domingo, 14 de fevereiro de 2010

O ANO DO TIGRE

Pegando carona nas comemorações do Ano Novo Chinês, NO MUNDO DO CINEMA prepara uma seleção de filmes chineses que mostram um pouco do estilo cinematográfico do país

Dia 31 de dezembro é considerada em muitos países a data que comemora a chegada de um novo ano. Mas na China, a coisa é diferente. Neste país a celebração segue o calendário lunar, que representa a chegada da primavera por lá Este ano acontece no dia 14 de fevereiro. Cada ano possui um animal que o representa. 2010 é o ano do Tigre que tem como características a confiança, generosidade, reconhecimento e a impulsividade para alcançar os objetivos.

A China é o país mais populoso do mundo, com cerca de 1 bilhão e 320 milhões de habitantes. Ele é também uma das superpotências econômicas mundiais e dona de uma cultura milenar fascinante. Sob o poder de Mao Tse-Tung, a Revolução Cultural (1966-1976) tinha o cinema como instrumento de propaganda política. Após a Revolução surgiu a chamada Quinta Geração, que compreende o grupo de diretores que apareceram nos anos 80, como Zhang Yimou ("Lanternas Vermelhas") e Cheng Kaige ("Adeus Minha Concubina").

HISTÓRIA RECENTE
O país sob um regime comunista é rigoroso no controle dos meios de comunicação. Um exemplo disso é a restrição ao acesso a sites estrangeiros. O rigor também recai na indústria cinematográfica local sob a administração do Escritório de Cinema. Ele é um órgão estatal que administra a realização de filmes. Há uma exigência de que todos os filmes devem ser produzidos por estúdios oficiais e ele ainda tem o direito de vetar ou censurar uma produção caso essa não atenda as exigências do Escritório. Em função disso, alguns diretores caem na clandestinidade para terem liberdade criativa em seus filmes.

Quanto à exibição de filmes estrangeiros na China, somente em 1995 que foi permitida a entrada de filmes americanos no país. "O Fugitivo", com Harrison Ford foi a primeira produção hollywoodiana a ser exibida. Atualmente, apenas 50 podem ser importadas ao ano. Desses 50, dez são americanas e 15 são europeias A Organização Mundial do Comércio (OMC) repreende a limitação da entrada de produtos culturais no país e pressiona para que o número de filmes americanos a serem exibidos na China aumente para 20.

No que diz respeito a bilheteria chinesa, "Titanic" foi por 11 anos, o filme campeão, com um faturamento de 360 milhões de yuans (US$ 52 milhões). Em 2009 a invencibilidade do transatlântico foi quebrada duas vezes. Primeiro em julho com "Transformers: A Vingança dos Derrotados", com 450 milhões de yuans (US$ 65 milhões) e em dezembro, no qual "2012" superou "Transformers", com 460 milhões de yuans (US$ 67 milhões).

CINEMA DE AÇÃO
A cinematografia chinesa tem como destaque, as produções de ação com cenas de artes marciais. Bruce Lee é um grande representante do gênero em clássicos como "O Dragão Chinês", "A Fúria do Dragão" e "Operação Dragão". Após sua morte em 1973, o ator Jackie Chan foi o nome emergente ao misturar acrobacias com a comédia. "Arrebentando em Nova York" (1995) foi o filme que o lançou ao estrelato mundial. Os atores Chow Yun Fat e Jet Li também são expoentes do gênero nos filmes "Rajadas de Fogo" e "Punhos de Dragão".

O diretor John Woo fez o público delirar com suas histórias cheias de combates armados coreografados em "Bala na Cabeça" e "Fervura Máxima". Na fase em Hollywood, Woo fez grandes filmes de ação como o impecável "A Outra Face" e o incrível "Missão Impossível 2". O sensível Ang Lee se aventurou no gênero ao dirigir "O Tigre e o Dragão", com belíssimas lutas e muitos voos. O americano Quentin Tarantino possui influência do cinema de ação chinês nos filmes "Cães de Aluguel" e "Kill Bill: Volume 1" e "2". Esses e muitos outros filmes chineses com suas artes e tradições merecem ser descobertos.

A China em película
Seis momentos do país expostos em filmes

Alvo Duplo
(1986)
John Woo e Chow Yun Fat se reúnem neste filme de ação. Nele, dois irmãos vivem em mundos diferentes, um é policial e o outro criminoso. Mas com problemas surgindo, os dois se unem para acabar com um inimigo comum.

O Último Imperador
(1987)
Pu Yi se torna imperador da China aos três anos. Sua vida é regada de suntuosidade desde então, até que aos 24 anos ele é deposto do cargo e forçado a viver outra realidade.

Balzac e a Costureirinha Chinesa
(2002)
Dois universitários que vivem em Pequim são mandados para as montanhas a fim de terem uma reeducação cultural. Lá eles terão contato com clássicos da literatura ocidental, proibidos na época, como os do autor Balzac.

Herói
(2002)
Épico sobre um homem (Jet Li) que se rebela para derrotar um império e assim unir seu povo. Muita ação e beleza em um espetáculo de coreografias de artes marciais.

Kung-Fusão
(2004)
O diretor Stephen Chow, de Kung Fu Futebol Clube dirige está hilária comédia sobre um ladrão pobre que sonha em integrar uma gangue. Isso acaba provocando a ira dos donos de um cortiço cheio de mestres em kung fu.

A Maldição da Flor Dourada
(2006)
Durante a Dinastia Chinesa o imperador se casa e tem dois filhos. Com o passar dos anos a família se divide. O imperador regressa a sua casa para as comemorações do festival Chong Yang. Ao chegar, ele descobre segredos de sua esposa.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O QUE É QUE ESSE FILME TEM?

“Avatar” bate recordes de bilheteria por onde passa, mas o filme não passa de um mero filme de ação tradicional

1997, ano que estreava nas salas de cinema de todo o mundo a saga romântica e trágica de “Titanic”, que fez o público chorar e ficar de boca aberta com a destruição do transatlântico que o diretor James Cameron arquitetou na tela. 12 anos e mais de 1 bilhão de dólares depois, Cameron faz seu regresso com um gênero que ele sempre teve fascínio, a ficção científica, na produção “Avatar”. Cameron começou a escrever o roteiro do filme nos anos 90, mas a tecnologia existente na época não permitia colocar em prática o que estava no papel. Com o passar dos anos, as empresas de efeitos especiais Weta Digital e Industrial Light & Magic, foram criando novas plataformas tecnológicas para dar vida a história.

No filme, o século é 22 e Jake Sully (Sam Worthington de “O Exterminador do Futuro: A Salvação”) é um veterano de guerra que após um combate fica paraplégico. Jake se torna voluntário para participar do programa Avatar que pode fazer com que ele volte a caminhar. Ele é levado a cidade de Pandora, um planeta rico em minerais habitado pela raça Navi, que são seres humanóides com três metros de altura, cauda e uma pele azul brilhante. Além disso, possuem cultura e idioma próprios. Esses seres são fisicamente superiores aos humanos, por isso a chance de Jake voltar a ter o movimento das pernas. Em Pandora, os humanos não conseguem respirar o ar. Por isso, são criados os seres híbridos humanos-Navi, conhecidos como Avatars. Os Avatars são corpos controlados por “drivers”, tecnologia que controla a mente e a conecta ao corpo.

Jake se torna um Avatar, recupera os movimentos das pernas e se apaixona pela princesa da raça Navi, Neytiri (Zoe Saldana de "Star Trek"). Mas o que parecia ser uma nova e tranquila vida, logo se transforma em um combate no qual Jake deve decidir se fica do lado dos militares humanos que ele foi um dia ou dos Navis que ele acaba de se tornar.

James Cameron criou "Avatar" como forma de provocar nas pessoas a vontade de se assistir a um filme no cinema. Para isso ele se muniu da tecnologia IMAX 3D. O IMAX proporciona uma imagem nítida e som limpo em uma tela gigantesca de 16 metros de altura por 22 metros de largura. O 3D entra como ferramenta para criar a profundidade tridimensional do filme, o que permite o expectador vivenciar de perto a ação que acontece na tela.

O filme já acumula mais de US$ 2 bilhões em faturamento no mundo todo e tem nove indicações ao Oscar deste ano, incluindo melhor filme. Mas toda essa repercussão do filme não passa de muito barulho por nada. O roteiro do filme é bem simplório com uma clara mensagem contra o governo mundial, que cai como uma luva contra a liderança do ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush quanto a guerra infundada de atacar o terror com terror e o descaso com o meio ambiente.

“Avatar” é um filme de ação tradicional que não traz nada de novo. O 3D é incrível, mas nada de extraordinário. Talvez toda essa empolgação do público com o filme seja porque muitas pessoas que assistiram a “Avatar” tiveram seu primeiro contato com a tecnologia 3D e por isso tenham ficado muito abismados com as imagens em três dimensões. Mas "Avatar” não tem nada demais.

ESCALA OBRIGATÓRIA

"Amor Sem Escalas" mostra um homem cercado por pessoas, mas solitário

“Que merda eu sou?”. É esse questionamento que Ryan Bingham (George Clooney) faz quando analisa o que faz da vida em “Amor Sem Escalas”. Ryan é um consultor. A rotina dele é viajar pelos Estados Unidos demitindo funcionários de diversas empresas para a redução de despesas. Ele chega a passar 322 dias viajando e nesse vai e vem ele já conseguiu acumular 350 mil milhas. Sua meta é 10 milhões.

O filme explora com humor melancólico, um tema que os Estados Unidos viveu e vive após a crise econômica que sofreu em 2008. A demissão em massa em diversas empresas é ironicamente a chance de Ryan faturar alto. O consultor precisa treinar a jovem Natalie (Anna Kendrick) para o mesmo cargo e ensina todas as manhas para escapar das burocráticas etapas na hora de viajar de avião. Tudo o que as pessoas odeiam são lembretes agradáveis para dizer a Ryan que ele está em casa. Diariamente ele vive cercado de pessoas em aeroportos e aviões. Mesmo assim ele é um homem muito solitário.

No meio de tanta viajem o consultor conhece a bela Alex (Vera Farmiga) que causa uma turbulência nele e o faz perceber que a vida é bem mais interessante e além do que acumular milhas e ler revistas durante os voos. Assim Ryan percebe que a vida é melhor quando se tem companhia. "Amor Sem Escalas" concorre a cinco Oscar no dia sete de março nas categorias: diretor (Jason Reitman), ator (George Clooney), atriz coadjuvante (Anna Kendrick, Vera Farmiga) e roteiro adaptado. No filme, acompanhar Bingham em suas descobertas se torna uma adorável viagem no escuro do cinema.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

MUITAS VERDINHAS

Que o ator Taylor Lautner é talentoso e uma graça, isso as fãs de "A Saga Crepúsculo" já sabem. E todo esse charme está dando bons frutos ao rapaz, que interpreta o garoto lobo Jacob na série. Lautner, que hoje completa 18 anos entra para o time dos astros com cachês milionários. Para o seu próximo projeto, "Northern Lights" ele vai receber US$ 7,5 milhões e vai atuar com outro bonitão que fatura alto, Tom Cruise. Outro projeto engatilhado é a adaptação da linha de brinquedos "Max Steel". Neste ano Lautner será visto em "Idas e Vindas do Amor" que estreia no dia 19 de fevereiro e no aguardado "A Saga Crepúsculo: Eclipse" em 30 de junho.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

FIM DA MIRAMAX

Estúdio encerrou suas atividades em janeiro

No dia 28 de janeiro, o estúdio Miramax teve suas portas fechadas após 31 anos de negócios. Fundado pelos irmãos Bob e Harvey Weinstein, ele era considerado um estúdio para filmes de “arte”. Em 1993 o estúdio foi comprado pela major Disney, que anunciou em outubro passado, a redução das produções da Miramax. Filmes independentes e consagrados como "Pulp Fiction - Tempo de Violência", "O Paciente Inglês" e "Chicago" foram produzidos com o selo do estúdio.

Devido a desentendimentos entre os criadores do estúdio e o chefão da Disney, Michael Eisner, os irmãos Bob e Harvey criaram a Weinstein Company. Este novo estúdio produziu filmes recentes como "Nine", "Bastardos Inglórios" e "Direito de Amar". Mesmo com o fechamento da Miramax, filmes já realizados pelo estúdio têm seus lançamentos confirmados para 2010. "Don’t Be Afraid of the Dark" com Guy Pearce e Katie Holmes é um deles.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

DE TIRAR O FÔLEGO

Grande elenco com as mais belas atrizes do cinema se reúnem no sexy musical "Nine"

Nicole Kidman, Penélope Cruz, Kate Hudson, Marion Cottilard, Fergie e Sophia Loren juntas na tela? Sim. Esse elenco de belas estrelas desfilam em coreografias sensuais e insinuantes no musical “Nine”. As beldades ficaram sob a batuta de Rob Marshall, renomado coreógrafo de musicais que debutou como diretor no fantástico e ganhador de seis Oscar, “Chicago”.

“Nine” é baseado no musical homônimo, que estreou na Broadway em 1982. Este musical por sua vez foi inspirado no clássico “Fellini 8 ½”, em que Marcello Mastroianni vive o cineasta Guido, em plena crise de inspiração que não consegue encontrar uma ideia para o seu próximo filme.

Em “Nine”, Guido é interpretado por Daniel Day-Lewis. Ele passa por uma crise artística enquanto tenta fazer seu nono filme chamado "Itália". As filmagens começam em dez dias e ele ainda não tem um roteiro. Este é o seu dilema, como fazer um filme sem roteiro.

Em meio ao ócio criativo, Guido tem de lidar com um tormento pessoal ao ser perseguido pelas mulheres de sua vida: a esposa, Luisa (Cottilard); a amante, Carla (Cruz); a musa de seus filmes, Claudia (Kidman); a figurinista e confidente, Lilli (Judi Dench); a jornalista de moda, Stephanie (Hudson); a prostituta que conheceu durante a juventude, Saraghina (Fergie, do grupo The Black Eyed Peas) e a mãe, Mamma (Loren).

”Nine” é um verdadeiro resgate as grandes produções realizadas no passado, em especial, as feitas no complexo de estúdios italiano Cinecittà. O musical utiliza a metalinguagem para mostrar o filme dentro de um filme, com uma impecável reconstituição de época, que mostra os bastidores de produção no estúdio.

O filme é uma explosão de ritmos, coreografias e canções. Cada uma das mulheres da vida de Guido fazem seus números musicais. A aparição de Penélope Cruz como Carla é deliciosa em todos os sentidos. Ela está muito provocante na pele da amante carente. Sua performance musical é para deixar qualquer um de boca aberta. Incrível! Kate Hudson como a atrevida Stephanie está radiante ao cantar a vibrante canção “Cinema Italiano”. A cada número musical dá vontade de aplaudir. Marion Cottilard brilha como a esposa desiludida com o casamento. O olhar, a fala e seu gestual faz o espectador sentir sua dor de mulher traída. A única que não consegue empolgar infelizmente é Nicole Kidman em um número musical sem ânimo.

O diretor mantém a fórmula que fez em “Chicago”, em que os personagens não param uma conversa para cantar. Os números musicais são independentes ao que corre na trama. Eles são uma fantasia de cada personagem em relação ao que acontece. No caso das mulheres é a forma como cada uma delas veem Guido. Mas “Nine” não consegue ser superior a “Chicago”. Talvez por ser uma adaptação de uma peça, o filme acabou ficando muito teatral, o público na plateia e as encenações musicais em um palco. As mulheres de Guido aparecem muito pouco. Mas mesmo com alguns deslizes, “Nine” consegue agradar a quem adora ver um personagem soltando o gogó na tela.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

ASTRO BOY

O garoto robô Astro é um personagem que surgiu nos anos 60 como série animada japonesa de TV, criada por Osamu Tesuka. Agora tardiamente, o menino de cabelo espetado ganha uma versão cinematográfica, roteirizada inclusive por Tesuka.

No filme “Astro Boy” o Dr. Tenma tem um filho de quem se orgulha muito, Toby. O garoto de 13 anos é muito curioso e certo dia vai escondido até a empresa em que o pai trabalha para ver a nova descoberta dele. Mas tanta curiosidade faz com que Dr. Tenma perca Toby para sempre. Inconsolável ele cria um robô programado com todas as lembranças do filho a partir de um fio de cabelo. O robô possui um avançado sistema de defesa, assim o pai não corre o risco de perdê-lo de novo.

Será que um robô consegue ser semelhante a um ser humano? É isso que Dr. Tenma questiona. Ele acha que o robô é brilhante como Toby, mas diferente. O problema é que toda vez em que ele olha para o robô, lembra que Toby se foi. Esta tristeza irreparável faz com que Dr. Tenma o abandone. O robô vai parar na Superfície, uma espécie de depósito de lixo, cheio de robôs estragados. Lá ele encontra um grupo de crianças e ganha o nome de Astro.

Apesar de temáticas sombrias como a morte e o abandono, “Astro Boy” foi criado para agradar o público infantil, em especial os meninos. A animação é repleta de ação. Astro é um robô que usa seus artifícios tecnológicos para se tornar um herói e assim quem sabe reconquistar o amor de seu criador/pai. É uma produção singela que funciona mais na tela pequena como uma Sessão da Tarde descontraída. Sem muitas aspirações.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

NOITE EQULIBRADA

A premiação do Globo de Ouro opta pela diversidade e elege “Avatar” e “Se Beber, Não Case” os melhores filmes de 2009

Equilíbrio. Esta foi a palavra que guiou a cerimônia do 67° Globo de Ouro, ontem em Los Angeles. Com um tapete vermelho encharcado por causa da chuva que caía do lado de fora do hotel The Beverly Hilton, local da festa, o grande ganhador da noite foi a ficção científica “Avatar”. Ela levou os prêmios de melhor filme e melhor diretor para James Cameron que teve reconhecido seu extenso trabalho de pesquisa tecnológica para a concepção do filme.

Este resultado é um forte indicador de que a cerimônia do Oscar que acontece em sete de março terá um gostinho de repeteco. Em 1998, a premiação agraciou “Titanic”, também de Cameron, com 11 Oscar. Com esta vitória de "Avatar", a chance da produção levar troféus nas principais categorias é grande. Nos quesitos técnicos, isto já é garantido. A bela animação “Up - Altas Aventuras” também conquistou dois prêmios: melhor animação e melhor trilha sonora.

“Amor sem Escalas”, “Bastardos Inglórios” e “Nine” eram os fortes concorrentes da noite. Os dois primeiros levaram apenas um prêmio cada: melhor roteiro e melhor ator coadjuvante para Christoph Waltz, respectivamente. O musical “Nine” saiu de mãos abanando.

2009 foi uma boa safra de filmes e no período de premiações fica difícil escolher qual é o melhor. Foi duro ver Quentin Tarantino indicado a melhor diretor e roteirista, não levar nada pelo seu genial “Bastardos Inglórios” e o sexy “Nine” não ganhar na categoria melhor filme musical ou comédia. “Se Beber, Não Case” que fez um estrondoso sucesso de público, acabou conquistando os votantes do Globo de Ouro ao levar o prêmio nesta categoria.

A revelação Carey Mulligan que tem sido a queridinha das premiações por sua atuação em “Educação” foi preterida e Sandra Bullock levou o prêmio na categoria melhor atriz em drama por “O Lado Cego”. Meryl Streep que concorria contra si mesma na categoria melhor atriz em comédia por “Simplesmente Complicado” e “Julie & Julia” levou seu Globo de Ouro por este último. Quanto aos homens o favorito Jeff Bridges ganhou o prêmio de melhor ator em drama por “Coração Louco” e o sempre maravilhoso Robert Downey Jr. por seu “Sherlock Holmes” na categoria ator em comédia. No campo televisivo, a série "Mad Men" foi a eleita melhor drama e "Glee" na categoria comédia ou musical.

O melhor da festa foi a apresentação do mestre de cerimônias, Ricky Gervais que não largou seu copo de cerveja e ousou fazer piada com Mel Gibson: “O próximo apresentador é um cara que adora beber. Deem as boas vindas a Mel Gibson”. O ator que sempre teve problemas com a bebida foi preso em 2006 por dirigir embriagado e fazer comentários anti-semitas ao policial que o prendeu. A plateia não resistiu e caiu na risada. O ano só está começando e muitas premiações ainda vêm pela frente.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

SUCESSOS DE PÚBLICO

Programa Vá ao Cinema levou 2,2 milhões de estudantes ao cinemas em 2009

O projeto Vá ao Cinema, da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo tem levado crianças e jovens ao cinema para verem filmes nacionais. Ele visa a distribuição gratuita de ingressos de cinema, destinados a alunos do ensino médio de escolas da rede pública. O projeto serve para a formação e fomento voltado para o cinema nacional.

Em 2010 o Vá ao Cinema entra em seu terceiro ano após ótimos resultados em 2009. Foram 115 municípios participantes com um público de 2,2 milhões de estudantes, superando o número de 2008 que foi de 1,9 milhão. O filme "Verônica" tem uma temática do cotidiano escolar no qual uma professora (Andréa Beltrão) da rede municipal precisa levar um aluno para casa. No trajeto precisam lidar com muitos perigos. Este foi o filme mais popular entre os espectadores do projeto. Ele foi assistido por 158 mil estudantes.

Segundo André Sturm, coordenador da Unidade de Fomento e Difusão de Produção Cultural (UFDPC) da Secretaria da Cultura de São Paulo, este foi um índice de aproveitamento de quase 95%. “Outro ponto importante foi ver muitos filmes de carreira discreta em seus lançamentos, com enorme sucesso, como o caso do filme 'Verônica'. Ele é um excelente filme e teve uma carreira muito aquém de seu potencial. No programa levou mais de 150 mil pessoas às salas. Isso mostra o potencial de diversos filmes brasileiros que ficam perdidos seja pelo oligopólio da distribuição, seja pelo preço dos ingressos”.

Para Sturm, não há dúvidas em afirmar que esse programa do governo do de São Paulo é um dos maiores, se não o maior programa cultural do país devido ao número de pessoas alcançadas. Para 2010, a programação ainda não está definida. São os donos das salas de cinema participantes quem escolhem os filmes a serem exibidos. “Neste ano pretendemos que o programa continue a ser esse grande sucesso e pelo menos manter o mesmo número de vales trocados nos cinemas”, afirma Sturm.

Filmes mais vistos no programa Vá ao Cinema

"Verônica": 158 mil
"A Ilha do Terrível Rapaterra": 154 mil
"Tainá - Uma Aventura na Amazônia": 144 mil
"O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes": 132 mil
"Brichos": 129 mil
"Oriundi": 84 mil

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

"ELEMENTAR MEU CARO WATSON"

O detetive Sherlock Holmes ganha um filme cheio de estilo pelas mãos do diretor Guy Ritchie

Cachimbo, casaco, chapéu e um quê de arrogância são características de um dos personagens mais intrigantes da literatura inglesa, o detetive consultor Sherlock Holmes. Das páginas dos livros de Arthur Conan Doyle para as muitas adaptações para a televisão e o cinema, agora ele retorna no filme "Sherlock Holmes" com seu charme clássico misturado ao estilo moderno do diretor Guy Ritchie.

Uma tendência muito forte em Hollywood está nos prequels no qual mostra o surgimento de personagens famosos como Batman em "Batman Begins", James Bond em "007 Cassino Royale" e mais recentemente Wolverine em "X-Men Origens: Wolverine".

Aqui Ritchie não segue o mesmo caminho, ele já parte para o trabalho especializado de Holmes no meio de um caso envolvendo o Lorde Blackwood, interpretado por Mark Strong, que repete a parceria com Ritchie após "RocknRolla - A Grande Roubada". Blackwood é perseguido pela agência da Scotland Yard por uma série de assassinatos, alguns deles envolvendo ritos de magia negra. Holmes ajuda no caso para capturá-lo.

Resolvido o caso, Holmes entra em uma crise de marasmo, louco para surgir uma nova investigação. E é isso que ele consegue, já que preso, o Lorde vai dar muito mais trabalho do que imaginavam, com grandes acontecimentos iminentes. O plano dele é criar um futuro com novas regras com a tomada do poder no Parlamento. Seu instrumento para a vitória será impregnar o medo na população com ameaças malignas.

Na pele do detetive Sherlock Holmes está o sempre ótimo Robert Downey Jr. e o fiel amigo e parceiro nas investigações, o Dr. Watson é vivido por Jude Law. Holmes é um homem ardiloso. Para ele os detalhes são as coisas mais importantes. Ao entrar em um cômodo, astutamente percebe as características do ambiente e das pessoas presentes. “O crime é comum, a lógica é rara”. É com essa afirmação que o detetive se joga nos casos em emaranhados de peças no quebra cabeça do qual se trata uma investigação. Ainda na história há a ladra Irene Adler (Rachel McAdams) adversária de Holmes, que conseguiu enganá-lo duas vezes graças ao poder do seu charme.

O filme tem um roteiro esperto com uma avalanche de diálogos ágeis muito deles enleados, típico do cinema de Ritchie. Outra marca forte é o humor tantos nos diálogos quanto em cenas físicas. O som é um recurso usado de forma pouco costumeira. O som não serve para se fazer ouvir o estardalhaço em cenas barulhentas como brigas ou uma grande explosão. Na produção os ruídos são abafados para contrastar com o que acontece em cena.

Outro ponto forte de "Sherlock Holmes" é o uso da câmera lenta e acelerada. Nas cenas de luta, a câmera lenta surge como instrumento para o detetive imaginar e explicar para o espectador os golpes que vai aplicar no seu oponente para em seguida a luta correr em tempo normal com rápidos cortes. Já a câmera acelerada serve como flashback para Holmes idear o que aconteceu. É elementar dizer que "Sherlock Holmes" é criativo e instigante num mundo de mistérios a serem resolvidos.