público tão diversificado. Os desenhos, em especial os realizados pela Disney/Pixar como "Monstros S. A.", "Procurando Nemo", "Carros" e "Wall-E" são experts nisso. As aventuras e o colorido das imagens chamam a atenção das crianças. Já para conquistar o coração do restante do público a peça chave é a caracterização e a humanização dos personagens. Ver animais falando, objetos criarem vida e eles demonstrarem sentimentos é algo que toca fundo no coração. Quem não se encantou e até derramou algumas lágrimas com o monstro Sulley, o peixinho Nemo ou o robô Wall-E que levante a mão.

Criança ou Adulto?

Na verdade, o que se percebe é que na indústria cinematográfica americana está havendo uma inversão de papéis. Tem-se uma adultização de produções infantis e uma infantilização das produções para adultos. A meta dos blockbusters é sempre ganhar muito dinheiro nas bilheterias. Com isso, os produtores tentam a todo custo, lançarem os filmes com uma classificação etária baixa, para um maior número de pessoas poder ir assisti-las. Resultado: os filmes ficam mais infantis, sem cenas fortes e com histórias bem “mastigadas”, apelando para as gracinhas.

Sabadin explica que isso acontece desde os anos 50 quando nos Estados Unidos a televisão provocou uma forte divisão no público. Os mais velhos e os de meia idade começaram a ficar mais em casa, vendo TV, enquanto os mais jovens e adolescentes continuaram nas ruas, indo aos cinemas. Dessa forma o crítico fala que os produtores perceberam que a grande plateia que lotava os cinemas do país era formada basicamente por jovens. “Desde aquela época, então, o cinema vem se infantilizando”.

Assim se passou a produzir filmes voltados para este público. Exemplos não faltam todos os anos. Da safra 2009 dois bons exemplos mostram essa tendência: "Transformers: A Vingança dos Derrotados" e "G.I. Joe: A Origem de Cobra". “De lá para cá, os temas se simplificaram, os filmes ficaram mais simplistas, a idade média dos atores-protagonistas desabou. O que é, hoje, um blockbuster? É um filme feito para quem gosta de pipoca, não para quem gosta de cinema. Isso porque o lucro está na pipoca, não no cinema. É só uma questão mercadológica”, analisa Sabadin. Independente da idade do espectador, a certeza está na qualidade das produções e na diversão do público cada vez mais diversificado.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

BANDO DE BASTARDOS

Quentin Tarantino junta forças com Brad Pitt para levar a história sobre uma matança de nazistas na Segunda Guerra Mundial em “Bastardos Inglórios”

“Nós vamos fazer apenas uma coisa: matar nazistas”. Com essa frase vinda do novo filme de Quentin Tarantino, o que se pode esperar é justamente muita matança. Uma matança sanguinolenta e genial em "Bastardos Inglórios". É isso que Tarantino em geral proporciona ao espectador em suas obras. Muitas delas já se tornaram clássicos contemporâneos como "Cães de Aluguel", "Pulp Fiction - Tempos de Violência" e "Kill Bill: Volume 1".

Tarantino é um dos mais interessantes diretores do cinema americano. Seus filmes são um show de direção e roteiro e possuem uma linha narrativa e estética vinda de influências cinematográficas e pop. Suas obras sempre possuem diálogos com altas doses de humor negro, as histórias são não lineares, os personagens possuem ligações entre si e os filmes são contados em capítulos. A trilha sonora pulsante é um personagem à parte e a violência sanguinolenta a principal marca de Tarantino. Com "Bastardos Inglórios" não é diferente. Brad Pitt se junta a Tarantino para contar a versão do diretor sobre a Segunda Guerra Mundial e nada mais adequado do que tratar a violência explorando o capítulo do Nazismo.

Numa França ocupada pelo exército alemão, um grupo de renegados soldados americanos e judeus conhecidos como Os Bastardos, estão prontos para dar aos nazistas o que eles merecem. Sim, judeus matando nazistas! O grupo é liderado pelo tenente Aldo Raine (Pitt) que faz apenas uma exigência aos seus soldados: trazer a ele 100 escalpos de nazistas. É uma tradição como a dos índios da América, que cortavam o escalpo e usavam como troféu de guerra. O grand finale do plano é uma matança em um cinema em Paris, que reúne a nata nazista, incluindo o líder Adolf Hitler, que se reúne para a pré-estreia de um filme. Definitivamente, uma ideia muito original vinda da mente de Tarantino para o fim da Segunda Guerra.

Para a missão, o grupo de Raine acaba tendo como nova integrante a atriz alemã e espiã disfarçada Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger). Paralelo a isso, a jovem Shosanna Dreyfus testemunha a execução de toda a sua família pelas mãos do coronel nazista Hans Landa (Christoph Waltz). A moça escapa e viaja para Paris, com a forjada identidade de dona e operadora de um cinema. Os fatos acabam cruzando os caminhos de Os Bastardos com os de Shosanna, enquanto ela planeja sua vingança sozinha.

Tarantino escreveu o roteiro de "Bastardos Inglórios" com a intenção de fazer um misto de filme de guerra com Spaghetti Western, popularmente conhecido por Bang Bang à Italiana, que traz a vingança como tema principal. O capítulo 1: “Era uma Vez... Uma França Ocupada por Nazistas” é belíssimo, uma verdadeira aula de cinema. A fotografia esplendorosa situa o espectador no ano de 1941 em uma casinha na França. Tarantino faz uma longa sequência em que o coronel Landa faz uma inspeção para saber se não há nenhum judeu escondido na casa do agricultor Perrier LaPadite (Denis Menochet). Os dois conversam “pacificamente” em um belo tom francês. Quando a conversa fica mais tensa, Landa pede licença para falar em inglês, já que o que tem a dizer não é algo agradável de se dizer na outra língua. Os atores estão maravilhosos. O prêmio de melhor ator que Waltz levou no Festival de Cinema de Cannes foi merecido. No final da cena há um enquadramento de moldura que vale a pena ser admirado.

"Bastardos Inglórios" é violento, mas não da forma exagerada e frenética como em "Kill Bill: Volume 1", por exemplo. Neste novo filme Tarantino está mais maduro. O filme é um espetáculo em todos os elementos cinematográficos. O diretor coloca em prática o fascínio que tem pelo cinema e faz seu melhor filme até agora. Ele utiliza planos longos, dando tempo para a ação se desenrolar . Cada ator explora de forma magnífica sua veia interpretativa e Tarantino também faz um resgate aos longos diálogos, cada linha talhada com precisão. O filme todo vale o apreço em seus mínimos detalhes.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

QUANTO DURA O AMOR?


Quanto Dura o Amor? É essa pergunta que o filme de mesmo título faz para o espectador. Em São Paulo, três pessoas vão vivenciar histórias de amor com prazo de validade para acabar. Marina, é uma jovem do interior que se muda para São Paulo e tenta se realizar como atriz. Lá ela vai dividir um apartamento com a advogada solitária, Suzana. No mesmo prédio vive o escritor Jay. São eles os personagens de um quebra-cabeça amoroso.

Na noite paulista, Marina conhece a cantora Justine e fica deslumbrada com ela. No dia dia do trabalho, Suzana e o colega Gil começam um namoro. E Jay se encanta com a prostituta Michelle. Cada um vai experimentar o gosto doce e amargo do amor. O filme foge de clichês românticos e mostra que alguns relacionamentos estão fadados ao fracasso e que isso faz parte da vida. Paixão, obsessão, ciúme, preconceito e cobiça são os ingredientes desta história. Afinal, nada é perfeito.

DUAS DOSES DE BUTLER


O bonitão Gerard Butler retorna com dois filmes: “A Verdade Nua e Crua” e “Gamer”. Cabe a você decidir qual tipo vai querer: um cafajeste que arrasa corações ou um herói com cara de poucos amigos. Se o seu caso é ir ver algo despretensioso, a pedida é “A Verdade Nua e Crua”. Nesta divertida comédia romântica, Butler interpreta Mike, um apresentador de TV que passa dicas machistas aos telespectadores. Ele surge no caminho de Abby, uma mulher romântica que trabalha como produtora de TV. Seus temperamentos vão bater de frente e provocar muitas farpas entre eles. Mas claro que os dois acabam se entendendo. “A Verdade Nua e Crua” é leve e adorável como toda boa comédia romântica deve ser.

Num futuro próximo, a febre são jogos de videogame em que os personagens são pessoas reais. O jogo Slayers dá ao jogador o controle total do ser humano em combates de tiro. Os personagens são prisioneiros, que se morrerem pouca falta farão. Mas Kable (Gerard Bulter) é diferente. Em todas as batalhas ele se safa para uma próxima etapa. Se Kable conseguir vencer 30 batalhas ele conquista a liberdade. É esta a regra de “Gamer”, novo filme da dupla de diretores/roteiristas Neveldine e Taylor, que haviam trabalhado juntos na bomba “Adrenalina”.

“Gamer” segue a mesma linha de “Adrenalina” com situações absurdas e até embaraçosas, uma ação incessante e fotografia granulada. O filme tem ação contínua, mas o problema de “Gamer” está no roteiro. A ideia de personagens de videogames serem reais é boa, mas acaba sendo muito confusa. Muitas coisas que acontecem na trama ficam sem explicações, cheias de arestas. Os personagens são muito caricatos. E o embate entre Kable e o vilão Ken Castle (Michael C. Hall, do seriado “Dexter”) não empolga.

O vilão é um caso a parte. O ator Michael C. Hall está canastrão, muito exagerado na pele de Castle. Ele é o responsável por uma das cenas mais estranhas do filme. Cantando “I’ve Got You Under My Skin”, de Frank Sinatra ele e seus capangas fazem uma coreografia antes de atacarem Kable. “Gamer” é um trem fora de controle. Neveldine e Taylor precisam de um freio para impedir que um absurdo como “Gamer” ganhe vida.

MULHER, O SEXO FORTE

"Salve Geral" que chega aos cinemas, vai muito além dos ataques do PCC ao mostrar a luta de uma mãe pela vida do filho

12 de maio de 2006, Dia das Mães. Esta data que era para ser de comemoração, se tornou um terror no estado de São Paulo. A capital parou. Tudo porque o líder da organização criminosa paulistana, Primeiro Comando da Capital (PCC) ordenou um “salve geral” que na gíria dos presos significa: dar o recado. O recado é dado e ataques são realizados com a invasão de delegacias, incêndio à ônibus e ameaças de bomba em aeroportos. O movimento acabou se alastrando também para outros estados como Mato Grosso e Paraná.

O filme "Salve Geral" explora este acontecimento pelo viés do olhar feminino frente a esta situação de caos. Rafa (Lee Thalor) é filho de Lucia (Andréa Beltrão), que é uma professora de piano. Em uma briga, ele acaba matando uma jovem. Rafa é condenado e a mãe vai procurar uma saída para que o filho tenha a sua pena diminuída. Durante as visitas ao filho na prisão, Lucia conhece a advogada Ruiva (Denise Weinberg). Ela presta serviços ao Professor, líder do Comando. Lucia percebe que Ruiva é mais do que uma advogada, com um papel importante na organização criminosa. A professora de piano pensando no futuro do filho, vai para o mesmo caminho.

Lucia e Ruiva são as peças centrais deste jogo perigoso em um mundo guiado pelos interesses. “No começo a Lucia não tem nada a ver com aquele mundo. Ela não entra ingenuamente, ela é tragada pela situação. Lucia tem uma precisão cirúrgica porque o filho dela está na boca do leão, então qualquer passo em falso ela vai perdê-lo para sempre. Ela parece doce, mas não é menos forte por isso. Pessoas doces podem ser excessivamente fortes e valentes”, declarou a atriz Andréa Beltrão em entrevista coletiva.

Para o diretor Sérgio Rezende, Lucia é o fio condutor do filme, uma mulher que vive no mundo da sensibilidade, meio no mundo da lua tocando piano, e que acaba numa linha muito tênue entre o bem e o mal. Para ele, as mulheres da história são o centro do filme. “É interessante mostrar o choque entre essas duas mulheres que jogam o jogo sem choradeira. A pretensa fragilidade das mulheres fica mais forte quando se mostra o oposto”, afirmou o diretor.

A atriz Denise Weinberg completa dizendo que não há um lado bom ou ruim. “No filme tudo é possível. Você pode sair na rua e sua vida virar do avesso. Estamos em uma época muito fugaz em que as coisas são o aqui e agora. Não dá muito para se planejar. Se o jogo é esse então vamos jogar ele agora”. Lucia e Ruiva lutam pela conquista da posição de comando neste jogo permeado pela violência, medo e sobrevivência.