sexta-feira, 2 de outubro de 2009

DUAS DOSES DE BUTLER


O bonitão Gerard Butler retorna com dois filmes: “A Verdade Nua e Crua” e “Gamer”. Cabe a você decidir qual tipo vai querer: um cafajeste que arrasa corações ou um herói com cara de poucos amigos. Se o seu caso é ir ver algo despretensioso, a pedida é “A Verdade Nua e Crua”. Nesta divertida comédia romântica, Butler interpreta Mike, um apresentador de TV que passa dicas machistas aos telespectadores. Ele surge no caminho de Abby, uma mulher romântica que trabalha como produtora de TV. Seus temperamentos vão bater de frente e provocar muitas farpas entre eles. Mas claro que os dois acabam se entendendo. “A Verdade Nua e Crua” é leve e adorável como toda boa comédia romântica deve ser.

Num futuro próximo, a febre são jogos de videogame em que os personagens são pessoas reais. O jogo Slayers dá ao jogador o controle total do ser humano em combates de tiro. Os personagens são prisioneiros, que se morrerem pouca falta farão. Mas Kable (Gerard Bulter) é diferente. Em todas as batalhas ele se safa para uma próxima etapa. Se Kable conseguir vencer 30 batalhas ele conquista a liberdade. É esta a regra de “Gamer”, novo filme da dupla de diretores/roteiristas Neveldine e Taylor, que haviam trabalhado juntos na bomba “Adrenalina”.

“Gamer” segue a mesma linha de “Adrenalina” com situações absurdas e até embaraçosas, uma ação incessante e fotografia granulada. O filme tem ação contínua, mas o problema de “Gamer” está no roteiro. A ideia de personagens de videogames serem reais é boa, mas acaba sendo muito confusa. Muitas coisas que acontecem na trama ficam sem explicações, cheias de arestas. Os personagens são muito caricatos. E o embate entre Kable e o vilão Ken Castle (Michael C. Hall, do seriado “Dexter”) não empolga.

O vilão é um caso a parte. O ator Michael C. Hall está canastrão, muito exagerado na pele de Castle. Ele é o responsável por uma das cenas mais estranhas do filme. Cantando “I’ve Got You Under My Skin”, de Frank Sinatra ele e seus capangas fazem uma coreografia antes de atacarem Kable. “Gamer” é um trem fora de controle. Neveldine e Taylor precisam de um freio para impedir que um absurdo como “Gamer” ganhe vida.

MULHER, O SEXO FORTE

"Salve Geral" que chega aos cinemas, vai muito além dos ataques do PCC ao mostrar a luta de uma mãe pela vida do filho

12 de maio de 2006, Dia das Mães. Esta data que era para ser de comemoração, se tornou um terror no estado de São Paulo. A capital parou. Tudo porque o líder da organização criminosa paulistana, Primeiro Comando da Capital (PCC) ordenou um “salve geral” que na gíria dos presos significa: dar o recado. O recado é dado e ataques são realizados com a invasão de delegacias, incêndio à ônibus e ameaças de bomba em aeroportos. O movimento acabou se alastrando também para outros estados como Mato Grosso e Paraná.

O filme "Salve Geral" explora este acontecimento pelo viés do olhar feminino frente a esta situação de caos. Rafa (Lee Thalor) é filho de Lucia (Andréa Beltrão), que é uma professora de piano. Em uma briga, ele acaba matando uma jovem. Rafa é condenado e a mãe vai procurar uma saída para que o filho tenha a sua pena diminuída. Durante as visitas ao filho na prisão, Lucia conhece a advogada Ruiva (Denise Weinberg). Ela presta serviços ao Professor, líder do Comando. Lucia percebe que Ruiva é mais do que uma advogada, com um papel importante na organização criminosa. A professora de piano pensando no futuro do filho, vai para o mesmo caminho.

Lucia e Ruiva são as peças centrais deste jogo perigoso em um mundo guiado pelos interesses. “No começo a Lucia não tem nada a ver com aquele mundo. Ela não entra ingenuamente, ela é tragada pela situação. Lucia tem uma precisão cirúrgica porque o filho dela está na boca do leão, então qualquer passo em falso ela vai perdê-lo para sempre. Ela parece doce, mas não é menos forte por isso. Pessoas doces podem ser excessivamente fortes e valentes”, declarou a atriz Andréa Beltrão em entrevista coletiva.

Para o diretor Sérgio Rezende, Lucia é o fio condutor do filme, uma mulher que vive no mundo da sensibilidade, meio no mundo da lua tocando piano, e que acaba numa linha muito tênue entre o bem e o mal. Para ele, as mulheres da história são o centro do filme. “É interessante mostrar o choque entre essas duas mulheres que jogam o jogo sem choradeira. A pretensa fragilidade das mulheres fica mais forte quando se mostra o oposto”, afirmou o diretor.

A atriz Denise Weinberg completa dizendo que não há um lado bom ou ruim. “No filme tudo é possível. Você pode sair na rua e sua vida virar do avesso. Estamos em uma época muito fugaz em que as coisas são o aqui e agora. Não dá muito para se planejar. Se o jogo é esse então vamos jogar ele agora”. Lucia e Ruiva lutam pela conquista da posição de comando neste jogo permeado pela violência, medo e sobrevivência.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

ORDEM NO CANIL!

O fenômeno Dr. Pet chega agora em DVD com dicas e truques imperdíveis para quem quer dar um jeito nos maus modos de seu cão
“O cão é o melhor amigo do homem”. Essa frase é unanimidade entre as pessoas que têm cachorros de estimação. Eles são super companheiros, sempre prontos para muitas brincadeiras. Mas têm alguns que não resistem a destruir objetos e plantas, fazer xixi pela casa e pular nas visitas.

Para acabar com essa baderna eis que chega o Dr. Pet, fenômeno de audiência na televisão. O personagem é encarnado por Alexandre Rossi, zootecnista e especialista em comportamento animal que todas as semanas resolve os mais curiosos casos de mau comportamento canino.

Agora, chega as lojas o primeiro Box de "Dr. Pet" com dois DVDs com os quadros exibidos no programa "Domingo Espetacular" do canal Record. O legal do DVD é que os quadros são mais longos ao contrário do que é exibido na TV, o que favorece o melhor entendimento de cada caso. Como extras há o making of que mostra a trabalheira que é fazer cada quadro, que chega a envolver uma equipe de 50 profissionais.

E não é só em casa que os cães dão trabalho. No cinema, diversos filmes já mostraram a cachorrada aprontando muito, como em "Bethoven-O Magnífico", "Scooby-Doo" e "Uma Dupla Quase Perfeita".

"Eu adoraria tentar deixar o Scooby-Doo mais corajoso. Lidar com o medo é um desafio muito grande. O Scooby-Doo seria um desafio para mim. O Beethoven seria muito fácil de cuidar (risos). Cães bagunceiros ou agressivos costumam ser muitos fáceis. Os medrosos são os mais difíceis", declara Dr. Pet.

O DVD "Dr. Pet" é um material bem divertido para o espectador entender um pouco mais sobre esse ser adorável que é o cão e tratá-lo com dicas eficazes de forma a transformar e melhorar a vida do bichano.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O INCOMPREENDIDO

“Anticristo” provoca o espectador que não se conforma com as perguntas sem respostas do cinema de Lars von Trier

Lars von Trier é um cineasta experimental. Ele foi o fundador do movimento cinematográfico dinamarquês Dogma 95, que prega 10 mandamentos para se realizar um filme: filmagem com câmera na mão; em cores; em 35 mm; narrativa em tempo real e sem ações superficiais; não uso de fotografia, cenários e trilha sonora; o filme não deve ter um gênero e o nome do diretor não deve ser creditado. “Os Idiotas” foi um dos filmes desse movimento, dirigido por von Trier. Na trama um grupo de amigos se divertem exercitando a idiotia, após uma mulher do grupo encontrar três pessoas que sofrem do distúrbio.

Fora do Dogma 95, von Trier criou produções mais interessantes, como o musical “Dançando no Escuro” e o drama “Dogville”. Este último é um filme inusitado que traz Grace (Nicole Kidman) em meio à depressão econômica, que vai parar na cidade de Dogville. O atrativo fica por conta da ambientação da história, em que as casas não têm paredes, num ambiente bem teatral, que conduz o espectador a uma experiência surreal.

Experiência. Esse é o cerne do cinema de von Trier. Ele propõe ao espectador de seus filmes a experimentar situações. O cinema feito por ele é extremamente empírico, um exercício narrativo e estético. É preciso estar ciente disso ao se assistir aos filmes do cineasta. Tentar entender a história, o porquê dele usar determinado artifício, porque tem tal cena, enfim. Isso não cabe julgar e perguntar no cinema de von Trier.

"Anticristo"
A partir disso chega-se ao filme “Anticristo”, nova produção do diretor que tem causado um auê entre espectadores e críticos. O filme tem uma trama simples em que Ele (Willem Dafoe) e Ela (Charlotte Gainsbourg) são um casal que sofre o luto do filho que morreu acidentalmente. Ela tenta a todo custo expurgar essa dor pela falta do menino. Os dois decidem ir a uma casa na floresta, como forma de superar o sofrimento.

Pois bem! De uma trama simples o espectador é jogado no experimento cinematográfico de von Trier. A produção é dividida em três capítulos: Luto, Dor e Desespero. O prólogo da história é simplesmente belíssimo, todo em preto e branco e em câmera lenta, ao som da ária da ópera Rinaldo composta por Händel que mostra a tragédia iminente da morte do filho.

O capítulo 1: Luto mostra a pesar de Ela pela falta do filho. Uma tristeza comparada aos sintomas que um usuário de drogas sente na fase de abstinência. O luto é como uma desintoxicação da dor pela morte da criança. Ela é conduzida pela emoção, já o marido pela razão. Ele é psicoterapeuta e ajuda a esposa a passar pelos estágios do luto. A clínica de reabilitação é a casa na floresta Éden em que mãe e filho passaram as férias juntos. O tratamento consiste em a esposa dizer ao marido quais seus grandes medos.

No capítulo 2: Dor, Ela passa a ter pensamentos que distorcem a realidade. A mulher considera que a natureza que os cerca é a igreja de Satanás. As brigas entre o casal se tornam recorrentes. Em uma cena surreal, uma raposa diz a Ele que o caos reina. E reina mesmo. Desespero e confusão se misturam ao caos na relação do casal.

No capítulo 3: Desespero se aborda o feminicídio, em que Ela considera o Éden, as coisas que matam as mulheres. Com o passar do tempo, a mulher se torna maquinadora. O pânico é instaurado. No epílogo a conclusão do caos.

“Anticristo” é considerado polêmico por causa das cenas explícitas de sexo, pelo conteúdo misógino e a perversidade nas cenas de violência, que estão mais para “Jogos Mortais” do que qualquer outra coisa. É muito barulho por nada. Há uma comoção descabida por ele. O que há demais nisso tudo? O que acontece é que “Anticristo” incomoda o espectador justamente pela subversão da história, que cutuca princípios morais e pessoais de cada um.

O cinema de von Trier não foi feito para ser entendido e é isso que causa inquietação no público, que quer a todo custo entender o que se pretende com “Anticristo”. Este é o grande problema enfrentado pelo espectador. As interrogações tomam conta do imaginário dele atordoado pelo experimento vivenciado. “Anticristo” não foi feito para ser gostado ou odiado. Ele não dará respostas ao público. É uma experiência e nada mais do que isso.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

NOVOS TERRITÓRIOS

Diretor Murilo Salles investe com a distribuidora Cinema Brasil Digital no mercado de home video com lançamentos em DVD como o recente "Nome Próprio"

O cineasta Murilo Salles acaba de lançar a distribuidora Cinema Brasil Digital, que tem o mesmo nome de sua produtora. Conversei com ele para saber mais detalhes dessa nova empreitada. Os primeiros títulos lançados em DVD pela distribuidora foram quatro importantes filmes de Salles: "Nunca Fomos Tão Felizes" (1984), "Faca de Dois Gumes" (1989), "Como Nascem os Anjos" (1996) e "Nome Próprio" (2008). O plano do Cinema Brasil Digital é se inserir futuramente no mercado de video-on-demand (transmissão de filme via internet por download). Segundo Salles esse é o caminho para se ter mais audiência para o cinema nacional. Confira a seguir trechos da entrevista.


Quais são os planos do selo Cinema Brasil Digital no mercado de home video?
Temos um contrato com a Riofilme e a ideia é lançar aos poucos, de dois em dois meses, títulos recentes e também relançar alguns clássicos do cinema brasileiro. Queremos criar um novo tipo de distribuidora que disponibilize conteúdo digital pela internet, focada no produto brasileiro. Inicialmente vamos trabalhar no mercado tradicional de cinema, videolocadoras e sell-thru. E começamos a pesquisar possíveis plataformas para a distribuição via internet.

Esse seria o caminho para o cinema nacional ter mais audiência?
A audiência do cinema nacional será pela internet. Estamos começando com o mercado de DVD para adquirir experiência e chegarmos depois como uma distribuidora via internet. O nosso foco é a distribuição de material digital, o video estreaming (download e execução de filmes).

Os filmes seriam lançados em video-on-demand?
Seria uma forma de download pago, um VOD popular, mais barato. Estamos trabalhando há três meses na questão de tecnologia para ser viável tecnologicamente.

Como o senhor vê o desempenho dos filmes nacionais no mercado de videolocadoras?
Antigamente havia uma rejeição da classe média contra o cinema brasileiro. Isso mudou muito nos últimos 15 anos. Agora vemos um namoro da classe média com a produção nacional. A videolocadora que eu frequento no Rio de Janeiro, comprou o filme "Nome Próprio" e desde então eu não o vejo na prateleira. (risos). Estou todo orgulhoso. O preconceito ainda existe na cabeça de alguns donos de videolocadoras que separam filme nacional de estrangeiro. É uma prática boba fazer essa separação. Qualquer filme brasileiro por causa dos atores conhecidos, da história, eles têm uma demanda maior que muito filme estrangeiro. Se tivesse uma maior mistura dos filmes, ia ter mais saída dos nacionais.

O senhor que trabalha agora com distribuição sente o impacto da pirataria?
A crise que as locadoras estão enfrentando por causa da concorrência com a pirataria é um absurdo. É impressionante. Eu lancei Nome Próprio em DVD e no dia seguinte passou a ter milhares de sites que dão download do filme. A pessoa aluga na locadora e coloca na internet. Eu não entendo porque a União Brasileira de Vídeo (UBV) não denuncia isso para a Polícia Federal. Na internet tudo é rastreável. Por que eles não estão trabalhando mais sério nisso. As videolocadoras que pagam impostos sofrem uma concorrência desleal. Eu sou novo nesse mercado e não entendo porque as associações não trabalham nisso de forma mais efetiva.

Sobre o programa Cinema do Brasil, o senhor acha que a parceria internacional em co-produções e distribuição é a forma de consolidar a produção nacional?
Totalmente. É uma questão de mercado, de fluxo de dinheiro e produção. Não podemos ficar só concentrados no mercado brasileiro. Os cineastas têm de estar preocupados em vender o seu produto lá fora. Está havendo também o fomento por parte do governo, que eu acho muito inteligente. É uma saída como prospecção de capitar investidores. Não podemos mais pensar localmente. A ideia de fazer a distribuição de conteúdo pela internet é que por exemplo: um japonês interessado na cultura brasileira vai entrar no site do Cinema Brasil Digital e fazer um download de um filme brasileiro. Ele não tem condições de ir numa locadora de lá e locar um filme brasileiro.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

CONTINUAÇÕES À VISTA

Grandes produções e personagens conhecidos devem retornar em breve numa telona perto de você

Fazer sequências é uma das grandes especialidades de Hollywood e a fábrica não para e promete para os próximos anos grandes retornos. Sylvester Stalonne volta para uma quinta aventura do destemido John Rambo. A produção já tem até uma sinopse. Desta vez Rambo enfrentará chefões do narcotráfico e traficantes de seres humanos para salvar uma menina sequestrada. Será que "Rambo 5" terá a mesma dose de violência e sangue do quarto filme?

Outro que já ganha contornos é "Missão Impossível 4". O ator Tom Cruise e o diretor J.J. Abrams vão trabalhar juntos novamente. Mas desta vez Abrams ficará apenas com o cargo de roteirista, que vai compartilhar o trabalho com Josh Applebaum e Andre Nemec. Os três se conhecem desde a época do seriado "Alias". O filme deve chegar aos cinemas em 2011.

Ainda no campo da ação a Columbia Pictures já contatou um roteirista para escrever a história de "Bad Boys 3". Ainda é cedo para saber se toda a equipe do filme vai se reunir para esta terceira parte: os atores Will Smith e Martin Lawrence, o diretor Michael Bay e o produtor Jerry Bruckheimer. Com o sucesso dos filmes antecessores não há dúvidas que eles vão se juntar para mais ação.

Outro projeto de Bruckheimer que está mais do que confirmado é a quarta parte de "Piratas do Caribe". Já circula pela internet que o vilão da história teria uma persona no estilo do Capitão Nemo, que aparece em obras do autor Júlio Verne. A produção estreia em 2011.

Na área de adaptações de quadrinhos a Fox demonstrou interesse em fazer um recomeço para "Quarteto Fantástico". O produtor Akiva Goldsman de filmes como "Eu Sou a Lenda" e "Hankock" foi escalado para a nova adaptação. Mas um retorno que tem deixado muita gente entusiasmada é a de Superman. As especulações correm solta e o nome dos irmãos Wachowski (da trilogia "Matrix") circulam com cada vez mais força. Eles ficariam responsáveis pela produção. A direção está a cargo de James McTeigue ("V de Vingança"). Ele já disse que a história terá um tom sombrio. Um campo bem interessante se explorar.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

1° FILME DA CELLULOID DREAMS BRASIL

Produtora anuncia o primeiro filme, que será dirigido por um dos sócios da Celluloid, Heitor Dhalia

Começam em novembro as filmagens do primogênito da produtora Celluloid Dreams Brasil, intitulado de "Depois da Ilha". O filme será dirigido por Heitor Dhalia, que é um dos sócios da produtora ao lado de Patrick Siaretta, Tatiana Quintella e Fernando Menocci.

Você pode conferir aqui em NO MUNDO DO CINEMA uma entrevista realizada com os sócios da Celluloid. Na ocasião Dhalia comentou sobre esse novo trabalho ainda em processo de pré-produção: “Em novembro vamos começar a filmar um projeto sobre relacionamentos e descobertas. Ainda não tem título e nem elenco escalado. Eu ainda estou acabando o roteiro”.

Agora o projeto, orçado em R$ 6 milhões ganha nome e locações já que será filmado em São Paulo e Fernando de Noronha. Fernando de Noronha será uma locação especial para Dhalia, pois ele é pernambucano.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

PRODUZINDO SONHOS

Equipe de peso está à frente da Celluloid Dreams Brasil, produtora de filmes nacionais que tem parceria com a sede francesa na venda dos filmes no exterior

A Celluloid Dreams é uma bem sucedida produtora e sales company internacional de filmes independentes. A sede é na França e tem como proprietária, Hengaméh Panahi. Agora a produtora finca os pés por aqui com a Celluloid Dreams Brasil. À frente da companhia estão quatro sócios: Heitor Dhalia, Patrick Siaretta, Tatiana Quintella e Fernando Menocci.

Dhalia é o diretor criativo da produtora e é um dos grandes nomes do cinema nacional, responsável por interessantes produções como "Nina", "O Cheiro do Ralo" e o recente "À Deriva". Siaretta é proprietário do Grupo Casablanca/Teleimage (produtora de finalização). Quintella tem larga experiência na área de Marketing e é idealizadora do Pólo Cultural e Cinematográfico de Paulínia. Menocci atuou como produtor executivo do documentário "Coração Vagabundo".

A Celluloid Brasil irá exclusivamente produzir filmes e co-produzir projetos de outros produtores. A sede francesa ficará responsável pela venda internacional dos filmes produzidos. É um trabalho em conjunto para atender tanto o mercado nacional como o internacional. Eu fui até o escritório da Celluloid Dreams bater um papo com Dhalia, Siaretta e Quintella. Na descontraída conversa eles falaram sobre os planos e expectativas da produtora Celluloid Dreams Brasil.

Como vocês enxergam o mercado do cinema nacional?
Siaretta -
Hoje em dia é muito difícil ganhar dinheiro com cinema no Brasil. O mercado brasileiro é muito pequeno. Nós temos um universo de 2.000 salas que é muito pouco. O Brasil é um dos países que tem menos salas por habitantes no mundo. Não há como considerar o Brasil como indústria cinematográfica, enquanto não se tiver um mercado internacional. A produção tem que se pagar e dar lucro.



E o que têm a dizer sobre o sucesso das comédias nacionais?
Dhalia -
É uma tradição brasileira. É um gênero local por excelência. A produção tem melhorado. Nós temos um lado Macunaíma, não dá pra negar. Mas eu torço para que a qualidade melhore em todos os gêneros e plataformas. O Brasil não tem que fazer só esse gênero, mas todos. E isso já está acontecendo.
Quintella - Esses filmes têm uma qualidade de atores e roteiro e por isso é bem aceito.

Como foi o lançamento da Celluloid Dreams Brasil em Cannes?
Siaretta - Foi incrível. A Hengaméh Panahi é uma precursora de todos os grandes movimentos. Ela foi a primeira a se lançar no segmento de vendas de filmes iranianos no mundo. Ela que começou a selecionar filmes de vários países e vendê-los em vários territórios do mundo. Antigamente ninguém fazia isso. É importante salientar que se tinha um mercado muito maior de filmes antes da crise. Todos os filmes se vendiam em todos os países. Hoje o mercado encolheu dramaticamente a ponto de um filme ter de ser excelente. Um filme bom já não funciona mais. E para um filme ser excepcional ele precisa ser trabalhado de forma muito cuidadosa.
Quintella - A recepção foi ótima, mas teve muita gente que nos procurou para fazer distribuição. Explicamos que o nosso foco é produção local.


Então a Celluloid Brasil será um selo de produção?
Siaretta -
A Celluloid Brasil não vai só produzir o que criamos, como também vamos co-produzir projetos de outros produtores. Estamos analisando diversos projetos com produtores independentes. Tudo claro, vai passar pelo crivo da Hengaméh e do Heitor. E os melhores projetos vão ser co-produzidos por nós. Eles então serão distribuídos pela Celluloid Dreams internacional.
Quintella - Também vão ter minisséries, programas de TV tanto para canais abertos e fechados.


Como a Celluloid Dreams faz a captação de recursos para a realização dos filmes?
Quintella -
Isso depende de cada filme...
Siaretta - Claro que usamos todos os tipos de incentivo: Artigo 1° e 3° da Ancine (Agência Nacional de Cinema), Funcine (Fundos de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional), PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Fundo Setorial e em muitos casos, recursos internacionais. Para vendas vamos abusar da nossa sócia francesa (rsrsrs) para que ela faça as pré-vendas internacionais.

Como é a estratégia desde a captação de recursos até a estreia de um filme quando se tem um nome conhecido, internacional envolvido no projeto? Como no caso de "À Deriva" que tem Vincent Cassel, Deborah Block.
Dhalia -
Tudo começa no roteiro, na natureza do projeto. Depois vem o elenco, que cada vez mais o mercado está amadurecendo e funcionando como no mercado americano, em que se atenta muito a questão do elenco. Mas é uma combinação de fatores: qualidade do projeto, viabilidade financeira e comercial e relacionamento com as distribuidoras. Aqui na Celluloid, o Patrick e a Tatiana são responsáveis por essa parte. É o criativo e o negócio trabalhando juntos. Um empurrando o outro.
Siaretta - Não existe um casting bom, sem um bom roteiro. Os atores leem os roteiros e se eles gostarem eles topam fazer um projeto.
Dhalia - Ou então você tem que pagar muito pelo ator (rsrsrs). E não é esse o caso da Celluloid Dreams.

Como vocês veem o mercado de filmes de arte no Brasil?
Dhalia -
Acho que está amadurecendo. A ponte entre cinema de arte e comercial tende a se estreitar. Claro que há autores que continuam a fazer um trabalho fechado e eu respeito isso. Com o amadurecimento do mercado, o diálogo com o público será maior. Essa é a única forma do cinema sobreviver de fato. É fazer um cinema que se expresse como de autor, mas que dialogue com alguma audiência. Senão, não haverá mais mercado para esses filmes. O grande segmento é a qualidade. Melhorar a qualidade dos nossos filmes seja comercial ou de arte, com mais diálogo com o público. Filme comercial sem qualidade não interessa. Nosso mercado merece mais. Filme de qualidade ruim por mais que faça uma bilheteria sazonal não ajuda a construir um mercado consistente.
Siaretta - Hoje, filme de autor não se vende mais. O filme de autor está migrando para uma plataforma digital. Inclusive é um projeto que temos, o video-on-demand, para distribuição digital de filmes. Isso já funciona nos Estados Unidos e na Europa e o próximo é o Brasil.

Falem um pouco mais sobre esse trabalho com video-on-demand?
Siaretta -
O video-on-demand (VOD) são para filmes autorais. Esse é o caminho para os filmes autorais. Porque realmente as salas de cinema para filmes de autor estão fechando. Está cada vez mais difícil.
Dhalia - Com a plataforma digital há uma segmentação maior. Mesmo um mercado de nicho vai sempre existir. Ele vai se aperfeiçoar e se sofisticar um pouco mais. Claro que o circuito de exibição até porque há pouca tela e muito filme, vai ficar cada vez mais restrito para os filmes que conseguem um certo diálogo com a audiência.

O que cada um traz de experiência para o desenvolvimento do trabalho na Celluloid Dreams?
Siaretta -
Tenho uma experiência grande em produção e co-produção. Já trabalhei em mais de duzentos filmes nas mais diversas etapas e também no lado internacional. Procuro participar de todos os festivais.
Quintella - Eu tenho formação em Marketing. Já trabalhei muito tempo na Warner e Sony na área de distribuição, para saber como funciona o mercado local e internacional. Implantei o Pólo de produção em Paulínia, o festival e o Film Commission. Foi uma coisa ousada me arriscar a fazer isso. Fui co-produtora de 18 projetos que foram aprovados. Essa base toda e ainda estar com essa dupla que admiro muito (rsrsrs). O Heitor que é um talento criativo, o Patrick que é um grande empresário. Somando cada um, faz uma parceria super importante. O Heitor fica responsável pela parte criativa.

Como está sendo a repercussão de “À Deriva”?
Dhalia -
O filme está tendo uma carreira ótima. Começou em Cannes e aqui as estreias foram emocionantes. O filme chega nas pessoas de forma tocante. Muitas lágrimas em todas as sessões. É muito legal quando isso acontece. Isso é raro, não é todo filme que consegue chegar assim fundo na plateia. Ele está tendo uma repercussão muito grande.


Heitor, como você está conciliando o trabalho na Celluloid e a produção de filmes?
Dhalia -
Em novembro vamos começar a filmar um projeto sobre relacionamentos e descobertas... Ainda não tem título e nem elenco escalado.
Quintella - Vamos filmar em novembro, mas em breve teremos todos os detalhes.
Dhalia - Eu ainda estou acabando o roteiro.

Para 2010, quais são os projetos da Celluloid Dreams?
Quintella -
Temos o filme "Uma Mulher e uma Arma", que será rodado em março na Patagônia. E depois faremos "Serra Pelada" que será realizado entre 2010 e 2011.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

CHEGANDO A MATURIDADE

"Up - Altas Aventuras", nova produção da Disney/Pixar é uma adorável animação sobre uma improvável amizade

A Pixar Animation Studios é a grande parceira da Disney no desenvolvimento de animações e é responsável também por criar adoráveis animações que encantam não só as crianças, como também os adultos. No começo ela era apenas uma companhia que desenvolvia softwares e hardwares de renderização. Daí o seu nome Pixar, que seria um pseudoverbo em espanhol que significa “fazer pixels”.

Em 1984, John Lasseter - atual diretor criativo da Pixar - deixou a Disney e se juntou a George Lucas para criar uma empresa de animação digital. A dupla se reúne no Festival de Cinema de Veneza que acontece até o dia 12. Lucas entregará o Leão de Ouro a Lasseter pelo conjunto da obra. E que obra. A primeira animação da Pixar foi o curta "Luxo Jr.", que foi indicado ao Oscar em 1987, na categoria de melhor curta-metragem de animação. No início, a Pixar ficava responsável pela parte criativa e a Disney pelo setor de distribuição. Houve alguns desentendimentos quanto a divisão dos lucros, mas em 2006 tudo se acertou quando a Disney comprou a Pixar por US$ 7,4 bilhões. "Toy Story" (1995) foi o primeiro longa-metragem da Pixar.

Em 2001, a premiação do Oscar criou a categoria de melhor animação e lá estava a Pixar representada por "Monstros S.A.". Mike e Sully não levaram a estatueta, mas em 2004 o peixe Nemo conseguiu levar o troféu pro fundo do mar. Os outros ganhadores foram "Os Incríveis", "Ratatouille" e "Wall-E". Esse último inclusive recebeu outras cinco indicações, o que mostra a versatilidade de uma animação que consegue competir em qualidade com produções em live-action (com atores reais). Brinquedos que ganham vida; monstros do armário; insetos, peixinhos e carros falantes; família de super-heróis, rato mestre em culinária e um robô que tem sentimentos ficaram na imaginação e no coração do público. Eles até fizeram muita gente grande chorar que nem criança com suas cativantes histórias. Agora chega uma dupla que promete mais uma vez encantar os espectadores com "Up - Altas Aventuras".

Nessa animação, o velhinho Carl Fredricksen é um vendedor de balões que tem um grande sonho: viajar para as florestas da América do Sul. O conveniente era ele ir de avião, certo? Bem, no caso do Sr. Fredricksen a viagem é um pouco diferente. Ele simplesmente prende milhares de balões à sua casa, que se desprende do solo e alça um grande voo até a América do Sul. Uma viagem no conforto do lar, acomodado na poltrona de sua sala é realmente algo genial. Mas seu sossego acaba quando ele descobre, tarde demais, que o danadinho Russell, um escoteiro de oito anos, está na varanda em pânico.

A produção mostra a relação entre dois opostos, um idoso e uma criança, que no meio de adversidades encontram um no outro o sentido da verdadeira amizade. De todos os filmes da Pixar, "Up" é o mais adulto, pois lida com sentimentos e questões que acontecem no dia-dia de qualquer pessoa. É essa a chave para o sucesso deste maravilhoso filme. Ele trata com muita delicadeza a história de vida de Fredricksen e emociona o público com a improvável amizade entre um velhinho e uma criança. E isso se deve a Pete Docter, diretor do filme que já havia dirigido "Monstros S.A." e escrito o roteiro de "Wall-E". Estas duas produções trabalham muito bem a emoção da história que contagia o público. Ele repete a fórmula com "Up".

Antes do início do filme há o curta-metragem "Parcialmente Nublado". Este mostra de forma genial, a origem dos bebês que são trazidos pelas cegonhas. Prepare-se, pois algumas lágrimas serão inevitáveis. "Up-Altas Aventuras" é uma viagem ao universo cada vez maduro da Pixar. Já foi o tempo que desenhos eram só para os pequeninos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A VOLTA DA BOA SACANAGEM

“Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas” chega aos cinemas com o velho estilo escrachado do seriado de televisão

A série “Os Normais” foi um grande sucesso enquanto esteve no ar entre 2001 e 2003. No calor do momento chegava no ano seguinte à extinção do seriado, o seu longa-metragem intitulado “Os Normais - O Filme”. A produção mostra como começou a história de amor de Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) num formato tradicional de comédia romântica cinematográfica. Seis anos depois e agora é lançado a segunda parte: “Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas”. Para Torres esse espaço de seis anos foi necessário para o público sentir saudade.

O novo filme entra no gás que o seriado tinha com a agilidade dos diálogos e dos acontecimentos. É uma forma do público matar saudade das desventuras amorosas de Rui e Vani. É um episódio longo do seriado como o tempo da história numa noite só. Rui e Vani já estão noivos há 13 anos e eles estão loucos para dar uma renovada na relação. E para eles nada melhor do que chamar uma mulher para um ménage à trois.

Fernanda Young, co-roteirista do filme ao lado do marido Alexandre Machado considera o ménage a história ideal para Rui e Vani. A ideia de buscar alguém para salvar um relacionamento. “O ménage é uma coisa que passa na cabeça de todo casal. Lá pelas tantas você acha que é capaz. Todo mundo pensa nisso enquanto casal. Uma terceira pessoa num relacionamento de 13 anos é sempre um amante excluído, o segredo, a mentira. Acho bonito que eles queiram uma outra pessoa incluída no amor deles”, revela a roteirista em coletiva de imprensa.

Durante a entrevista a equipe do filme foi questionada sobre o porquê de se fazer um ménage com duas mulheres e não com dois homens. Para a roteirista é muito mais estético e mais fácil de ser entendido pelo público. Guimarães comentou que no programa já se apresentava esse aspecto do Rui com mulheres ou a possibilidade de Vani se relacionar com uma amiga. “Mas se fosse por esse caminho de um ménage com dois homens iríamos para um filme francês, seria um outro filme” (risos), conta o ator. “E está provado nos anais que é melhor um homem e duas mulheres” (risos), completa Torres.

O humor exposto no filme é rasteiro, similar ao que era no seriado, mas a exploração da sexualidade em “Os Normais 2” é um capítulo além do seriado, já que se tem mais liberdade para abordar essa questão no cinema do que na televisão aberta. “Nesse filme aumentamos o tamanho da sacanagem. Procuramos explorar uma sexualidade brincalhona, como se fosse a volta da boa sacanagem, aquela sacanagem que está nas mesas dos bares, no banheiro feminino e procuramos levar isso pro filme. Esse é o ganho em relação ao seriado”, declara o diretor José Alvarenga Jr.

Na tela é inegável a química entre os atores Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres. O bom do filme é a interação deles com o humor nos diálogos e na comédia física em cena. “Eu tinha uma saudade de estar com o Luiz em cena. Apesar de sermos amigos, não nos encontramos muito. Deu pra matar saudade do Luiz, dos personagens, do texto, do Alvarenga. E tínhamos saudades do humor escrito pela Fernanda e o Alexandre”, conta a atriz. E segundo ela o resgate aos personagens depois de seis anos demorou só 15 minutos. “Chegamos para fazer a primeira cena e estávamos lentos e o Rui e a Vani exigem uma rapidez”, diz Torres. “Criamos uma matemática de fala pro Rui e a Vani nesses anos que quando fomos retomar não era nossa mais. Tivemos que voltar a aquela agilidade nas palavras”, complementa Guimarães.

“Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas” estreia em um ano em que as comédias nacionais estão com tudo. “Se Eu Fosse Você 2”, “Mulher Invisível” e “Divã” arrasaram nas bilheterias brasileiras, o que mostra a força desse gênero. “Ter essa característica da comédia está na nossa história. A chanchada é um exemplo disso. O que acontecia era um preconceito dos artistas em fazerem comédia no cinema. Ainda bem que as comédias estão voltando. Não que seja um gênero que vai salvar o cinema brasileiro. Mas é um gênero necessário porque ele traz prazer, uma reflexão a partir desse prazer. Temos que pensar que o prazer é fundamental’, fecha o diretor de “Os Normais 2”. Então boa sacanagem e risadas pra você.