quinta-feira, 5 de novembro de 2009

FRISSON NA MOSTRA

Rodrigo Santoro marca presença na Mostra ao participar de debate sobre seu novo filme: "Eu Te Amo, Phillip Morris"

"Eu te Amo, Phillip Morris" é o mais novo trabalho do ator Rodrigo Santoro e mais um em sua filmografia internacional que só cresce. No filme, Steve (Jim Carrey) é um homem pacato com uma bela família. Mas ele é gay e por isso abandona a família e vai para Miami. Lá ele conhece Jimmy, personagem de Santoro, que passa a ser seu boy-toy. Steve chega a conclusão de que ser gay é muito caro e por isso passa a realizar trapaças e roubos que o levam a prisão. Na cadeia Steve conhece o amor de sua vida, o recatado Phillip Morris (Ewan McGregor). Eles vivem uma linda história de amor até que Phillip cumpre sua pena e se separa de Steve. Mas como no amor vale tudo, o vigarista vai fazer de tudo, tudo mesmo, para ficar perto de seu grande amor.

Santoro foi até a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) conversar com os alunos da instituição sobre o filme. NO MUNDO DO CINEMA não ficou de fora e esteve lá para trazer os principais momentos do debate.

Como você recebeu o roteiro do filme e como foi a sua preparação?
O roteiro chegou pelo meu agente. Eu tinha lido o livro antes do roteiro na verdade. Achei muito fiel. Trabalhamos um pouco com improviso. O Jim Carrey é um ator muito criativo. Às vezes ele achava que não estava bem e tentava fazer a cena de uma outra forma. Não tive muito tempo para a preparação, mas na verdade como o personagem tinha o drama da doença, eu tive que perder peso. Perdi muito peso e os diretores sempre ficavam comendo na minha frente (risos). E tivemos uma semana em Miami para a leitura do texto. Ouvi muita música dos nos 80, foi um flashback da minha adolescência que eu tenho a maior saudade.

Quais são suas expectativas com o filme?
Esta é a terceira exibição do filme. A minha impressão foi boa. Eu assisti ao filme só uma vez. Foi no Festival de Sundance e vi o filme numa sala cheia de pessoas que fazem filmes. Foi emocionante. É sempre difícil para eu ver um trabalho que fiz. E ver pela primeira vez com outras pessoas, você se sente duplamente exposto. Fiquei satisfeito com o trabalho que foi feito, mas sempre tenho a sensação de que ficou faltando alguma coisa, como ver que o take oito era melhor do que o take 2 e eles escolherem o 2 por outra razão. É difícil você se desprender dessa análise, mas eu estou aprendendo.

Há diferenças entre fazer filme no Brasil e nos Estados Unidos?
No final das contas é tudo igual. Esse é um filme independente, feito na raça, com uma equipe pequena, apesar de ter atores conhecidos como o Jim Carrey e o Ewan McGregor. Foi um filme feito por vontade de se fazer um filme. Eles não pediram cachês altos, estavam ali porque acharam o roteiro interessante e porque curtiram esses dois camaradas aqui (Glenn Ficarra e John Requa). Filme independente é filme independente, filme grande é filme grande. As relações de amizade são parecidas. Cinema demora. É difícil. Fazer o roteiro, ajeitar, trabalhar tudo. Depois tem a pós-produção e até o filme ficar pronto demora. Cinema é um processo demorado em qualquer lugar.

Você tem medo de ficar rotulado por fazer personagens homossexuais como nesse e em "Carandiru"?
Na verdade vou responder a essa pergunta matematicamente (risos). A minha preocupação é única e exclusiva com o personagem, nos conflitos, na jornada, no que ele passa, o que sente e como ele se transforma. Se pensarmos que já interpretei mais de dez personagens heterossexuais, há de se pensar que eu também sou rotulado como heterossexual (risos). E por acaso eu sou heterossexual (risos). Eu nunca tive problema em interpretar homossexuais. Com a Ladi Di em "Carandiru" foi o primeiro e foi uma experiência sensacional, um mergulho no ser humano. Ela passava por uma transformação corporal. Era uma outra história. Não me senti repetindo a experiência de interpretar um homossexual. E isso que é o mais interessante.

E quanto as cenas de amor cortadas no filme?
Saiu na imprensa daquele jeito né?: Cenas tórridas e eróticas foram cortadas... (risos). E não tem nada disso, não tem nada chocante. A decisão apenas foi tomada pelos diretores após a exibição teste do filme nos Estados Unidos. Isso é uma coisa muito comum por lá. Depois da sessão a plateia responde a algumas perguntas sobre o filme. E as pessoas ficaram focadas na história principal que tem o Jim Carrey e o Ewan McGregor. Nossa história até por causa da doença era um pouco apelativa e que não estava funcionando. Tem uma cena muito forte, pesada em que eu estou doente, machucado. E aí essa história estava puxando muito a atenção para isso. E aí eu não deveria ter tanto espaço dentro da trama. Os diretores até me ligaram, muito carinhosos e me deram a notícia do corte, mas que era um elogio. A cena tinha funcionado tão bem que teria que diminuí-la na história. Você não pode se apegar ao filme. Do jeito que está ficou melhor realmente.

Nos Estados Unidos os cachês são altos. Você está ganhando bem para fazer filmes no exterior?
Eu não estou rico, na verdade nunca vi a cor desse dinheiro, nem o cheiro (risos). A carreira internacional foi uma coisa que cruzou o meu caminho e resolvi seguir. Eu nunca trabalhei guiado pelo dinheiro. Trabalhar lá fora tem sido sensacional. Vivendo, viajando, conhecendo outras culturas. Além de trabalhar, a gente precisa viver bem.

A SUÉCIA EM VOGA

Mostra de Cinema abre espaço para a exibição de filmes suecos da nova geração de realizadores

Quando se pensa em cinema sueco, a primeira coisa que vem a cabeça são os filmes do cineasta Ingmar Bergman. As produções sobre a ansiedade feminina, solidão, sexualidade e morte ganharam notoriedade no mundo inteiro em filmes como "Morangos Silvestres", "Quando Duas Mulheres Pecam" e "Gritos e Sussurros". Bergman morreu em 2007, após isso, a Suécia tem revelado uma nova geração de diretores loucos para exporem suas visões sobre o mundo. Tanto que a Mostra de Cinema de São Paulo dedicou a 33° edição, um espaço para a Mostra Suécia, com interessantes produções, como "Quase Elvis", "Deixa Ela Entrar", "Bananas!", "Videocracia" e "Metropia".

Petter Mattsson, gerente de projetos da Swedish Film Institute expõe que na Suécia, quando um ingresso de cinema é comprado, 10% vai para a produção de filmes no país. “Também temos uma nova política no Swedish Film, para tornar os filmes mais fortes financeiramente. Nossa meta é financiar até 40% da produção. Por enquanto financiamos apenas 32%. Por outro lado houve uma mudança na mentalidade, principalmente após o que aconteceu com o cinema da Dinamarca na última década, em especial por causa de diretores como Lars von Trier. Eles têm uma filosofia de trabalharem juntos em vez de competirem entre si”, explica ele. Um exemplo do que Mattsson fala é a produtora sueca Atmo, criada pelos diretores Tarik Saleh e Erik Gandini. Há dez anos ela produz filmes e seriados com temas políticos e estéticas sofisticadas.

ENTREVISTA COM TARIK SALEH

Diretor sueco Tarik Saleh veio a Mostra de Cinema de São Paulo apresentar seu novo filme, "Metropia"
Uma estação de metrô, xampu para caspa e a boneca Hello Kitty juntos em uma teoria conspiratória? Sim. São esses os elementos por trás do original "Metropia". O ano é 2024, o mundo está ficando sem petróleo, e os subterrâneos são conectados por uma gigantesca rede de metrô que integra toda a Europa. Roger vive em Estocolmo e toda vez que Roger entra nessa rede, ouve uma estranha voz em sua cabeça.

Roger fica confuso e suspeita que há uma grande conspiração acontecendo e vai atrás de respostas. Mas essas respostas não serão respondidas de forma fácil. Aos poucos ele vai achando as peças desse quebra-cabeça conspiratório. Uma dessas peças é o xampu Dangst, que possui microchips que se infiltram no cabelo de quem usa. Isso permite o acesso a tudo o que a pessoa ouve e vê. O grande plano é usar uma boneca Hello Kitty para por fim as maquinações daqueles que querem dominar a população.

Tarik Saleh, diretor e roteirista da animação tinha como experiência anterior, a realização de documentários. "Gitmo" trata dos acontecimentos na Baía de Guantánamo, usada para aprisionar terroristas. E em "Sacrificio: Who Betryed Che Guevara", Ciro Bustos, tido como aquele que matou Che, revela a sua versão da história. Saleh conversou com o NO MUNDO DO CINEMA sobre o filme "Metropia".

Qual foi a técnica usada para realizar "Metropia"?"Metropia" é uma animação feita com uma nova técnica, superrealista chamada boneca de papel. Eu até brinco que é até mais realista do que os próprios filmes reais (risos). A técnica é baseada em fotografia, mas não é fotografia. Usamos as texturas das fotos, tiramos os olhos de um, a boca de outro, construindo cada personagem. Ele é em 2D, mas parece 3D.

Como foi a experiência de fazer uma animação?A impressão que se tem é de trabalhar de forma muito lenta. Cada animador, animava 12 segundos do filme, por semana. E como diretor, você trabalha em câmera lenta. As pessoas se espantam ao saberem que eu passei seis anos fazendo este filme. E não entendo (risos). A maioria das pessoas passa a vida inteira em um emprego que odeia. Eu adoro fazer filmes, então para mim não é problema ficar seis anos fazendo algo que eu amo. Poderia ficar 12 anos... (risos). Para mim, o mais importante nas animações é mostrar as sensações e diferentes emoções em imagens. Na animação isso é possível.

Como é o processo de realização de filmes na Suécia?Nós fazemos co-produções com muitos países e temos um orçamento bem baixo. Metropia foi um projeto de US$ 5 milhões e isso não é nada para realizar uma animação. O financiamento vem de uma comissão de editores, investidores e fundos que recebemos do Swedish Film Institute. A situação tem sido boa nos últimos anos. Desde a morte de Ingmar Bergman, é como se os diretores tivessem finamente aparecido. Eu adoro o trabalho dele, mas há uma geração tentando ser Bergman, e não é possível, só há um Bergman. Quando ele morreu, os diretores passaram a fazer coisas diferentes das que ele fazia.

Como o público sueco recebe os filmes locais?É algo abstrato. Nós não pensamos em número de espectadores. Se uma pessoa gosta do meu filme, já basta. Uns acham que filmes suecos são estúpidos filmes suecos (risos). Na verdade, os suecos não gostam muito dos filmes do Bergman. O resto do mundo adora, acha exótico, gosta de ver os dramas de mulheres histéricas... Mas na Suécia, as pessoas pensam: “Nossa, essa mulher parece a minha mãe!” (risos).

Antes de "Metropia", você fez documentários com temas políticos. Como foi trabalhar com esse gênero?Eu adoro trabalhar com documentários. Fazer documentários é ter uma ideia sobre o mundo e começar a olhar o mundo especificamente por essa lente. Muitas pessoas acham que documentário é mostrar a realidade. Mas não é. Algumas vezes ficamos com medo de pessoas do poder, porque elas ficam muito irritadas. Eu fiz "Gitmo", sobre a Baía de Guantánamo e toda vez que vou aos Estados Unidos, sempre sou interrogado. Mas sempre digo que sou apenas um cineasta (risos). Os militares ficaram muito irritados por causa das informações contidas no filme. Não tínhamos noção de que seria algo tão ruim. O filme provocou curiosidade, os americanos queriam saber o que diabos acontecia em Guantánamo. Então quando decidi filmar "Metropia" queria fazer um filme de “comédia” (risos).

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

CORAÇÃO AO VENTO

Caetano Veloso como se nunca viu é mostrado sem censura no documentário "Coração Vagabundo", dirigido por Fernando Grostein Andrade

Fernando Grostein Andrade, 28 anos, faz sua estreia em longa-metragem com o documentário "Coração Vagabundo". Nele, Caetano Veloso aparece cândido em suas aparições em São Paulo, Nova York, Tokio e Kioto durante a turnê "A Foreing Sound", fruto do álbum do cantor gravado todo em inglês. O filme chega às locadoras e lojas no dia quatro de novembro. Andrade conversou com o NO MUNDO DO CINEMA, em que dá mais detalhes sobre a experiência de conviver com um grande nome da Música Popular Brasileira.

Você dirigiu o clipe do Caetano Veloso da música Você Não me Ensinou a Te Esquecer (trilha sonora do filme Lisbela e o Prisioneiro). Foi desse encontro que surgiu a ideia de fazer Coração Vagabundo?
ANDRADE -
Foi esse encontro que provocou a série de eventos que levou ao Coração Vagabundo. Primeiro eu fiz esse clipe e como o trabalho foi super bem, a equipe me chamou para fazer o DVD musical do show A Foreing Sound. Durante o making of do DVD, eu estava com o Caetano em Nova York, ele estava fazendo um grande sucesso no exterior com uma série de shows no Carnegie Hall, matéria de página inteira no The New York Times... Aí o Caetano falou que na entrevista que ele deu ao Charlie Rose, grande entrevistador americano, ele se sentiu um provinciano: “Eu sou de Santo Amaro, eu vivi em Santo Amaro até os 18 anos de idade, não sou um cara de São Paulo que já nasceu achando que está no mundo”. Eu senti uma emoção muito forte e enxergava uma história pela qual me apaixonei, que é a história de um grande músico brasileiro, lançando um disco em inglês, fora do Brasil, fazendo sucesso e que não se sentia a vontade com isso, porque veio de uma cidade pequena. Eu achei isso muito interessante e me apaixonei pela ideia e comecei a fazer o filme.

Que Caetano você quis mostrar no documentário?
ANDRADE -
Quando eu comecei a fazer esse filme eu tinha 23 anos, o Caetano, 62. Eu nunca, nem de longe tive a pretensão de querer explicá-lo ou querer defini-lo porque eu não tenho escopo para isso. O que eu quis fazer foi mostrar um olhar sobre um momento da vida dele e de uma viagem de lançamento do disco. Quem vê o filme tem a sensação que está viajando com um amigo. É uma coisa bem leve e emocionante quando temos a participação do Antonioni, que foram as últimas imagens do cineasta em vida. As pessoas se emocionam nessa parte.

Como foi a sua interação com o Caetano durante as filmagens?
ANDRADE -
O filme foi feito praticamente com uma equipe de duas pessoas. Isso somado a ideia de não fazer uma entrevista com o Caetano, mas só filmar ele, criou um ambiente mais intimista e favorável a uma relação de amizade.

Como você avalia o mercado cinematográfico nacional, já que você é um diretor estreante?
ANDRADE -
Eu estou chegando agora e tenho a impressão que a indústria brasileira está amadurecendo, com produtos que conseguem aliar o lado artístico com o lado comercial. Eu comecei minha carreira em um momento em que dá para sonhar. Um tempo atrás isso era algo totalmente impensável. Graças a Andrucha Waddington, Fernando Meirelles, Guel Arraes, Hector Babenco dá para sonhar em fazer cinema. Eu cheguei no mercado no momento em que a parte mais difícil já tinha sido resolvida pelos nossos mestres.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O VOO DO BESOURO

Com boas cenas de ação e golpes de capoeira, Besouro aterriza nos cinemas

“O besouro é preto que nem eu, mas voa”. É assim que o menino Manoel se identifica com o inseto. O filme "Besouro" traz a história deste garoto, nascido em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano (BA). Ele cresce e suas proezas físicas com a incrível agilidade na capoeira fazem dele, como o bicho, voar literalmente. Por isso, o apelido se torna seu novo nome: Besouro Mangangá. O Mangangá é uma espécie de besouro que provoca uma dolorosa ferroada. Besouro é assim. Em uma luta, briga de forma ágil e depois some. Ele fica popular e consequentemente vira o herói de um povo reprimido pela pobreza e o preconceito.

Besouro tem como inimigo o Coronel Venâncio, assassino de se seu grande guia, Mestre Alípio. Mas para enfrentar o Coronel, Besouro terá de se preparar e muito. No meio da mata ele se recolhe. Lá ele encontra as suas forças pelo poder dos Orixás. “Os fragmentos da história falavam que ele tinha uma relação com o sobrenatural, que ele tinha o corpo fechado, nem uma faca ou bala o atingia. Isso é o que me encantou no personagem e então eu viajei nas asas do Besouro”, declara João Daniel Tikhomiroff, diretor da produção.

O filme aborda dois pilares da cultura afro-brasileira, o candomblé e a capoeira e apresenta esses elementos ao público de forma criativa, expondo figuras míticas, além das coreografias de capoeira. A produção é alegórica, os golpes de capoeira ganham contornos fantásticos para fazer de Besouro um ser intocado.

O longa chama atenção justamente por causa das cenas de ação. Em meio a chutes, Besouro ganha “asas”, dá piruetas no ar, pula, voa. “As referências que eu tinha de beleza coreográfica de ação eram os filmes "O Tigre e o Dragão", "Matrix", "Herói" e "Kill Bill". E aí o produtor, Caíque Martins Ferreira chamou o coreógrafo Dee Dee, que tinha feito todos esses filmes. No meu encontro com ele, levei vídeos de capoeira. Na preparação houve um respeito muito grande aos golpes. Ele criou coreografias maravilhosas que tinham a ver com a capoeira”, explica Tikhomiroff. A produção faz uma licença poética para expor a beleza da capoeira em um filme de ação que se passa nos anos 20.

Antes do lançamento de "Besouro", houve uma forte repercussão pela internet. O trailer estreou no portal "G1" e uma hora depois, uma versão já estava no site "YouTube". “Por contrato o trailer seria exibido por apenas uma hora no portal 'G1'. Depois alguém gravou a imagem que estava no portal, colocou no 'YouTube' e virou um fenômeno”. Em apenas três dias, o trailer foi visto mais de 180 mil vezes.

O diretor entregou o roteiro para a Mãe de Santo Carmem na Bahia. “Mãe Carmen fez uma reza para mim e disse que eu estava liberado para fazer o filme”. "Besouro" recebeu a benção de Mãe Carmem e agora tem a chance de receber a benção dos espectadores no dia 30 de outubro.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

NO PALCO DO CINEMA

Filmes e peças de teatro caminham de mãos dadas em diversas adaptações para as telas e para os palcos

O cinema é uma arte, na verdade ela é considerada a sétima arte numa lista de onze: música, dança, pintura, escultura, teatro, literatura, cinema, fotografia, história em quadrinhos, videogame e arte digital em 2D e 3D. Atualmente essas mídias se misturam numa arte simbiótica numa jornada de adaptações sem fim. O cinema dialoga com todas as outras artes. O teatro é uma delas. Elas se alimentam uma da outra em centenas de filmes e peças.

O teatro surgiu na Grécia Antiga, no séc. IV a.C., com a representação de lendas referentes a deuses e heróis. O teatro é o local físico onde se realiza o drama frente à uma audiência. O grande cineasta francês Georges Méliès (1861-1938) é considerado por historiadores como aquele que levou o teatro para o cinema. Ele tinha uma sala de teatro chamada Robert Houdin. Lá ele encenava histórias simples sobre o cotidiano.

Em 1895, com o advento do cinema pelas mãos dos irmãos Auguste e Louis Lumière, Méliès passou no ano seguinte a realizar suas primeiras produções cinematográficas. A inspiração teatral está presente em seus filmes, caracterizado pelo plano fixo, em que não há movimentação da câmera, a construção do quadro (ambiente da cena) e a interpretação dos atores bem marcada e exagerada para explicitar ao público o que acontecia, já que na época os filmes eram mudos. Ele se especializou em fazer filmes com efeitos especiais como o fantástico "Un Homme de Têtes" (1898).

Com o passar dos anos tanto o teatro como o cinema ganharam linguagens próprias, mas mesmo assim seguindo uma relação estreita. Muitas das obras do escritor William Shakespeare foram parar no teatro como "Romeu e Julieta" e "Sonho de uma Noite de Verão". E consequentemente as peças foram parar no cinema. O ator e diretor Lawrence Olivier se enveredou nesse campo adaptando obras teatrais de Shakespeare para o cinema: "Hamlet" (1948) e "Ricardo III" (1955).

Dentre os elementos que diferenciam o cinema do teatro estão no espaço da presença ao vivo do ator e da plateia havendo a interação entre eles. No cinema se expande o espaço cênico, criado pela movimentação dos atores, já no teatro se trabalha com o espaço limitado. No cinema só se vê o que o enquadramento da câmera mostra. No teatro o espectador quem escolhe o que quer ver. No cinema há o paralelismo em que duas ou mais histórias acontecem ao mesmo tempo gerando fluência para quebrar a ideia de teatro. No cinema, o primeiro plano (enquadramento do tronco à cabeça) serve para a construção do drama. No teatro se vê o chão, o teto, e os atores.

ADAPTAÇÕES
Quanto a adaptação de uma peça de teatro para o cinema, o que se deve observar é como o diretor define a sua visão da peça para o filme. Para exemplificar, a peça "Boca de Ouro" (1960), escrita por Nelson Rodrigues começa em um consultório no qual o personagem principal, Boca de Ouro pede ao dentista que extraia todos os seus dentes e substitua por uma dentadura de ouro. No filme, de 1962, o diretor Nelson Pereira dos Santos opta por começar com um prólogo em que se inventa uma bibliografia do Boca que na peça não existe.

Muitas obras teatrais foram adaptadas para o cinema e vice-versa. Este ano passaram pelos palcos brasileiros a adaptação de "Madame Satã", que narra a trajetória de João Francisco dos Santos, um malandro transformista, homossexual e bom de briga, que se tornou figura emblemática na noite carioca. No cinema ele foi vivido por Lázaro Ramos. Outra produção que virou peça foi "Salò ou os 120 Dias de Sodoma", clássico do diretor italiano Pier Paolo Pasolini em que jovens são submetidos a diversas formas de tortura e humilhação em ciclos intitulados de Círculos da Mania, Merda e do Sangue.

A peça "Novas Diretrizes para Tempos de Paz" ganhou sua versão para o cinema, chamada "Tempos de Paz". Os atores Tony Ramos e Dan Stulbach que contracenaram no teatro entre 2002 e 2003, reprisam seus personagens no longa dirigido por Daniel Filho. O sucesso cinematográfico "Divã", também é uma adaptação teatral com a atriz Lília Cabral nas duas versões. O filme "As Pontes de Madison" (1995) com Clint Eastwood e Meryl Streep tem atualmente sua versão teatral em São Paulo. Os atores Marcos Caruso e Jussara Freire estão nos papéis principais na história de amor entre um fotógrafo e uma dona-de-casa casada. A peça fica em cartaz até o dia 20 de dezembro.

INFANTIS E MUSICAIS
Um público que tem muitas opções de filmes adaptados para o teatro é o infantil. Desenhos animados da Disney como "A Bela e a Fera", "A Pequena Sereia" e "A Dama e o Vagabundo" encantam a criançada. Da televisão para os palcos há "Cocoricó, uma Aventura no Teatro" e "Pucca Ao Vivo". E a aventura "Homem-Aranha: Ação e Aventura" empolgará a garotada com os saltos e voos do aracnídeo no Rio de Janeiro até o dia oito de novembro.

O musical é outro gênero de sucesso no teatro. O Brasil cultiva a onda de adaptação de filmes musicais americanos que por sua vez são adaptações de espetáculos apresentados na avenida Broadway, em Nova York. Em 2004, a atriz Danielle Winits encarnou a sensual Velma Kelly no musical "Chicago", que era uma peça americana e que também ganhou uma esplendorosa versão cinematográfica ganhadora de seis Oscar em 2003, incluindo melhor filme.

Os musicais da Broadway, "Os Produtores" e "Hairspray" são sucessos recentes nos palcos brasileiros. E o responsável pelas adaptações é o multifacetado Miguel Falabella. O filme "Primavera para Hitler" (1968) de Mel Brooks, foi adaptado para o teatro nos Estados Unidos em 2001 e em 2005 ganhou uma nova versão para o cinema. No Brasil, Falabella se inspirou no espetáculo musical, que fez enorme sucesso no ano passado.

A atual empreitada de Falabella é "Hairspray", adaptação do musical de mesmo nome, que ganhou uma adaptação para o cinema, com John Travolta na pele da mãe protetora Edna Turnblad. Por aqui, a peça tem Edson Celulari vivendo o mesmo personagem que Travolta interpretou no filme. Para quem mora no Rio de Janeiro e quiser conferir a peça aproveite, pois o musical foi prorrogado até o dia 1° de novembro. Cinema e teatro, duas artes que com suas linguagens próprias acabam em um bom casamento no território das adaptações.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ESQUENTANDO AS TURBINAS

Leon Cakoff fala sobre a 33° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, evento que começa dia 23 e vai até 5 de novembro

Os cinéfilos de plantão terão um grande motivo para passarem duas semanas dentro de uma sala escura. É a 33° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que acontece entre 23 de outubro e 05 de novembro numa maratona com o que há de melhor na cinematografia mundial. Leon Cakoff, organizador da Mostra de Cinema conversou com o NO MUNDO DO CINEMA sobre o evento que tem mais de 500 filmes selecionados. Dentre os destaques estão "Crimes de Autor" (França), "O Amor Segundo B. Schianberg" (Brasil), "Sede de Sangue" (Coreia do Sul), "Super Star" (Irã), "Metropia" (Suécia) e "500 Dias Com Ela" (Estados Unidos). Filmes de todos os cantos do mundo para todos os gostos.

O senhor pode adiantar o que haverá na 33° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo?
LEON CAKOFF -
O circuito de salas vai se expandir contando agora com o Multiplex Marabá para exibir os filmes da Mostra. A lista dos filmes que vão participar ainda não foi fechada, ainda estamos selecionando as produções. Este é o momento mais nervoso. Estamos correndo contra o tempo. E a vontade é de nunca fechar a lista de selecionados (risos), de fazer uma Mostra permanente.

Há alguma novidade nesta 33° edição?
CAKOFF -
O que estará agregado a Mostra este ano é o Prêmio Itamaraty para o Cinema Brasileiro. Este é o quarto ano do Prêmio. Antes ele tinha como sede o Festival Internacional de Cinema de Brasília. E agora vem para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. É um prêmio itinerante.

O que dá para adiantar?
CAKOFF -
Há coisas muito boas da Alemanha, Israel, França como sempre, Coreia, Canadá, Estados Unidos, Itália, Egito. Vem muitos filmes da Suécia. A ideia é trabalhar um acordo de co-produção entre Brasil e Suécia.

Para esta edição, quem são os convidados?
CAKOFF -
O cineasta Amos Gitai vem para a Mostra apresentar dois filmes. Há também a Fanny Ardant como diretora estreante e Theo Angelopoulos, que será um dos homenageados da Mostra. E muita gente nova. Essa é a nossa cara.

Quanto ao júri, como ele será composto?
CAKOFF -
São cinco personalidades internacionais compondo o júri. Ele ainda está em composição, estamos aguardando algumas respostas. Confirmado temos o crítico francês Jean-Michel Frodon, os diretores Goran Paskaljevic ("Os Otimistas") e Ali Özgentürk (que participou da 7° edição da Mostra com o filme "Cavalo" – 1982) e também o Marco Bechis, diretor italiano de filmes como "Terra Vermelha", "Garagem Olimpo". Ele é muito ligado a América Latina, já filmou temas com argentinos, brasileiros.

Como o senhor vê o cinema nacional que teve um crescimento de público em 2009?
CAKOFF -
Não importa o filme que está passando, o que interessa é estimular o hábito de ir ao cinema. Cinema é fundamental, um alimento para o espírito que não tem igual e é uma diversão. Recuperando este hábito o lucro é de todos, de toda a indústria cinematográfica, incluindo a independente. Ela também faz parte que é onde está o fermento das ideias.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

BOLO EM CAMADAS

Já foi o tempo que filmes infantis eram só para crianças. Hoje essas produções conseguem agradar a espectadores de todas as idades

Outubro é o mês que comemora o Dia das Crianças. E dar um presentinho para a criançada é obrigatório. Mas quando o assunto é cinema quem é presenteado não são só as crianças, mas também os adultos. Cada vez mais os filmes, em especial as realizadas pela indústria de Hollywood conseguem atingir diversas faixas etárias com suas produções. Os roteiros desses filmes são concebidos de maneira que seu variado público aprecie o filme de diferentes formas.

Enquanto os pequeninos se divertem com as trapalhadas dos personagens, os jovens e adultos se deleitam com o conteúdo repleto de piadas, ironias, referências e sátiras à sociedade. “Os roteiros são cuidadosamente pensados para que o adulto também curta o filme, e para que ele saia do cinema recomendando o filme para outros adultos, que levem seus filhos, e assim por diante numa corrente que vai engrossando as bilheterias”, afirma Celso Sabadin, crítico de cinema.

Muitos filmes do gênero estão longe de serem produções genuinamente infantis. As animações realizadas atualmente conseguem agradar a todas as faixas etárias. Já foi o tempo que os pais se martirizavam ao acompanhar seus filhos nas matinês da vida. “Mesmo que o filme seja para o público infantil, os produtores sabem que aborrecer um adulto com um roteiro fraco é péssimo negócio para as bilheterias”, declara o crítico de cinema.

A trilogia "Shrek" é um ótimo exemplo de como se consegue agradar as crianças e em especial os adultos. O ogro verde diverte a molecada com suas confusões em companhia do Burro e do Gato de Botas. Já os adultos se deliciam com o humor da história. Tanto é que em janeiro deste ano, uma empresa de pesquisas da Grã-Bretanha indicou que o primeiro filme da trilogia é a produção infantil favorita dos adultos.

A animação é o gênero que consegue muito bem ganhar um público tão diversificado. Os desenhos, em especial os realizados pela Disney/Pixar como "Monstros S. A.", "Procurando Nemo", "Carros" e "Wall-E" são experts nisso. As aventuras e o colorido das imagens chamam a atenção das crianças. Já para conquistar o coração do restante do público a peça chave é a caracterização e a humanização dos personagens. Ver animais falando, objetos criarem vida e eles demonstrarem sentimentos é algo que toca fundo no coração. Quem não se encantou e até derramou algumas lágrimas com o monstro Sulley, o peixinho Nemo ou o robô Wall-E que levante a mão.

Criança ou Adulto?

Na verdade, o que se percebe é que na indústria cinematográfica americana está havendo uma inversão de papéis. Tem-se uma adultização de produções infantis e uma infantilização das produções para adultos. A meta dos blockbusters é sempre ganhar muito dinheiro nas bilheterias. Com isso, os produtores tentam a todo custo, lançarem os filmes com uma classificação etária baixa, para um maior número de pessoas poder ir assisti-las. Resultado: os filmes ficam mais infantis, sem cenas fortes e com histórias bem “mastigadas”, apelando para as gracinhas.

Sabadin explica que isso acontece desde os anos 50 quando nos Estados Unidos a televisão provocou uma forte divisão no público. Os mais velhos e os de meia idade começaram a ficar mais em casa, vendo TV, enquanto os mais jovens e adolescentes continuaram nas ruas, indo aos cinemas. Dessa forma o crítico fala que os produtores perceberam que a grande plateia que lotava os cinemas do país era formada basicamente por jovens. “Desde aquela época, então, o cinema vem se infantilizando”.

Assim se passou a produzir filmes voltados para este público. Exemplos não faltam todos os anos. Da safra 2009 dois bons exemplos mostram essa tendência: "Transformers: A Vingança dos Derrotados" e "G.I. Joe: A Origem de Cobra". “De lá para cá, os temas se simplificaram, os filmes ficaram mais simplistas, a idade média dos atores-protagonistas desabou. O que é, hoje, um blockbuster? É um filme feito para quem gosta de pipoca, não para quem gosta de cinema. Isso porque o lucro está na pipoca, não no cinema. É só uma questão mercadológica”, analisa Sabadin. Independente da idade do espectador, a certeza está na qualidade das produções e na diversão do público cada vez mais diversificado.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

BANDO DE BASTARDOS

Quentin Tarantino junta forças com Brad Pitt para levar a história sobre uma matança de nazistas na Segunda Guerra Mundial em “Bastardos Inglórios”

“Nós vamos fazer apenas uma coisa: matar nazistas”. Com essa frase vinda do novo filme de Quentin Tarantino, o que se pode esperar é justamente muita matança. Uma matança sanguinolenta e genial em "Bastardos Inglórios". É isso que Tarantino em geral proporciona ao espectador em suas obras. Muitas delas já se tornaram clássicos contemporâneos como "Cães de Aluguel", "Pulp Fiction - Tempos de Violência" e "Kill Bill: Volume 1".

Tarantino é um dos mais interessantes diretores do cinema americano. Seus filmes são um show de direção e roteiro e possuem uma linha narrativa e estética vinda de influências cinematográficas e pop. Suas obras sempre possuem diálogos com altas doses de humor negro, as histórias são não lineares, os personagens possuem ligações entre si e os filmes são contados em capítulos. A trilha sonora pulsante é um personagem à parte e a violência sanguinolenta a principal marca de Tarantino. Com "Bastardos Inglórios" não é diferente. Brad Pitt se junta a Tarantino para contar a versão do diretor sobre a Segunda Guerra Mundial e nada mais adequado do que tratar a violência explorando o capítulo do Nazismo.

Numa França ocupada pelo exército alemão, um grupo de renegados soldados americanos e judeus conhecidos como Os Bastardos, estão prontos para dar aos nazistas o que eles merecem. Sim, judeus matando nazistas! O grupo é liderado pelo tenente Aldo Raine (Pitt) que faz apenas uma exigência aos seus soldados: trazer a ele 100 escalpos de nazistas. É uma tradição como a dos índios da América, que cortavam o escalpo e usavam como troféu de guerra. O grand finale do plano é uma matança em um cinema em Paris, que reúne a nata nazista, incluindo o líder Adolf Hitler, que se reúne para a pré-estreia de um filme. Definitivamente, uma ideia muito original vinda da mente de Tarantino para o fim da Segunda Guerra.

Para a missão, o grupo de Raine acaba tendo como nova integrante a atriz alemã e espiã disfarçada Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger). Paralelo a isso, a jovem Shosanna Dreyfus testemunha a execução de toda a sua família pelas mãos do coronel nazista Hans Landa (Christoph Waltz). A moça escapa e viaja para Paris, com a forjada identidade de dona e operadora de um cinema. Os fatos acabam cruzando os caminhos de Os Bastardos com os de Shosanna, enquanto ela planeja sua vingança sozinha.

Tarantino escreveu o roteiro de "Bastardos Inglórios" com a intenção de fazer um misto de filme de guerra com Spaghetti Western, popularmente conhecido por Bang Bang à Italiana, que traz a vingança como tema principal. O capítulo 1: “Era uma Vez... Uma França Ocupada por Nazistas” é belíssimo, uma verdadeira aula de cinema. A fotografia esplendorosa situa o espectador no ano de 1941 em uma casinha na França. Tarantino faz uma longa sequência em que o coronel Landa faz uma inspeção para saber se não há nenhum judeu escondido na casa do agricultor Perrier LaPadite (Denis Menochet). Os dois conversam “pacificamente” em um belo tom francês. Quando a conversa fica mais tensa, Landa pede licença para falar em inglês, já que o que tem a dizer não é algo agradável de se dizer na outra língua. Os atores estão maravilhosos. O prêmio de melhor ator que Waltz levou no Festival de Cinema de Cannes foi merecido. No final da cena há um enquadramento de moldura que vale a pena ser admirado.

"Bastardos Inglórios" é violento, mas não da forma exagerada e frenética como em "Kill Bill: Volume 1", por exemplo. Neste novo filme Tarantino está mais maduro. O filme é um espetáculo em todos os elementos cinematográficos. O diretor coloca em prática o fascínio que tem pelo cinema e faz seu melhor filme até agora. Ele utiliza planos longos, dando tempo para a ação se desenrolar . Cada ator explora de forma magnífica sua veia interpretativa e Tarantino também faz um resgate aos longos diálogos, cada linha talhada com precisão. O filme todo vale o apreço em seus mínimos detalhes.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

QUANTO DURA O AMOR?


Quanto Dura o Amor? É essa pergunta que o filme de mesmo título faz para o espectador. Em São Paulo, três pessoas vão vivenciar histórias de amor com prazo de validade para acabar. Marina, é uma jovem do interior que se muda para São Paulo e tenta se realizar como atriz. Lá ela vai dividir um apartamento com a advogada solitária, Suzana. No mesmo prédio vive o escritor Jay. São eles os personagens de um quebra-cabeça amoroso.

Na noite paulista, Marina conhece a cantora Justine e fica deslumbrada com ela. No dia dia do trabalho, Suzana e o colega Gil começam um namoro. E Jay se encanta com a prostituta Michelle. Cada um vai experimentar o gosto doce e amargo do amor. O filme foge de clichês românticos e mostra que alguns relacionamentos estão fadados ao fracasso e que isso faz parte da vida. Paixão, obsessão, ciúme, preconceito e cobiça são os ingredientes desta história. Afinal, nada é perfeito.