terça-feira, 2 de janeiro de 2007

MICHAEL MOORE E COMPANHIA: DOCUMENTÁRIO COMO INSTRUMENTO DE DENÚNCIA


O documentário é um gênero em que se narra algo por meio do som, no qual se estabelecem afirmações sobre o eu e/ou o mundo pelas imagens, por intermédio da câmera. Ao assistir a um determinado filme, o espectador consegue distinguir o que é ficção e o que é documentário. A ficção é uma trama com personagens que entretém o público. O documentário é uma forma de representação feita por asserções.

Dentro do documentário existem quatro quadros estilísticos e modos de representação:

Estilo:
1.Poético: representação do mundo urbano ou voltado para as asserções sobre o eu.
2.Clássico: uso da voz over, imagens de arquivo, música e encenação.
3.Moderno: dividido em direto (imparcialidade, ideologia, voltado para o acaso) e verdade (interatividade por meio de entrevista. Reflexão).
4.Contemporâneo: dividido em cabo (asserções temáticas. Mostra o que aconteceu) e autoral (em função do diretor. Voz na 1° pessoa).

Representação:
1.Expositivo: narração e comentários em voz over.
2.Observacional: não intervenção da equipe técnica. Evita entrevistas, comentários, letreiros, etc.
3.Interativo: intervenção do cineasta.
4.Reflexivo: uso de ironia, sátira e intervenção ativa do cineasta.

Hoje, os documentários se tornaram coqueluche. Não é preciso muitos recursos para se fazer um e com isso, muitas vezes, os cineastas acabam realizando produções com temas banais. Mas outros tiram proveito dessa facilidade para discutir temas palpitantes. Aí está uma forma inteligente de usar a linguagem do documentário para denunciar.

Os documentaristas fazem asserções sobre questões problemáticas do mundo. Esses problemas são contados aos espectadores para mostrar fatos que aconteceram ou acontecem e levá-los a uma reflexão a respeito. Nesses documentários, o estilo mais utilizado é o cinema-verdade, no qual há interatividade por meio de entrevistas sobre um determinado tema, gerando assim, a reflexão por parte do espectador.

Nos últimos anos têm sido lançados ótimos exemplares desse estilo de documentário. O nacional “Ônibus 174”, de José Padilha mostra o desenrolar trágico do sequestro de um ônibus no Rio de Janeiro em 2000. O diretor se aproveita deste caso para analisar a violência nas grandes cidades.

“The Corporation” examina o conceito, evolução e impacto das grandes corporações nos Estados Unidos, além do poder delas na vida da população. Em “Super Size Me – A Dieta do Palhaço”, o diretor Morgan Spurlock faz uma análise dos hábitos alimentares dos americanos. Ele se submete a passar um mês comendo somente fast food da rede de lanchonetes McDonald’s mostrando as consequências desse hábito.

O australiano “Kidnapped” tenta desvendar o motivo do desaparecimento de 13 japoneses entre os anos 70 e 80. Uma das suposições a que se chega é de que eles foram sequestrados por espiões da Coreia do Norte, como parte de um complô do líder Kim Jong II. Este ano foi lançado nos Estados Unidos, “Uma Verdade Inconveniente”. Durante a campanha presidencial de Al Gore, são questionados problemas ambientais como o aquecimento global.

Esses são apenas alguns exemplos, mas no meio de muitos, com certeza, um grande representante desse modelo de documentário é o diretor Michael Moore. Nascido em Flint, Michigan, nos EUA, ele estudou Jornalismo e depois passou a se dedicar à carreira de cineasta. Seu primeiro documentário foi “Roger e Eu” (1989), no qual investiga o fechamento da General Motors em sua cidade natal e o que isso acarretou ao município. A produção mostra as diversas tentativas de Moore em falar com o presidente da companhia.

No seu primeiro filme, o cineasta mostra uma característica que seria sua marca registrada em seus próximos trabalhos: ser a “pedra no sapato” de políticos, instituições e grandes corporações, expondo sua opinião com uma boa dose de ironia e sarcasmo. Depois ele alternou produções para o cinema, vídeo e televisão, como “The Big One”, “TV Nation” e “The Awful Truth”. Em 2002, o diretor ganhou o Oscar de melhor documentário de longa-metragem por “Tiros em Columbine”.

Os filmes de Moore seriam uma mescla dos estilos clássico, moderno e contemporâneo. Dentre os modos de representação as produções se encaixam nos modelos expositivo, interativo e reflexivo. O último e mais badalado trabalho do diretor, “Fahrenheit 11 de Setembro” (2004), serve bem para exemplificar o trabalho de junção de estilos e modos de representação citados anteriormente.

domingo, 17 de dezembro de 2006

UM BOND CHAMADO DANIEL

"007 Cassino Royale", 21° produção do famoso agente secreto retorna com nova roupagem e nos apresenta seu mais novo astro: Craig, Daniel Craig

Loiro, bronzeado, musculoso, atlético e com olhos azuis intensos. Este é o novo perfil do agente secreto mais famoso do cinema, James Bond, em sua mais recente empreitada, "007 Cassino Royale". Na pele deste novo agente está o inglês Daniel Craig, 39 anos. O ator estrelou filmes como, "Lara Croft-Tomb Raider", "Estrada para Perdição" e "Munique".

Em meio aos nomes de Clive Owen, Hugh Jackman, Julian McMahon, dentre outros, muito se especulou na mídia sobre a escolha de Daniel para encarnar o espião 007. O ator recebeu uma enxurrada de críticas antes mesmo do filme estrear. O descontentamento se deu por ele ser loiro, baixo e não ter uma beleza típica. Mas quando Daniel aparece em cena, não resta dúvidas de que ele foi a escolha perfeita e que consegue sim, ser um ótimo James Bond.

O filme dá um novo fôlego a franquia de mais de 40 anos. A série está renovada e ganhou um tom mais realista. Desta forma, a franquia se reinventa para continuar a agradar a legião de fãs que existe, assim como, conquistar uma nova geração de admiradores dos filmes do 007. A produção volta as origens do personagem, para mostrar como Bond se torna um agente do Serviço Secreto Britânico.

Isto dá ao público, a chance de descobrir quem ele é. O ótimo "Batman Begins" fez o mesmo, ao mostrar como Bruce Wayne se torna o Homem-Morcego. Esta tendência em mostrar como tudo começou, vem crescendo em Hollywood. Outro herói das histórias em quadrinhos, Wolverine, de "X-Men", ganha seu próprio filme, que será um prelúdio da vida do personagem.

"007 Cassino Royale" é uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito por Ian Fleming, criador da série. O filme começa em preto e branco, no qual o agente tem a missão de matar duas pessoas para obter a patente 00, de licença para matar. Um deles é executado com um tiro na cabeça. O outro é morto de forma mais brutal. Daí se vê que Bond está mais violento e ameaçador, disposto a derramar muito sangue. Esta abertura tem uma clara influência do gênero noir(muito popular entre os anos 40 e 60), em que há o enfrentamento, o homem esperando o momento de matar, com toda aquela atmosfera sombria e misteriosa, característica deste gênero.

Com a patente em mãos, a aventura do espião começa em Madagascar, numa impressionante sequência de perseguição, em que Bond deve capturar um prisioneiro. No percurso, os dois utilizam os movimentos do “parkour”, um esporte em que se usa o corpo para ultrapassar obstáculos de forma rápida e fluente, como passar em pequenos vãos e pular de lugares altos. Quem gostar desta sequência, pode conferir o filme francês "B13-13° Distrito", que tem esse estilo de ação.

Em Montenegro, Bond enfrenta seu grande inimigo, o banqueiro Le Chiffre. O desafio se dá num torneio de pôquer, no qual 007 deve evitar que Le Chiffre ganhe o jogo e use o dinheiro para financiar terroristas. O restante da missão se desenrola nas Bahamas, Miami e Veneza. E desta vez, o espião deixa de lado as costumeiras engenhocas criadas para auxiliá-lo em suas missões. Ao invés de um carro que lança bombas ou relógio que detona explosivos, Bond usa os punhos como ferramenta. Ele prefere o confronto mano a mano. Em meio a tantas lutas, perseguições e explosões, o agente ainda encontra tempo para o romance. Ele se entrega ao amor por Vesper Lynd (Eva Green de "Cruzada"), que amolece o coração do herói. É interessante ver este lado mais sentimental e vulnerável do agente e entender o porquê de ele se tornar um homem tão mulherengo.

Nova roupagem
O filme é dirigido por Martin Campbell, também responsável pela estreia de Pierce Brosnan como James Bond, em "007 Contra GoldenEye". Em "Cassino Royale", Campbell dá um ritmo mais ágil, uma ação mais enérgica. E Daniel Craig, com seu tipão à la Steve McQueen, faz do personagem, um homem durão e enigmático, de beleza áspera. O ator agrega um certo “tempero” ao personagem. Ao mesmo tempo em que o espião causa medo e é frio e bruto ao matar alguém, ele ainda consegue ser sofisticado em seu alinhado smoking, sarcástico com o oponente, sutil nos gestos e olhares, como também, insinuante com as mulheres e muito sexy em seu corpo escultural e um sotaque britânico impecável.

Não existem motivos para temer que "007 Cassino Royale" tenha se afastado dos outros filmes da série. A produção mantém a fórmula consagrada com os elementos característicos da franquia. O filme continua com muita ação, locações exóticas, um vilão maquiavélico, belas mulheres e o inesquecível tema musical. Os diálogos entre o agente e as bondgirls continuam cheios de segundas intenções. O carro Aston Martin também está lá, agora com o modelo DBS, um dos mais bonitos da série. Pena que o automóvel apareça pouco e quando aparece, ele é completamente destruído. E a bebida preferida de Bond, rende uma cena engraçada, em que ele explica como quer o seu famoso martini, mexido e não batido.

Ao final das duas horas e vinte de filme, o ator Daniel Craig passa no teste e sai laureado. Depois de brigar, sangrar, ser torturado e ter o coração partido, o que importa é que o agente 007 está revigorado, firme e forte para uma próxima aventura e com a certeza de que esta nova roupagem fará com que a franquia dure mais quarenta anos.

domingo, 10 de dezembro de 2006

SEGUINDO A CARTILHA

O romance adolescente "Ela Dança, Eu Danço" traz uma história previsível sobre um casal que se apaixona na pista de dança

Sabe aquele tipo de filme que pelo trailer ou sinopse já dá para saber como tudo vai acabar? Pois esse é o caso de "Ela Dança, Eu Danço" (2006). O título pega carona no hit do funkeiro Mc Leozinho: Se Ela Dança, Eu Danço. Bem apropriado para chamar a atenção do público. No filme, Tyler (Channing Tatum) é o típico rebelde de classe baixa que sempre apronta confusão. Ele se mete em uma encrenca quando destrói um teatro de uma renomada escola de Arte. Como castigo ele deve prestar serviços comunitários nessa escola. Lá estuda Nora (Jena Dewan), uma a rica e obstinada aluna de dança que está à procura de um parceiro já que seu par machucou o pé. Claro que os destinos dos dois vão se cruzar e acabar na pista de dança.

O roteiro do filme é escrito por Duane Adler, veterano em escrever histórias de adolescentes no universo da dança. Foi ele o responsável por roteirizar "No Balanço do Amor 1" (2001) e "2" (2006), que traz uma jovem branca e rica que compartilha com um garoto negro e pobre a paixão pela dança. Ele também escreveu "Make it Happen" (2008) em que uma jovem do interior dos Estados Unidos vai até Chicago para tentar a sorte em uma prestigiosa escola de dança. Além disso, Adler fez o roteiro de "Ela Dança, Eu Danço 2" (2008).

Adler segue a cartilha do gênero musical adolescente, sem mudar uma linha. Para ele, roteiros de filmes desse tipo devem ser escritos de olhos fechados de tão óbvias que são. Em Ela Dança, Eu Danço, todas as convenções do gênero estão presentes. A história traz uma tensão sexual entre o casal, no estilo “opostos se atraem”. A aproximação da dupla durante os ensaios da coreografia permite a cada um descobrir seus problemas e anseios. O elenco de personagens secundários é muito manjado, formado pelo namorado ciumento e egoísta de Nora, a amiga dela que percebe há milhas de distância que Nora está caidinha pelo garoto mau, a diretora da escola que vê em Tyler um futuro promissor e o amigo de Tyler que não aceita a fase comportada dele. Os diálogos são tão simplistas que o espectador consegue antever o que cada um vai falar. Nem as coreografias musicais escapam do tédio.

Filmes no estilo de "Ela Dança, Eu Danço" conseguem sinal verde para a produção por serem apostas seguras e baratas seguindo a fórmula do casal oposto que se odeia a princípio, acaba se apaixonando, briga no meio do caminho e no final tudo se resolve com um beijo. Mais previsível impossível.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

2° FESTCINE GOIÂNIA


Eu, Thati e Camila no 2° Festival de Cinema de Goiânia, na exibição do filme que produzimos: “A Magia do Cinema: uma Projeção de Sensações, Emoções e Ilusões”. Realizar este filme foi um trabalho árduo. Mas todo o processo de pré-produção, gravação e as intermináveis horas que passávamos na ilha de edição foram recompensados. Ter uma sala de cinema lotada assistindo ao nosso filme foi uma experiência maravilhosa. Além disso, presenciar as reações do público às cenas foi demais. Com certeza, um dia muito especial para nós!

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

JEJUM DE AMOR


Quem procura uma comédia romântica das antigas, a pedida é “Jejum de Amor”. O filme é estrelado pelo galante Cary Grant, ator de outras comédias românticas como “Boêmio Encantador”, “Cupido é Moleque Teimoso” e “Carícias de Luxo”. Neste aqui, Grant é Walter Burns, um editor de jornal disposto a tudo para impedir que sua ex-mulher, a repórter Hild Johnson (Rosalind Russell) se case com o corretor de seguros Bruce Baldwin.

Walter manipula o caso de Earl Williams, um homem simples preso por ter matado um policial. Esse fato faz com que o editor se aproveite da situação para, além de reconquistar a ex-esposa, não perder a sua melhor repórter e obter um furo contando a história da fuga de Earl e como isso acarreta num caso de corrupção no sistema judicial.

O filme é uma avalanche de diálogos rápidos e conta com um elenco de ótimo timing para uma comédia ágil que mantém o espectador envolvido durante todo o filme.

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

WILLY WONKA ESTÁ DE VOLTA!

Tim Burton e Johnny Depp lançam a nova versão para o clássico infantil “A Fantástica Fábrica de Chocolate”

Quem tem mais de 25 anos, deve se lembrar do filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Pois agora, a produção ganha uma refilmagem pelas mãos do excêntrico diretor Tim Burton. Nesta nova versão, Willy Wonka, dono da fábrica de chocolate é encarnado pelo também excêntrico Johnny Depp. Esta é a quarta colaboração entre os dois. Eles trabalharam em “Edward Mãos de Tesoura”, “Ed Wood”, “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” e na animação “A Noiva-Cadáver, que estreia no final do ano.

Em “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, Willy Wonka, que viveu recluso por anos, reaparece para promover um sorteio. Ele oferece a um grupo de crianças, a chance de conhecer a sua fábrica de chocolate. Para isso, o chocolateiro coloca aleatoriamente, cinco bilhetes premiados em barras de chocolate espalhadas pelo mundo. Daí começa uma louca caçada pelos bilhetes dourados. Os cinco felizardos do sorteio são: o gordinho louco por chocolates, Augustus; a petulante Veruca; o viciado em videogame Mike; a competitiva Violet e o sonhador Charlie. As portas se abrem e um passeio fantástico está para começar.

Em meio a tantas guloseimas, o gostoso mesmo é ver a interpretação de Johnny Depp. É ele quem rouba a cena ao fazer um divertidíssimo Willy Wonka, meio efeminado e com um certo repúdio por crianças. Provavelmente, ele deve receber uma indicação de melhor ator em comédia no Globo de Ouro do ano que vem.

Como a produção é uma refilmagem, as comparações são inevitáveis. Esta nova versão lembra pouco ao original de 1971. Toda a ingenuidade do primeiro filme dá lugar a obscuridade. E quando se trata de um longa de Tim Burton, deve-se sempre esperar algo mais sombrio. O colorido em tons suaves do original, agora ganha tons escuros alternados com os vibrantes. Os ajudantes de Willy Wonka, os Oompa Loompas, são mais moderninhos em suas canções de lição de moral. Desta vez, o chocolateiro é um homem perturbado pelas lembranças do severo pai. E a trama é mais bem amarrada, o que dá ao filme a oportunidade de ir mais além na explicação de algumas coisas.

Na verdade, “A Fantástica Fábrica de Chocolate” é um filme mais para adultos do que para crianças. Mas no final, todos acabam se deleitando com o divertido passeio. É um apetitoso programa para o final de semana. Dispense o refrigerante e a pipoca e leve uma barra de chocolate. Pegue seu bilhete premiado e vá se deliciar com “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

REVOLUÇÃO EM CELULÓIDE

"Sin City - A Cidade do Pecado" chega para quebrar todas as regras e se destaca como um dos filmes mais originais de todos os tempos

Bravo! É o que se tem a dizer ao final da projeção de "Sin City - A Cidade do Pecado". Esqueça tudo o que você já viu e prepare-se para perambular pelas perigosas ruas da cidade do pecado, onde o sangue jorra solto. "Sin City" é uma adaptação da graphic novel (romance gráfico) criado por Frank Miller. A graphic novel é uma espécie de histórias em quadrinhos. Ela se diferencia pela temática mais adulta e um conteúdo mais denso e fechado, ou seja, as histórias têm começo, meio e fim. Mas "Sin City" não é uma adaptação qualquer. Ele inova pelo apuro visual e narrativo. O responsável por tal feito é o diretor Robert Rodriguez ("A Balada do Pistoleiro"), que chamou o cartunista Frank Miller para co-dirigir o filme com ele.

A produção foi filmada com o recurso do chroma-jey (fundo verde), na cor preto-e-branco. Mas no decorrer do filme, as cores vermelho, amarelo, azul e verde servem para identificar algumas coisas, como o céu ou a cor dos olhos de uma personagem. O banho de sangue ao longo do filme é nas cores vermelho, amarelo e claro, o branco, no melhor estilo quadrinhos P&B. O filme utiliza os mesmos diálogos e enquadramentos da graphic novel. A sensação que se tem é a de ver os quadrinhos literalmente em movimento. Resultado: um dos filmes mais espetaculares de todos os tempos.

O filme é a junção de três histórias paralelas: “A Cidade do Pecado”, "A Grande Matança”e “O Assassino Amarelo”, além do curta “O Cliente Sempre tem Razão”, que dá início a produção. A primeira história, “A Cidade do Pecado” nos apresenta o brutamontes Marv (Mickey Rourke), um homem amargurado que parte em busca de vingança após a morte de sua amada, Goldie. Antes de matar suas vítimas, Marv adora torturá-las com métodos pouco ortodoxos. Daí pode-se imaginar o banho de sangue pela frente. “A Cidade do Pecado” é a melhor das três histórias e quem brilha nela é o canastrão Mickey Rourke, mais lembrado pelo filme "9 1/2 Semanas de Amor". Ele, irreconhecível pela pesada maquiagem, dá ao personagem, um misto de sarcasmo e melancolia, presenteando o público com uma ótima atuação. Esse sucesso deve dar novo fôlego a carreira do ator.

Em “A Grande Matança”, uma gangue de prostitutas protege a Cidade Velha. Quando Jackie Boy (Benicio Del Toro) mexe com uma delas, a situação fica feia. A partir daí é travada uma briga entre as prostitutas e os policiais corruptos da cidade. Quentin Tarantino fez uma participação como diretor convidado. Ele conduziu uma sequência de diálogo entre Jackie Boy e Dwight (Clive Owen) num carro. A sequência tem o toque de humor negro característico do diretor.

Na última história, “O Assassino Amarelo”, Bruce Willis interpreta o policial Hartigan, que no passado salvou uma garotinha de um terrível sequestrador. Já grande, a garotinha se torna uma bela stripper (Jessica Alba), que agora é perseguida pelo misterioso Assassino Amarelo. Hartigan deve novamente salvá-la.

A ousada narrativa e o visual embasbacante do filme, resgata o gênero noir, muito popular entre os anos 40 e 60. Em "Sin City", todas as características do gênero estão presentes: a ambientação com ruas escuras e molhadas na madrugada; a narração over; a existência de crimes sangrentos; o anti-herói; a ambiguidade moral dos personagens; o homem esperando o momento de matar ou ser morto; a mulher fatal, sedutora e misteriosa; a natureza secreta dos assassinos e o pessimismo.

"Sin City-A Cidade do Pecado" é um noir envolvente e violento ao extremo. É visceral, explosivo e simplesmente genial. Uma experiência pela qual você deve passar.

(A estética é um elemento cinematográfico que me interessa muito. E "Sin City" tem uma estética maravilhosa e riquíssima. Por isso, escolhi esse filme como tema de minha monografia do curso de pós-graduação em Cinema, com o título: A Representação Estética da Violência no Filme "Sin City - A Cidade do Pecado". Foi um exercício fascinante de análise fílmica).

segunda-feira, 20 de junho de 2005

INVASÃO DOS QUADRINHOS

Sucesso entre os leitores, os gibis conquistam agora os espectadores das salas de cinema com super adaptações

Escalar paredes, voar e ficar invisível. Essas e outras façanhas que até então faziam parte apenas do universo dos quadrinhos, com super-heróis, vilões maquiavélicos e mocinhas indefesas, tomam conta agora das salas de cinema. Os grandes estúdios americanos perceberam o potencial das HQs (histórias em quadrinhos), produzindo filmes com personagens já testados no mercado editorial. Isso é um deleite, tanto para o fã de revista em quadrinhos, que vê na tela a reprodução em carne e osso do que ele lê, como também para aquele que curte filmes com tramas fantásticas e personagens complexos.

A ideia de adaptar histórias em quadrinhos para o cinema não é nova. Desde os anos 40, já se faziam essas adaptações, em sua maioria filmes para a TV. Mas por causa da precariedade dos recursos, essas produções nunca vingavam. “Os filmes adaptados de quadrinhos antigamente, eram muito bobos. Hoje o cinema dispõe de tecnologias para conseguir reproduzir a fantasia dos quadrinhos”, afirma Liberato Santos, professor e aficionado por quadrinhos. Ele ainda ressalta que hoje é mais lucrativo para os diretores tentarem seguir o roteiro das HQs, caso contrário, corre-se o risco de não agradar ninguém e o filme ser um fracasso de bilheteria.

No Brasil, as únicas adaptações são das revistinhas da Turma da Mônica. A mais recente foi "Cinegibi-O Filme", do ano passado. No longa "Nina", os desenhos feitos pela personagem de Guta Stresser são ilustrações do cartunista Lourenço Mutarelli, autor de "A Soma de Tudo Parte 1" e "2", "O Dobro de Cinco" e "O Rei do Ponto". Em breve, uma de suas obras deve ganhar uma adaptação pelas mãos do roteirista Maçal Aquino ("O Invasor"), grande fã de Mutarelli. Essas histórias em quadrinhos giram em torno do universo urbano de São Paulo.

Na Europa, HQs de Astérix & Obélix e Mortadela e Salaminho se tornaram filmes de sucesso. No Japão, o formato em quadrinhos é chamado de mangá. Um dos mangás adaptados para o cinema foi "A Viagem de Chihiro", que levou o Oscar de longa de animação em 2003.

Voltando para as adaptações americanas, esse ano o Homem Morcego retorna em grande estilo no ótimo, "Batman Begins", desta vez encarnado por Christian Bale ("Psicopata Americano"). O filme mostra como Bruce Wayne se torna Batman, o herói de Gotham City. A produção "Quarteto Fantástico" aposta num elenco desconhecido do grande público para levar as telas, a saga de um grupo de astronautas que após um acidente radioativo, passam a ter superpoderes. O quarteto é formado pelo Sr. Fantástico, que tem a habilidade de esticar o corpo como uma borracha, a Mulher Invisível, o Tocha Humana e A Coisa, que tem o corpo feito de pedra. Juntos, eles terão de enfrentar o Dr. Destino.

Algumas heroínas também já tiveram suas adaptações. As precursoras do gênero foram "Modesty Blaise" e o cult "Barbarella", com Jane Fonda como uma heroína que viaja pelo espaço no século 41. Mas recentemente, essas mulheres poderosas não tiveram muita sorte. "Mulher-Gato" foi eleito o pior filme do ano passado e quase sepultou a carreira de Halle Berry. A outra produção foi "Elektra". A personagem que tinha sido vista em "Demolidor-O Homem Sem Medo", não conseguiu emplacar no seu próprio filme. A nova tentativa será com a adaptação de "Mulher Maravilha". A atriz que viverá a princesa amazona ainda não foi escolhida.

Graphic Novel
Além das HQs há a chamada graphic novel ou romance gráfico. Ela se caracteriza por um conteúdo denso, fechado (com começo, meio e fim) e mais adulto. “Essa linha de quadrinhos adultos é desconhecida do grande público, que está acostumado a pensar em quadrinhos como obras infantis”, observa Liberato Santos.

"Constantine" é uma adaptação da graphic novel "Hellblazer". Nele, John Constantine (Keanu Reeves) é um exorcista com câncer de pulmão terminal que está condenado ao inferno por ter tentado o suicídio quando jovem. Determinado a ter o perdão de Deus e conseguir um lugar no Céu, ele manda demônios que estão na Terra de volta para o inferno. “Ele não usa uniforme, é um personagem em que você pode acreditar mais. Ele não é perfeito, tem vários vícios (cigarro, bebida). Isso é um atrativo para o espectador que de repente, está cansado da fórmula super-herói, bonzinho e que quer fazer o bem para a humanidade”, afirma Liberato.

Outra adaptação de uma graphic novel é "Sin City-A Cidade do Pecado". A produção filmada em estilo noir aborda três histórias de crimes e violência. O elenco de estrelas é encabeçado por Bruce Willis, que nos mostra o ousado visual da cidade do pecado, visual esse, que o diferencia das outras adaptações. Para Roberto Sadovski, diretor de redação da revista "SET", o filme é diferente por ser literal. “É menos uma adaptação e mais uma tradução exata das páginas da série de Frank Miller, quadro a quadro, com os mesmos ângulos, a mesma iluminação e os mesmos diálogos. É o gibi em movimento, literalmente”, declara ele.

Nos próximos anos, uma pilha de revista em quadrinhos irá pipocar nas telas. Alguns deles serão: "Superman Returns", a terceira parte de "X-Men" e "Homem-Aranha", "Motoqueiro Fantasma" (com Nicolas Cage), "Homem de Ferro" e o “spin-off” (filme derivado) "Wolverine". A aposta em heróis, anti-heróis e vilões queridos das histórias em quadrinhos, está levando ao surgimento de um novo gênero de filme e a uma fonte de lucros para os estúdios. Independente de superpoderes ou não, a certeza é de que esta jornada está longe de ter um fim.

sexta-feira, 10 de junho de 2005

Sr. e Sra. SMITH


A comentada reunião de Brad Pitt e Angelina Jolie resultou no explosivo “Sr. e Sra. Smith”. A dupla interpreta marido e mulher que têm uma vida monótona em casa e uma vida movimentada no trabalho. Os dois são assassinos profissionais, mas o problema é que ambos não sabem esse detalhe de cada um, até que eles recebem a missão de matar um ao outro.

Juntos na tela, Pitt e Jolie quase entram em combustão, daí a inevitável atração entre os dois. O filme rende boas cenas de ação e mostra mais uma vez o lado cômico do bonitão aí em cima, que está muito engraçado na pele do marido estressado. E Jolie, está lindíssima como sempre.

quarta-feira, 16 de junho de 2004

MEDO E DELÍRIO


Nas margens do deserto, um conversível vermelho a toda velocidade. Na direção do carro, o jornalista Hunter Thompson (Johnny Depp) fala: “De repente ouvimos um rugido terrível e o céu se encheu de morcegos enormes, guinchando e mergulhando em direção ao carro”. É assim que começa "Medo e Delírio" e é assim que vai ser nas próximas horas. Muitas alucinações vão rondar a viagem de Thompson e o seu advogado, Dr. Gonzo (Benicio Del Toro). Mas essa não é uma viagem qualquer. Ela, segundo o próprio jornalista, será uma afirmação do verdadeiro caráter nacional, uma forma de reverenciar as “fantásticas” possibilidades de viver nos Estados Unidos.

O ano é 1971, auge da Guerra do Vietnã. Na estrada, a caminho de Las Vegas, os dois combatentes vão para uma guerra particular em busca do sonho americano. A missão é fazer uma cobertura para a revista "Rolling Stone" do Mint 400, uma competição de motocicletas “off-road”. No porta-malas do conversível, munição de sobra para uma viagem explosiva e psicodélica: 2 sacos de maconha, 75 pílulas de mescalina, 5 envelopes de ácido, 1 saleiro com cocaína, 500 ml de éter, 24 estimulantes sexuais, tequila, rum, cerveja e uma galáxia de excitantes antidepressivos e estimulantes, em que a tendência é ir até o limite.

"Medo e Delírio" trata de um capítulo da vida do célebre jornalista Hunter Thompson, vivido com maestria pelo metamórfico Johnny Depp. Para Thompson, a idéia de cobrir a corrida de forma tradicional era ridícula. Era preciso inventar, como ele mesmo diz, “puro jornalismo gonzo”. É esse estilo de jornalismo que Thompson acaba criando. Um jornalismo de atitude, no qual o repórter se torna personagem da ação e com histórias recheadas de humor, ironia e sarcasmo para criticar os acontecimentos.

Num misto de road movie e impressionismo, o diretor Terry Gilliam, de filmes como o hilário "Monty Python em Busca do Cálice Sagrado" e "Os Doze Macacos", tece aqui, uma parábola entre a “viagem” das drogas e a Guerra do Vietnã. A todo momento se faz alusão a guerra. Os personagens principais consideram a cobertura para a revista, uma missão de guerra. Eles precisam se munir até os dentes para enfrentar os “inimigos”. A bandeira americana sempre aparece. O jornalista tem alucinações com um avião jogando mísseis. No meio da poeira, ao som de " The Ride of the Valkyries", música tema de "Apocalypse Now", o campo de batalha é o local da corrida. Thompson em cima de um jipe pensa ouvir barulho de metralhadora.

Apesar da premissa do filme ser interessante, "Medo e Delírio" acaba sendo um longa arrastado e monótono. Numa trama desconstruída, o que é apresentado na produção são apenas paranoias, loucuras e alucinações de Thompson e Gonzo. Em meio a rostos que se distorcem e répteis gigantes, a conclusão a que se chega sobre o filme é a mesma de Thompson sobre o efeito da mescalina: “Na primeira hora nada acontece. Na segunda hora você começa a xingar quem lhe vendeu, porque nada acontece”.