
“O Segredo de Berlim” tem como pano de fundo uma Berlim devastada pela guerra no qual traz George Clooney como o jornalista de guerra Jake Geismar que reencontra a ex-amante Lena Brandt (Cate Blanchett) e acaba se envolvendo em uma misteriosa trama de assassinato.
O filme faz uma grande homenagem ao gênero noir. O noir surgiu na década de 1940, após a 2° Guerra Mundial. As produções desse gênero despertaram o interesse geral em função das suas características visuais e temáticas diferentes de outros filmes realizados antes da guerra.
Os filmes tinham como particularidades, histórias cheias de niilismo, paranoia e cinismo; a existência de personagens ambíguos, crimes e uma ambientação urbana. Eles eram estruturados em uma narrativa sinuosa e pessimista em voz over e utilizavam a fotografia em preto-e-branco.
O diretor Steven Soderbergh recria toda a ambientação e clima do noir em “O Segredo de Berlim”. A história tem um casal que vive um amor proibido, os personagens são pessoas em quem não se pode confiar. A interpretação dos atores é bem teatralizada, com um tom de voz rebuscado. Cate Blanchett faz uma clássica femme fatale, misteriosa cheia de segredos, que lembra Ava Gardner.
A fotografia em preto-e-branco é impecável, com a trama ambientada em locais escuros, noites esfumaçadas e com uma trilha sonora cheia de nuances. Outras características marcantes são os planos com grande profundidade de campo e enquadramentos de baixo para cima (contra-plongée) em que se mostra o teto dos cenários. Para colocar o teto como parte integrante do enquadramento, deve se contar com um bom trabalho de fotografia. Como o teto é mostrado, dificulta-se o trabalho de iluminação do local. Esse recurso era muito utilizado pelo cineasta Orson Welles, como no filme “Cidadão Kane”. “O Segredo de Berlim” é um ótimo convite à aqueles que querem conhecer melhor esse gênero fascinante que é o noir.
