terça-feira, 5 de julho de 2011

CRIADOR DE SUCESSOS

Na animação “Rio”, o diretor Carlos Saldanha faz de sua cidade natal uma atração para brasileiro e o mundo ver

Há dez anos, quando o carioca Carlos Saldanha trabalhava nos Estados Unidos como animador, ele imaginava fazer uma animação tendo sua cidade natal como pano de fundo.

Em 2002, ele começava a carreira como diretor em A Era do Gelo e com mais quatro filmes na carreira, incluindo as partes 2 e 3 de A Era do Gelo, finalmente Saldanha consegue ver sua Cidade Maravilhosa na animação Rio. O diretor e roteirista conversou com NO MUNDO DO CINEMA para falar sobre a produção e sobre a carreira. Confira!

Você teve a ideia de fazer “Rio” há dez anos. Da ideia ao projeto final, mudou muita coisa?
A ideia dos pássaros, a extinção das espécies isso não mudou. O que mudou é que na história original, quando pensava sobre o projeto, teve muitas notícias no jornal de que pinguins apareceram no Rio de Janeiro. Achei interessante em contar a história de um estrangeiro chegando ao Rio de Janeiro. Mas na época outros estúdios lançaram filmes com pinguins: os personagens de Madagascar, Tá Dando Onda e Happy Feet. Então eu desisti dessa ideia. Mas aí veio o Blu, mas com a mesma temática do estrangeiro.

A animação é muito realista quanto à cidade do Rio de Janeiro. Como sua equipe estrangeira conseguiu chegar a esse resultado com tanta precisão?
A equipe foi ao Rio de Janeiro e passou cinco dias durante o Carnaval. Eu queria que ela captasse a experiência de ter o contato com a cidade pela primeira vez e com isso, transmitir os sentimentos e impressões da cidade na animação.

Como um carioca, como é ver sua cidade natal na tela e o mundo abraçando o filme e sendo um sucesso internacional?
Nossa é ótimo! A animação está representando o Brasil e a responsabilidade é muito maior. É a oportunidade de abrir uma janela para as pessoas conhecerem o Brasil.

Qual parte do Rio de Janeiro, que quando você viu no filme, mais te tocou?
Para mim, a cena mais especial até hoje é a da asa-delta. Para mim como sequência, representa todos os elementos da história do filme: a beleza, essa coisa mágica do Rio de Janeiro, a aventura, a comédia porque acaba sendo um cena engraçada e a emoção, porque é a primeira vez que o Blu tem a experiência de voar.

É difícil escolher, mas qual personagem você acabou gostando mais?
É difícil! Você se apega à eles como se fossem filhos e você gosta do mesmo jeito de cada filho. Mas tem personagens que me surpreenderam, como a cacatua Nigel e o cachorro Luiz. Os outros eu já sabia que seriam bons, mas esses dois surpreenderam.

Como foi a escolha do elenco para a dublagem dos personagens?
Eu fico responsável pela escolha do elenco. Eu não preciso do rosto dos atores, só da voz e o talento de atuação de voz é muito importante. Quando eu faço a escalação eu nem vejo a foto do ator, eu só ouço a voz.

Tanto a trilogia “A Era do Gelo” quanto “Rio” tratam da questão ambiental e alguns dos personagens são animais em perigo ou em extinção. Essas são temáticas que sempre te interessou ou elas surgiram por acaso?
Um pouco das duas coisas. Particularmente em “Rio”, a temática começou justamente com a parte ambiental, a questão das aves em extinção. Eu gosto desses temas e falar disso é sempre bom.

Cada vez mais as animações deixam de ser somente para crianças e alcançando um público maior. Qual a importância hoje, em alcançar um público mais amplo?

Isso é imprescindível. Claro que há filmes que são mais infantis, outros mais adultos. Tentar achar esse meio termo é uma boa, porque as animações são muito rentáveis e os pais vão acompanhar os filhos no cinema e é preciso que esses filmes sejam familiares. Eu particularmente, gosto muito de fazer filmes familiares. Tenho uma família grande e gosto de poder ir ao cinema e compartilhar com eles a mesma experiência.

E como você encontra esse meio termo para agradar a um público diversificado?
Eu geralmente não gosto de histórias muito infantis. Por isso, eu procurar encontrar diálogos e elementos na história que às vezes a criança não percebe, a nuance que o adulto nota e a criança não.

A indústria americana está se interessando em realizar mais filmes no Brasil?
Aos poucos o Brasil começa a ficar conhecido. Este ano estamos tendo três filmes americanos realizados no Brasil. É preciso haver uma continuidade, mais incentivos, para isso continuar acontecendo, como já acontece em outros países, como a França e a Inglaterra.

Com você trabalhando nos Estados Unidos, como que o mercado americano identifica o mercado brasileiro?
O Brasil tem crescido muito, não só no mercado de cinema, mas no de DVD também, justamente pelo fato da economia estar estabilizada, o dólar estar baixo... O Brasil já está entre os dez mercados mais importantes no mundo.

Fale um pouco sobre o Blu-ray de “Rio”.
Tem os Extras tradicionais, como o making of, mas o melhor do Blu-ray é a tecnologia que proporciona uma qualidade de imagem e som. Com ele você consegue chegar o mais próximo do que se assiste no cinema e até às vezes com maior qualidade e o melhor é que você pode ter isso no conforto da sua casa. O Blu-ray está ficando cada vez mais acessível e quando se começa a ver um filme em Blu-ray você não quer saber mais de assistir em DVD.

Você acredita que o futuro da animação está no 3D?
A tendência é continuar. Enquanto tiver público querendo ver animação 3D, vamos continuar fazendo filmes nesse formato. E ele não atrapalha o processo de se fazer uma animação. Ele só agrega. Fazer animação em 3D é muito mais fácil do que realizar um filme em 3D em película. Na animação o 3D utiliza-se um recurso que já produz as cenas em três dimensões. Ele aumenta um pouco o orçamento e o tempo de produção, mas no final, compensa.

A realização de uma animação é um processo muito complexo. Como o diretor atua no comando de uma animação?
É um processo muito parecido com a filmagem de um filme em live-action. A primeira parte é trabalhar na dublagem dos personagens para aí partir para as outras partes da animação, utilizando as vozes para dar vida aos personagens. Fazer animação é o mesmo processo de uma linha de produção. No live-action você tem um set montado com câmera, luz, microfone, posicionamento dos atores. Na animação é tudo segmentado.

No dia sete de julho haverá uma exposição de “Rio”. O que será apresentado nessa exposição?
Vamos mostrar um pouquinho da arte de Rio. Por trás de uma animação há vários artistas, vários processos. Tem coisas que fazemos à lápis, outras em escultura. É interessante o público ver que nem tudo é digital e tudo tem um processo de evolução. Todo mundo já viu o filme e agora saberá como ele foi feito.

Você pensa em fazer um filme de live-action no futuro?
Eu penso em fazer, mas eu só faria se fosse um projeto de que eu gostasse tanto quanto um projeto de animação. É um desafio e tenho interesse sim.

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